Presidente da Fiep abriu evento que debate a educação para os negócios com foco na sustentabilidade
e traz a Curitiba nomes de destaque nos mundos corporativo e acadêmico do Brasil e exterior
O presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures,
abriu oficialmente, na noite desta quarta-feira (18), o Global Forum América Latina definindo o encontro como uma reflexão
compartilhada em favor do desenvolvimento sustentável. "É necessário garantir a sustentabilidade
dos negócios, dos valores humanos, dos arranjos e valores sociais que construímos", disse, ao dar boas
vindas aos mais de 1.100 participantes do evento, que acontece até a próxima sexta-feira, no Cietep, em Curitiba.
Empresários, executivos e representantes da academia, do poder público e da sociedade civil de 14 estados brasileiros
e de outros cinco países discutirão, durante três dias, o papel da educação para os negócios,
com foco na sustentabilidade. "As empresas têm papel dominante no mundo e, dependendo de como elas funcionam podem
colocar em risco o futuro da civilização", disse Rocha Loures. Ele fez um relato dos estudos sobre o assunto
e as inúmeras conferências realizadas a partir da criação, pela ONU, do Global Compact - compromisso
dirigido às empresas, com uma série de itens relativos a desenvolvimento e sustentabilidade.
"Em todas essas conferências, apontou-se como imperativo repensar a formação de executivos. A educação
é a questão central. Esse encontro de Curitiba segue o planejamento da série de conferências que
deverão ocorrer em outras partes do mundo, com o objetivo de proporcionar aos estudantes de cursos superiores, notadamente
na área de administração de empresas, valores e instrumentos que os tornem aptos a agir de acordo com
os requisitos da sustentabilidade", afirmou. "O evento é o início de um processo de repensar a educação
com foco nos negócios e disseminar essa mudança no mundo empresarial, nas academias e em todos os setores da
sociedade."
O GFAL é uma realização da Unindus, universidade corporativa do Sistema Fiep, em parceria com o Sesi,
o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP) e a Case Western Reserve
University (EUA).
O presidente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), Israel Klabin, falou sobre
a fragilidade do atual modelo de sustentação no qual o planeta tem sido conduzido. Essa fragilidade ele atribui
a três inviabilidades: a ambiental (relacionada à matriz energética, baseada em combustível fóssil
e que provoca as mudanças climáticas); a econômica (reflexo do modelo macroeconômico, que pauta
o crescimento pelo aumento do consumo, limitado à existência de recursos naturais renováveis) e a social
(injustiça social gerada pela distribuição desigual dos benefícios que a sociedade produz de forma
globalizada).
"O principal desafio para o mundo empresarial e acadêmico é incluir no modelo de governança os vetores
sócio-ambientais", disse o presidente da FBDS, destacando a importância do GFAL, que reúne num mesmo
espaço empresas, academia e sociedade civil para discutir a educação para os negócios com foco
na sustentabilidade. "Os empresários estão cada vez mais conscientes de buscar a sustentabilidade dos seus
negócios", declarou. "Essa conscientização vem da necessidade de transparência da empresa
perante a opinião pública e da própria necessidade de eficiência do negócio", declarou.
Segundo Jonas Haertle, coordenador da área de academia e negócios do Pacto Global da ONU, existe hoje 4 mil
empresas no mundo signatárias do Pacto Global, sendo mais de 200 no Brasil. "Quando começamos, em 2000,
havia apenas 20 empresas. Aos poucos, as companhias perceberam a importância de participar do Pacto Global e foram aderindo
aos princípios. Nossa meta é que as 75 mil companhias transnacionais façam parte do Pacto", disse.
"Para as empresas, é uma boa oportunidade para fazer negócios e trocar experiências no mundo globalizado,
visto que todas seguem os mesmos princípios", afirmou.
Para Haertle, não importa a maneira como as companhias aplicam os princípios, mas sim os resultados. "Não
existe uma regra, mas todas incorporam os princípios na estratégia, nos diferentes programas e também
na comunicação das ações."
A abertura do Global Forum lotou o auditório do Cietep. Além dos participantes inscritos e das instituições
parceiras, também estiveram presentes representantes dos governos federal, estadual e municipal e do Tribunal Regional
do Trabalho. Logo no início da cerimônia, o diretor adjunto dos Correios do Paraná, Areovaldo Figueiredo,
lançou um selo comemorativo personalizado do Global Forum América Latina.
Destaques - Nesta quinta e sexta-feira o Global Forum terá a participação de nomes de
destaque no mundo corporativo. O indiano Ram Charan, um dos mais conceituados consultores de empresas da atualidade, ministra
conferência sobre "Desafios Estratégicos da Cooperação para a Sustentabilidade".
Oscar Motomura, fundador e principal executivo do Grupo Amana-Key, e Ricardo Young, do Instituto Ethos, participam do debate
sobre "Alianças estratégicas: empresas, universidades e sociedade cooperando para a sustentabilidade".
Hector Nuñez, presidente do Wal-Mart Brasil, e Jonas Haertle, representante do Pacto Global da ONU, são outras
presenças de destaque.
O Global Forum começou quarta-feira, com uma série de eventos paralelos, como a apresentação de
86 artigos científicos e casos de sucesso em sustentabilidade; o Seminário de Apresentação de
Resultados do Diagnóstico de Sustentabilidade Corporativa/Paraná; e reuniões do Comitê Brasileiro
do Pacto Global.
Rede e Sustentabilidade - Um dos desdobramentos do GFAL será a realização, nesta sexta-feira,
da pós-Conferência Redes Sociais e Sustentabilidade, com o estudioso David de Ugarte, da Espanha, e o professor
e analista político Augusto de Franco, que abordarão as características de redes e suas relações
com a sustentabilidade.
A realização é do Sistema Fiep, através da Unindus (universidade corporativa do Sistema Fiep),
com apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi), em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da
Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) e Case Western Reserve University (EUA).
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