Época de transformação social

Vivemos em uma época de transformação, por um lado temos uma tecnologia que não mais corresponde aos padrões de uma economia e estilo de vida sustentável. Assim também os modelos de negócio em uso encontram crescente dificuldade para serem aceitos como legítimos perante uma sociedade mais crítica e mais atenta, interconectada na ação pelas redes sociais e comunidades virtuais.

Por outro, começam a aflorar estilos de vida mais conscientes do custo ambiental e social destes modelos e demandam por produtos e serviços que se valem de tecnologias limpas e mais eficientes. Empresas atentas a estas tendências procuram inovar e transformar seus modelos de negócio para garantir eficiência ao mesmo tempo em que constroem uma marca responsável, gerando novos valores a seus negócios. A transparência em relação às atividades organizacionais passa a ser vista como do interesse de diferentes públicos, incluindo o mercado, trabalhadores, organizações não-governamentais, investidores e pesquisadores. Cresce a consciência de que o desenvolvimento dos negócios não pode estar desconectado do desenvolvimento social e econômico dos países.

O que se busca é chegar a um desenvolvimento sustentável. O maior desafio é a exigência de escolhas inovadoras e novas formas de pensar. Novos conhecimentos e inovações em tecnologia, em gestão e em políticas públicas cada vez mais desafiam as organizações a fazer novas escolhas em relação ao impacto de suas operações, produtos, serviços e atividades sobre as economias, as pessoas e o planeta. A sustentabilidade passa a se constituir em requisito padrão e é incorporada na estratégia das organizações. Neste sentido, o próprio papel das empresas como organizações exclusivamente econômicas é colocado em debate, destacando seu potencial como forças capazes de gerar soluções positivas para os desafios sociais. 

Este contexto traz fenômenos que não encontram abrigo adequado nos modelos de gestão e na forma como se organizam os negócios. Novas competências são necessárias para lidar com a complexidade, a conectividade e a constante mudança dos valores, preferências e artefatos humanos. Desta forma, esta discussão se estende ao tipo e forma de educação a ser concebida e adotada pelas novas gerações, em especial nas escolas de negócios.

A educação com foco em um modelo predominantemente analítico exclui dimensões naturais e essenciais na criação humana que se mostram vitais para o entendimento dos requisitos da sustentabilidade e para o desenho de novas soluções. A reintrodução da intuição e da emoção como dimensões necessárias e intrínsecas à formação integral humana estão no cerne deste questionamento. A premência por inovação não só nos produtos e serviços consumidos, mas no próprio estilo de vida e na ocupação espacial e a infra-estrutura requerida e, portanto, na forma como a sociedade e o estado se organizam, pede por um exame dos valores e da cultura que, ao mesmo tempo em que é geradora, também é depositária. Os fatores e processos sociais que fazem uma sociedade ser inovadora assim como geram as condições para a sua sustentabilidade devem ser re-examinados para informar a discussão em torno da educação e dos modelos de gestão.   

Este conjunto de questões não poderá ser atendido por setores isolados ou de forma independente. A própria noção de organização em rede, das redes sociais e formas abertas de organização e inovação, pedem por modelos mais eficazes de cooperação e colaboração. A necessidade de disseminação rápida e massiva de inovações e de busca de soluções impede a visão intramuros na criação e na implementação. A co-criação e a co-inovação em todas as esferas e instancias da ação humana pedem por formas inovadoras também no modo como a cooperação interinstitucional ou inter-atores pode se dar.  

A atividade que promove o nexo entre estes temas é identificado como gestão e os processos que o descrevem. É a gestão que constitui o processo que promove as escolhas, a aquisição e alocação e otimização de recursos, inclusos aí o esforço humano e os recursos físicos, priorizando valores e estabelecendo padrões para ação. Tendo esgotado os modelos ditos mecanicistas e burocráticos, o modelo de gestão ainda prevalente  mostra-se inadequado para coordenar os valores, a cultura e expectativas de um mundo novo que está se instalando  de modo inequívoco e sorrateiro.  Os temas a serem tratados neste encontro assinalam a forma e o potencial para contribuir na solução das questões sociais, econômicas e ambientais de forma inovadora a partir do movimento de uma gestão integrativa.

 O que se espera ao promover a confluência dos temas propostos nesta conferencia é o entendimento do seu significado e papel na evolução da gestão, rumo a um modelo mais integrativo e "responsivo" aos imperativos desta nova era que  emerge.   Neste sentido, o BAWB- Global Forum Latina America 2011 tem como proposta colocar estes e outros temas correlatos em destaque, reunindo instituições públicas, acadêmicas, empresas, pesquisadores, cientistas, atores civis e profissionais liberais para conhecer e compartilhar experiências, formas de fazer e casos práticos que ilustrem e inspirem para a inovação e a ação nos diferentes âmbitos em que atuam.

Marcos Mueller Schlemm
Coordenador Geral do BAWB Global Forum America Latina

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