O assunto foi tema do encontro realizado nesta quarta-feira, dentro da série de eventos paralelos do Global Forum
América Latina
A trajetória do movimento de Responsabilidade Social Corporativa nos últimos dez anos, bem como as tendências
e os desafios futuros foram temas do encontro que o Instituto Ethos realizou nesta quarta-feira (18), no Cietep, dentro da
programação de eventos paralelos ao Global Forum América Latina. Primeiro de uma série a ser realizado
pelo Ethos, em diversas capitais brasileiras, o encontro comemora os dez anos do Instituto, que possui cerca de 1.400 associadas
(a maioria empresas, de todos os portes e setores) e atua para estimular as companhias a gerirem seus negócios de forma
socialmente responsável. O Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)
é parceiro do instituto.
"Em dez anos o movimento de responsabilidade social corporativa registrou notável avanço. Mas há
ainda muitos desafios, sendo um deles o de criar massa crítica, que permita a formação de uma cultura
de responsabilidade social", disse o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, na abertura do encontro. Participaram
o presidente do ISAE- FGV, Norman de Paula Arruda; o diretor-superintendente do Sesi Paraná, José Antônio
Fares, e do diretor regional do Senai Paraná, João Barreto Lopes. Representantes de dez empresas apresentaram
experiências bem sucedidas de projetos de responsabilidade social.
Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é o que mais registra avanço no movimento, segundo Ricardo
Young. Ele explicou que há dez anos, a responsabilidade social empresarial era incipiente, basicamente limitada à
filantropia. De lá para cá, surgiu o entendimento de que a empresa, para se perenizar, não pode ter apenas
foco econômico, mas gerar também valor sócio-ambiental. Surgiram ferramentas de gestão de responsabilidade
social. A partir do ano 2000, a responsabilidade social passou a ser incorporada à gestão das empresas. Em seguida,
avançou para o entendimento de que a responsabilidade social deve ser estendida à cadeia produtiva e ao setor
em que a empresa se insere.
"Hoje está claro que não haverá mais avanços se não forem criados mecanismos de mercado
sustentável", disse Young. "Olhamos para os próximos dez anos e vemos que temos de desenvolver massa
crítica, com vistas à mudança da gestão das empresas. Daí a importância de eventos
como o Global Forum, que estimulam e orientam a convergência de entidades do setor produtivo, academia e empresa, congregando
os saberes de cada um destes setores, de modo a formar a mentalidade de mercado sustentável", afirmou ele.
Impulsionar o movimento - O ISAE-FGV, segundo seu superintendente, Norman de Paula Arruda, foi uma das primeiras
instituições de ensino do Brasil a se preocupar com a formação de líderes socialmente responsáveis.
"Começamos com curso específico. Depois, avançamos neste processo. Hoje, o conceito de responsabilidade
social permeia todas as atividades - nos cursos, eventos, palestras", explicou Norman. "O impacto desta iniciativa
junto às empresas e à economia é muito forte, já que somos uma escola de negócios",
disse ele.
A nova política e programas adotados pelo Sistema Fiep nos últimos anos foram narradas pelos diretores do Sesi
e do Senai. "São inúmeras iniciativas que impulsionam o movimento de responsabilidade social empresarial
no Paraná", disse José Antônio Fares, do Sesi. A criação do Observatório de
Indicadores de Sustentabilidade (ORBIS); da Unindus; do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial e o estímulo à
participação em iniciativas como o Prêmio Sesi Qualidade no Trabalho.
O Sistema Fiep trouxe ao Brasil o movimento BAWB (que estimula a responsabilidade social corporativa) e articulou a criação
do Movimento Nós Podemos Paraná, que mobiliza a população para estudar e propor ações
que promovam o desenvolvimento local e contribuam para que o Estado alcance os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
(ODMs), até 2010. "O Senai e o Sesi passaram a atuar com novas ações junto às indústrias,
oferecendo ferramentas que apóiam a gestão socialmente responsável", explicou João Barreto
Lopes, do Senai.
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