Diretor executivo da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas e presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad)
O diálogo promovido pelo Global Forum é necessário, mas é preciso também tomar decisões
concretas, como a definição das diretrizes curriculares. Vamos propor ao Conselho Nacional de Educação
(CNE) a obrigatoriedade do ensino de responsabilidade social em todos os cursos de graduação em Administração
do Brasil.
Podemos inserir o ensino da responsabilidade social nas diretrizes curriculares, tornando-o obrigatório. Cada escola
poderá escolher o seu programa. O objetivo é sinalizar, de alguma forma, o ensino deste tema no nível
de graduação.
A responsabilidade social deveria permear todo o ensino, desde o seu nível mais básico chegando à pós-graduação,
onde poderiam ser desenvolvidas pesquisas sobre o assunto.
O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), promovido pelo Ministério da Educação, poderia,
ao avaliar os cursos de graduação, inserir questões que envolvam responsabilidade social. A universidade
brasileira tem um poder de adaptação muito rápido, mas ela precisa ser direcionada.
Como todas as escolas querem ser bem avaliadas no Enade, elas adequarão suas grades curriculares. O Enade virou uma
espécie de diretriz curricular. Basta colocar duas questões de responsabilidade social na prova para que todas
as escolas comecem a se movimentar para incluir a disciplina em seus currículos. É possível inserir o
tema, também, no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
Cada vez mais os alunos buscam esta disciplina nos cursos de Administração. Empresas exportadoras exigem responsabilidade
social, como também as listadas em bolsas de valores. Responsabilidade social é um bom investimento. Acaba sendo
extremamente lucrativo. Basicamente significa ser eficiente, não destruir o meio ambiente e respeitar a individualidade
das pessoas. Isso é bom para a empresa.
