Administrador de empresas e doutor en administração Pública e Governo, é coordenador do Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas ? EAESP
A CONTAMINAÇÃO POSITIVA
Oscar Motomura, graduado em Administração e Psicologia Social, é fundador e principal executivo do Grupo
Amaná-Key
Para nós, da Amaná-Key, a idéia de sustentabilidade começou há 20, 30 anos, com uma definição
do papel da liderança. Todo líder deve olhar as coisas a partir da perspectiva de um estadista. A pergunta que
fica é: “Qual o meu papel e o que eu estou fazendo para melhorar o estado do mundo?”.
A primeira noção importante refere-se a um olhar que muda tudo o que a gente faz. A segunda são as relações
entre as pessoas. Imagina-se que a parceria entre a universidade, o mundo empresarial e os próprios governos seja uma
coisa deliberada das instituições, mas na prática não é. Ela é produto da iniciativa
de pessoas que trabalham nessas instituições.
Então, se olharmos as coisas que estão acontecendo, todo esse movimento da sustentabilidade, especialmente nos
últimos dois anos, perceberemos que ele é produto da interconexão de indivíduos, que atuam em
instituições, mas também são cidadãos, amigos, professores, estudantes... As interconexões
que acontecem, inclusive em eventos como este, vão gerar uma quantidade enorme de ações e iniciativas,
num processo altamente biológico.
Posso ser alguém de governo que fica aberto a ouvir propostas diferentes numa nova ética, numa nova forma de
ver as coisas. Eu posso ser um empresário que, sensibilizado pelos próprios filhos, que fazem perguntas instigantes,
muda seu comportamento no dia seguinte. E aí está o poder da comunicação.
Muitas pessoas agem contra a sustentabilidade não por mal, mas simplesmente porque não sabem, por analfabetismo
ecológico. É preciso reinventar o negócio, reinventar o curso que se dá na universidade, reinventar
governos. O centro destas mudanças está nas pessoas. Um indivíduo nessas instituições pode
ser o catalisador de uma mudança impressionante, se contar com a parceria da própria vida, em que um contamina
positivamente o outro.
Hoje nós estamos com um problema de escala e complexidade no mundo e, se queremos realmente fazer diferença,
temos de contar com o biológico e promover esta contaminação positiva.
