Iniciativas simples resultam em práticas que mobilizam milhares de pessoas ao redor do mundo
Profissionais de empresas como Wal-Mart, Editora Abril, Banco Real e Banco Bilbao Vizcaya (BBVA) mostraram nesta sexta-feira
(20), no último dia do Global Forum América Latina (GFAL) casos de práticas sustentáveis adotadas
por empresas multinacionais, durante o painel "O sonho possível: a sustentabilidade como a oportunidade de negócios
do século 21". Os executivos apresentaram à platéia de mais de 1.200 participantes do evento promovido
por iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) , através
da Unindus, com apoio do Sesi, que idéias simples podem mobilizar milhares de pessoas em direção a um
mundo sustentável.
Na abertura dos trabalhos desta sexta-feira, o presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, lembrou aos participantes
do evento que o esforço do GFAL é "uma iniciativa da maior importância para o destino da humanidade".
"As empresas precisam funcionar de maneira diferente, organizadas por outros pressupostos e pela referência maior
da sustentabilidade", afirmou.
A primeira apresentação do painel coube à diretora de relações governamentais do Wal-Mart
Brasil, Maria Cláudia de Souza, que apresentou as ações sustentáveis promovidas pelo grupo varejista
que atingem os mais de 70 mil funcionários que atuam nas 317 lojas do grupo no Brasil. Signatária do Pacto Global,
iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), a empresa tem como um de seus objetivos estratégico
as ações sustentáveis. "Para atingirmos nossa visão de futuro, que é ser a melhor
rede varejista do Brasil na mente e no coração dos consumidores, temos que ser o que a sociedade demanda atualmente:
uma organização sustentável", afirmou.
Com base nas metas globais estabelecidas pela rede ' gerenciamento de resíduos, uso consciente de recursos naturais
e comercialização de produtos sustentáveis', a corporação definiu dez plataformas de sustentabilidade
para serem trabalhadas no Brasil. "As ações são desenvolvidas e direcionadas a todos os atores envolvidos
nos negócios: fornecedores, consumidores e colaboradores", informou a executiva. Entre os projetos apresentados,
Maria Cláudia destacou a criação de escritórios sustentáveis; o "Lixo Zero",
para estímulo à reciclagem; lojas e CDs sustentáveis; venda de sacolas retornáveis; e o projeto
"Clube de Produtores", que cria a oportunidade para que pequenos produtores se tornem fornecedores da rede. "Os
funcionários tornam-se disseminadores da sustentabilidade, sugerindo ações e dando boas idéias
para que mais mudanças sejam feitas", afirmou.
Conscientização - Editor da revista National Geographic e curador de conteúdo do
Planeta Sustentável, plataforma da Editora Abril de referência para o debate sobre sustentabilidade, o jornalista
Matthew Shirts falou sobre o empenho da editora na difusão do tema, envolvendo 35 de seus títulos com a missão
de conscientizar seus 15 milhões de leitores. "No Planeta Sustentável é possível encontrar
manifestos, reportagens sobre sustentabilidade e o primeiro Manual de Etiqueta Sustentável, que traz dicas de como
enfrentar o aquecimento global, reduzir o consumo de água, de energia elétrica e de combustível",
contou. A primeira edição do guia teve tiragem de 2,5 milhões de exemplares. Para este ano, a Abril já
está planejando a segunda edição.
Na opinião de Shirts, a sustentabilidade é a grande questão do momento: "Discutir, informar e produzir
conhecimento sobre sustentabilidade é essencial para informar e qualificar as ações que levarão
à construção de um mundo melhor. É preciso convencer as pessoas disto".
O diretor do Banco Real Altair Assunção falou aos participantes do evento sobre a inserção da
sustentabilidade no negócio. De acordo com o relato de Assunção, o Real implementou a gestão sustentável
como um de seus pilares estratégicos em 2001. "Na época a coisa mais simpática que nos diziam era:
?vocês são malucos?. E hoje, tanto tempo depois, estamos aqui diante dessa platéia de mais de mil pessoas
falando sobre sustentabilidade. Esse é um assunto que não tem mais volta. Veio para ficar", declarou.
De acordo com o diretor, o tema da sustentabilidade encontra "ressonância enorme" nos clientes da instituição.
"A gestão está mudando. Hoje as pessoas pensam diferente e agem diferente", disse. Assunção
ressaltou que o lucro faz parte da gestão sustentável, "até para as empresas se sustentarem nas
comunidades em que atuam", e que o grande desafio das corporações hoje é atingir o conceito dos
três "P": lucro (profit, em inglês), pessoas e planeta.
Carlos Cilveti e Fernando Summets, executivos do BBVA, apresentaram ao público do GFAL o projeto da Blogsfera BBVA,
rede social de blogs mantida pelos 110 mil funcionários da empresa criada em janeiro deste ano. "É a cultura
de se mobilizar debaixo para cima", classificou Cilveti. De acordo com os executivos do banco, a rede promove a democratização
do fluxo de informações e processos criativos da organização. Calcado na inovação,
o projeto da rede é nomeado "Planta 29", em referência ao edifício-sede da empresa, em Madri,
de 28 andares ? a 29ª planta (andar, em espanhol) representa, então, o espaço de criação
e inovação, por estar acima do terreno físico e ser imaginário.
"A Blogsfera nos permite explorar novas formas de relação. Queremos a inovação, queremos
nos comportar como grandes comunidades", afirmou Cilveti. Com o projeto, conta o executivo, os funcionários não
separam mais tempo de ócio do tempo de trabalho. "Estamos descobrindo um novo mapa de valores", definiu.
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