Entrevista concedida a Alberto Blumenschein, colaborador do GFAL em São Paulo.
A história: Lala é como o nome de sua empresa... enthusiasmada. Tem uma formação aberta, autodidata
e multicultural que, segundo ela, é reflexo do tempo que vivemos e uma antecipação de outra era... Ela
diz: "Nunca seria quem eu sou se tivesse permanecido na academia." Me identifiquei com ela porque temos algo de
parecido nas histórias e foi muito bom falar com ela por mais de duas horas neste dia 10 de outubro.
Lala começou como estudante de biologia, depois virou bailarina, coreógrafa, estudiosa de inúmeros assuntos
ligados a busca de uma nova humanidade e hoje se dedica ao trabalho de construir o que ela chama de "Economia Criativa".
Em uma frase, seu princípio condutor é - "só faz sentido o que é sentido" - e isso
é a linha que orienta o seu projeto atual que é o Crie Futuros, um movimento para mudar o mundo. De uma maneira
prática ela explica: o mundo liderado pelo hemisfério norte é centrado em produtos, numa economia do
tangível... precisamos construir uma economia do intangível que possa dar conta dos processos... nisso a América
Latina e em especial o Brasil tem muito a oferecer.
Seu trabalho é criar um espaço para o surgimento de tecnologias do intangível, ou seja, recursos culturais,
criativos e relacionais para além dos financeiros.
Para ela o que nos outros faz uma mudança ser bem sucedida é o reconhecimento da necessidade de novos instrumentos/metodologias
para processos multisetoriais e transdiciplinares que gerem a transformação ou ao menos uma nova visão
sobre recursos. A necessidade do intangível nos levará a criação de ações tangíveis.
Em sua visão de futuro ela destaca: "O lúdico e o sensorial serão centrais na educação
de todos. O prazer será o motor das realizações. A alegria será o elemento organizador da sociedade."
E isso será possível se: "...conseguirmos a integração entre áreas diferentes do conhecimento,
construirmos a ressignificação dos indicadores para o intangível."
Sobre o GFAL disse que as menores coisas que ela espera que resultem são "um novo espaço de conversação
onde seja possível perceber a unidade pela semelhança entre os participantes e, ao mesmo tempo, perceber a diferença/diversidade
como solução criativa."
As coisas mais ousadas que ela espera ver no GFAL são:
1. A revisão dos curriculos universitários deixando de oferecer carreiras para oferecer cardápios de
conhecimento que permitam o surgimento de novos profissionais.
2. Mudança do pensamento nas empresas que considere o intangível como o recurso que permitirá o trabalho
prático na sustentabilidade.
3. Um passo na mudança do sistema de governo que inaugure um novo tempo para além da república.
As idéias que ela levará ao GFAL são:
1. Crie futuros para captar sinergias entre os participantes e disponibilizar as ferramentas criativas e lúdicas.
2. A criação de um conselho transdiciplinar de inseminadores de futuro.
