Experiência de indústria de São Carlos integra o conjunto de relatos empresariais que serão
apresentados no Global Forum América Latina, de 18 a 20 de junho, em Curitiba
Uma indústria de São Carlos, no interior de São Paulo, está utilizando fécula e farelo
de mandioca como matéria-prima para a produção de embalagens para os setores de alimentos e de reflorestamento.
É a CBPAK Tecnologia S/A, fundada em 2002 por um engenheiro industrial mecânico que hoje tem 35% das ações
nas mãos da BNDESPar, companhia de investimentos subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). A história da empresa está entre os relatos empresariais a serem apresentados durante o Global
Forum América Latina, que acontece de 18 a 20 de junho, no Cietep, em Curitiba.
As tecnologias limpas constituem uma das áreas temáticas do evento, que vai reunir empresas, universidades e
sociedade civil para tratar a educação para os negócios, com foco na sustentabilidade. O Global Forum
propõe debater formas de disseminar esse conceito nas empresas e nos currículos acadêmicos, além
de divulgar iniciativas bem-sucedidas já em curso.
O relato da CBPAK, apresentado por seu fundador e diretor-presidente, Cláudio Rocha Bastos, informa que a proposta
da empresa era desenvolver uma tecnologia limpa, em que a fonte de matéria-prima fosse renovável (mandioca),
e que no ato do descarte do produto a matéria gerada fosse totalmente orgânica, permitindo o seqüestro de
CO2 pela planta, em seu crescimento ? ou seja, fechando o ciclo da eco-sustentabilidade.
Hoje, a empresa fornece para o mercado de alimentos bandejas de espuma de amido (produzidas a partir de fécula de mandioca,
pelo processo de termo-expansão). Biodegradáveis, elas substituem as bandejas convencionais de isopor, que geram
poluição ao serem descartadas. Para o mercado de reflorestamento, a CBPAK desenvolveu uma tecnologia que utiliza
farelo de mandioca prensado como matéria-prima para a produção de tubetes, pequenos vasos utilizados
para o plantio de sementes e tradicionalmente feitos de plástico.
"Estes dois mercados apresentam demandas enormes de consumo e a conquista de uma pequena fatia deles justifica o investimento
no empreendimento, com atrativos retornos financeiros", afirma Bastos.
Outros temas - Além de tecnologias limpas, o Global Fórum contempla outras 12 áreas
temáticas: empreendedorismo e tecnologias sociais; eco-eficiência e produção mais limpa; gestão
do relacionamento; políticas públicas e sustentabilidade; base da pirâmide; governança corporativa;
transformação organizacional; finanças sustentáveis; ética na comunicação
e marketing; agronegócio sustentável e mudanças climáticas. Dos 120 trabalhos inscritos (entre
relatos empresariais e resumos científicos), 86 foram selecionados para apresentação durante o evento.
As sessões temáticas serão realizadas durante o primeiro dia do Global Forum. O restante da programação
é destinado a debates e palestras com a participação de nomes de destaque nos mundos corporativo e acadêmico,
no Brasil e no exterior. Entre os nomes confirmados estão o indiano Ram Charan, reconhecido como um dos mais conceituados
consultores de empresas da atualidade; Hector Nuñez, presidente do Wal-Mart Brasil; Oscar Motomura, fundador e principal
executivo do Grupo Amana-Key; Ricardo Young, do Instituto Ethos; o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior), Jorge Guimarães; Jonas Haertle, representando o Pacto Global da ONU; e Carlos
Osmar Bertero, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração.
O evento é uma promoção da Unindus, universidade corporativa do Sistema Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep), com patrocínio do Serviço Social da Indústria (Sesi), em parceria
com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) e Case Western Reserve University
(EUA). Os resultados da edição latino-americana serão levados ao Global Fórum mundial, marcado
para 2009, nos Estados Unidos.
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