Global Forum America Latina reuniu em Curitiba 1.300 participantes, de seis países, para debater as relações entre educação, negócios e sustentabilidade
MOBILIZAÇÃO
O Global Forum América Latina superou as expectativas já na abertura. O auditório Mario de Mari, do Cietep,
ficou lotado e surpreendeu os organizadores pelo número e pela diversidade de pessoas interessadas em debater as relações
entre educação, negócios e sustentabilidade. Participaram mais de 1.300 pessoas, de 14 estados brasileiros
e de mais cinco países: Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai e Estados Unidos.
Na abertura, todos os palestrantes destacaram a busca da sustentabilidade como um dos principais desafios a serem enfrentados
a partir de agora por empresas e pela sociedade em geral. “É necessário garantir a sustentabilidade dos
negócios, dos valores humanos, dos arranjos e valores sociais que construímos”, disse o presidente do
Sistema Federação das Indústrias do
Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, ressaltando que as empresas têm papel dominante no mundo e,
dependendo de como funcionam, podem colocar em risco o futuro da civilização.
Rocha Loures fez um relato dos estudos sobre o assunto e as inúmeras conferências realizadas a partir da criação,
pela ONU, do Pacto Global – compromisso dirigido às empresas, com uma série de itens relativos a desenvolvimento
e sustentabilidade.
“Em todas essas conferências, apontou-se como imperativo repensar a formação de executivos. A educação
é a questão central. Esse encontro de Curitiba segue o planejamento da série de conferências que
deverão ocorrer em outras partes do mundo, com o objetivo de proporcionar aos estudantes de cursos superiores, notadamente
na área de administração de empresas, valores e instrumentos que os tornem aptos a agir de acordo com
os requisitos da sustentabilidade”, afirmou.
Segundo Jonas Haertle, coordenador da área de academia e negócios do Pacto Global da ONU, existem hoje quatro
mil empresas no mundo signatárias do Pacto Global, sendo mais de 200 no Brasil. “Quando começamos, no
ano 2000, havia apenas 20 empresas. Aos poucos, as companhias perceberam a importância de participar do Pacto Global
e foram aderindo aos princípios. Nossa meta é que as 75 mil companhias transnacionais façam parte do
Pacto”, disse. “Para as empresas, é uma boa oportunidade para fazer negócios e trocar experiências
no mundo globalizado, visto que todas seguem os mesmos princípios”, afirmou.
Para Haertle, não importa a maneira como as companhias aplicam os princípios, mas sim os resultados. “Não
existe uma regra, mas todas incorporam os princípios na estratégia, nos diferentes programas e também
na comunicação das ações.”
MODELO INVIÁVEL
O presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Israel Klabin, falou sobre
a fragilidade do atual modelo de sustentação no qual o planeta tem sido conduzido. Ele atribui a fragilidade
a três inviabilidades: a ambiental (relacionada à matriz energética, baseada em combustível fóssil
e que provoca as mudanças climáticas); a econômica (reflexo do modelo macroeconômico, que pauta
o crescimento pelo aumento do consumo, limitado à existência de recursos naturais renováveis) e a social
(injustiça social gerada pela distribuição desigual dos benefícios que a sociedade produz de forma
globalizada).
“O principal desafio para o mundo empresarial e acadêmico é incluir no modelo de governança os vetores
socioambientais”, disse o empresário. “Essa conscientização vem da necessidade de transparência
da empresa perante a opinião pública e da própria necessidade de eficiência do negócio”,
declarou. Além dos participantes inscritos e das instituições parceiras, também estiveram presentes
representantes dos governos federal, estadual e municipal e do Tribunal Regional do Trabalho.
