Doutor em Economia pela Universidade de Vanderbilt. Foi diretor da Capes e atuou em órgãos internacionais, como a OIT e Banco Mundial. Atualmente, é presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras.
Eu quero contar dois casos que permitem ilustrar alguns princípios importantes. Eu fui visitar uma escola rural em
Ouro Branco, Minas Gerais. Cheia de computadores, uma escola para não passar vergonha em lugar nenhum do mundo. Atrás
dela tem um córrego. Eu perguntei à diretora: “A escola tem fossa séptica?”. Ela disse que
não. Eu disse: “Quer dizer que vocês vão ensinar conservação, sustentabilidade, numa
escola que joga excrementos no rio?”. Numa reunião na semana seguinte, o prefeito mandou colocar fossa séptica
em todas as escolas.
Segundo caso: eu mudei para Genebra em 1986 e a primeira coisa que eu fiz foi ir para o Salève, que é um morro
maravilhoso para vôo livre. Entrei para sócio do clube e comprei uma asa-delta. Comecei a voar ali. Tempos depois
foi anunciado um dia de limpeza do Salève, promovido pelo clube. De manhã cedo, todo mundo recebia um saco plástico
com um tíquete e dois números. Enchia o saco de lixo e colocava na beira da estrada com um número. No
fim da tarde o carro de lixo passava e recolhia, pegava os números, sorteava alguns e os sorteados ganhavam um prêmio.
Lições: no caso de Ouro Branco, nós vemos total ignorância e total ausência de ganância.
Professores, diretores, secretários de educação, prefeito, secretário de obras, ninguém
se deu conta de que qualidade de água é muito mais importante que hospital. Simplesmente desconheciam. Não
há percepção, não há informação. Sem isso não se dá um passo
à frente.
O outro extremo: primeiro, a complexidade do processo. O clube é binacional, porque a gente decola da França
e pousa na Suíça. Então, tem duas contabilidades, dois presidentes. Em segundo lugar, tem que coordenar
com o jornal, para dar a notícia, com todos os donos de restaurantes da região, que dão o prêmio,
com o lixo, porque o lixo é binacional. Um esforço enorme de coordenação, para um objetivo que
não é do interesse direto do clube. Ou seja, a ação é uma percepção de que
aquilo deve ser feito. Então, existe capital social, solidariedade, cooperação e coordenação.
Nós temos um percurso a trilhar.
