Palestras e workshops reuniram representantes de empresas, universidades, governo e sociedade civil
REFLEXÕES
Mudanças são feitas por pessoas. Por isso, a difusão do conceito de sustentabilidade no mundo dos negócios
e na academia passa por transformações no plano individual. Esta idéia foi a tônica do diálogo
Alianças Estratégicas entre Empresas, Universidades e Sociedade, que mobilizou os participantes do Global Forum
América Latina na manhã do segundo dia do evento.
Os palestrantes concordaram que nos últimos anos ocorreu no Brasil uma mudança de paradigma no que diz respeito
à consciência socioambiental, mas observaram que em geral ela ficou restrita a uma elite mais informada e consciente.
O desafio agora é fazer migrar o conceito de sustentabilidade para as demais camadas da sociedade. “Precisamos
expandir a consciência sustentável para todas as faixas sociais e etárias da nossa sociedade. Esta transformação
tem que ser individual”, defendeu Christina Carvalho Pinto, diretora geral e apresentadora do programa de televisão
Mercado Ético. “É preciso fazer perguntas a si mesmo: o que eu gostaria de ser e fazer neste processo?
Onde estão os meus valores?”
“Houve uma mudança completa de paradigma no nível mais alto da intelectualidade brasileira. Agora esse
mudança tem que chegar mais abaixo”, concordou o economista e educador Cláudio de Moura Castro, presidente
do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras.
Para Oscar Motomura, fundador e principal executivo do Grupo Amaná-Key (centro de excelência em gestão),
“não existe nada mais poderoso do que a iniciativa das pessoas”. São elas, destacou, as responsáveis
por acelerar as mudanças e é preciso que cada um faça a sua parte. “As pessoas devem subir no helicóptero
e ver a conexão de seu departamento com a empresa, de sua empresa com a sociedade e, numa perspectiva mais ampla, ver
a empresa sob o prisma do planeta”, disse. O presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, disse que a sociedade clama
por lideranças com capacidade de olhar acima e além do interesse pessoal, da sua organização ou
do seu setor. “Está decretada a falência do líder herói, especialista, setorial”, afirmou.
A necessidade de avançar de uma visão individualista para outra centrada no coletivo também foi ressaltada
pelo coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, Mario Monzoni.
“A mudança de foco da educação, no sentido da sustentabilidade, pode ser feita com a introdução
de uma nova metolodogia, baseada não mais na arrogância ou na sabedoria de um só”, afirmou. “É
preciso proporcionar que a academia forme gestores com a percepção de que se pode formar algo mais valioso no
futuro, repensando o coletivo.” Organizado em formato de talk show, o diálogo Alianças Estratégicas
foi apenas um entre muitos momentos enriquecedores vividos durante o Global Forum América Latina. Durante três
dias, os participantes do evento ouviram uma série de palestrantes convidados para compartilhar idéias e experiências,
resumidas nas páginas a seguir.
PALESTRANTES:
MARIO MONZONI - A REPENSAR OS VALORES DA EDUCAÇÃO
OSCAR MOTOMURA - CONTAMINAÇÃO POSITIVA
RICARDO YOUNG - NOVAS LIDERANÇAS PARA UMA NOVA CIVILIZAÇÃO
CLÁUDIO DE MOURA CASTRO - VALORES PARA A SUSTENTABILIDADE
CHRISTINA CARVALHO PINTO - CONEXÃO COM O "EU" E COM O "NÓS"
ANTÔNIO DE ARAUJO FREITAS JUNIOR - A RESPONSABILIDADE SOCIAL COMO DISCIPLINA
JONAS HERTLE - UM PACTO MUNDIAL PELA SUSTENTABILIDADE
LUIZ ANTÔNIO RODRIGUES - R$ 41 BILHÔES PARA CIÊNCIA E TECNOLOGIA
ISRAEL KLABIN - ANTECIPAR AS CRISES
JORGE GUIMARÃES - MUDANÇA PARA ATENDER A UM NOVO PARADIGMA
