31/08/2011

Maria Cândida Moraes fala sobre como amenizar crise da educação

Em palestra no Global Forum, a doutora em educação afirmou que a transdisciplinaridade pode ser saída para os problemas no sistema de ensino

A crise da educação é agravada pela velocidade dos avanços científicos e tecnológicos, que não são acompanhados pelas instituições educacionais. Além disso, a escola oferece um conjunto de práticas pedagógicas fragmentadas que dificultam o desenvolvimento integral do indivíduo, atrapalham o desenvolvimento das crianças, debilitam a autoestima e inviabilizam o processo de criatividade.

A avaliação é da doutora em educação Maria Cândida Moraes, que falou sobre educação e transdisciplinaridade durante o Global Forum América Latina, diretamente de Brasília. A conferência está sendo realizada nesta semana pelo Sistema Fiep, por meio da Unindus, em parceria com a universidade americana Case Western Reserve University, de Cleveland. O evento é virtual e as mais de 50 palestras podem ser acompanhadas pela internet, pelo site www.globalforum.com.br

Segundo Maria Cândida, para amenizar os efeitos da crise é preciso transformar a educação. "Não é apenas melhorar o sistema, mas pensar em novas competências e trabalhar a transdisicplinaridade", disse, ressaltando que o pensamento transdisciplinar traz novas bases para a renovação filosófica e educacional ao priorizar as relações, interações, emergências, redes e seus processos.

"A transdisciplinaridade implica atitude de abertura para com a vida e todos os seus processos. Ela não combina com o pensamento único e com práticas pedagógicas instrucionais, pois valoriza o pensamento relacional, articulado, crítico e criativo", afirmou.

Na avaliação de Maria Cândida, a transdisciplinaridade exige de cada docente a criação de ambientes e contextos de aprendizagem mais dinâmicos e flexíveis, mais cooperativos e solidários, a criação de ecossistemas educacionais nos quais prevaleça a solidariedade.

"Ela implica em desenvolvimento de práticas educativas que ampliem a capacidade de reflexão de nossos alunos, que desenvolvam o autoconhecimento, a capacidade de interiorização e harmonização, bem como facilitem processos de construção de conhecimento voltados para o desenvolvimento humano".

O grande desafio, segundo a educadora, é transformar não apenas a educação, mas também as organizações e redes. "Todos precisam operar a partir desta nova lógica, que favorece o diálogo, a colaboração e a própria vida e sua sustentabilidade", concluiu.

Fonte: Agência FIEP