Empresário, administrador de empresas e representante do Instituto Ethos de Responsabilidade Social no United Nations Global Compact
A primeira coisa que me intriga muito é ver que as organizações estão entendendo que precisam
ser espaços de aprendizado permanente; portanto, espaços produtores de saberes e inteligência. Aí
elas criam as suas universidades corporativas. Hoje, temos mais de cem universidades corporativas no Brasil.
Do outro lado, as universidades fazem uma reflexão profunda sobre o seu papel na sociedade e chegam à conclusão
de que precisam formar pessoas para o mercado. Então, “tecnizam” a educação, banalizam a
educação e rebaixam a alma para a segunda ou terceira prioridade no processo educacional.
Isso significa que nós temos um belo diálogo entre surdos e mudos. Empresas que querem aprender, buscando emular
o papel da universidade, e universidades que querem servir o mercado, emulando empresas e se despindo da sua função
tradicional de educar.
O desafio mais importante dos processos de ensino-aprendizagem é o combate à fragmentação do conhecimento
e a reintegração do conhecimento em espaços criativos, onde a conexão entre as pessoas precisa
ser poderosa.
Olhando os princípios da educação dos líderes responsáveis, nós podemos dizer que
está decretada a falência do líder herói, do líder especialista, do líder setorial.
A sociedade clama por lideranças que tenham a capacidade de olhar acima e além da sua experiência setorial,
dos seus interesses pessoais, dos seus interesses corporativos ou organizacionais e que consigam ser catalisadores de uma
corrente que tenha a ousadia da inovação, que tenha a ousadia de criar o novo, porque sem o novo não
haverá sobrevivência possível no planeta. Esse tipo de liderança é urgente e é o
desafio que todos nós temos.
Estamos discutindo aqui como vamos colaborar para dar poder e capacitar lideranças cujos princípios, valores
e olhar diferenciado sejam catalisadores daquelas forças que tenham profundo poder de mudar efetivamente. Nós
precisamos de lideranças que ousem mudar nosso padrão civilizatório.
