Crédito enfrenta ventos contrários, diz Goldman Sachs
O crédito no Brasil mostra desaceleração: em julho, o volume de empréstimos do SFN avançou 0,3%, ante 0,6% no mês anterior. Goldman Sachs prevê ventos contrários; Itaú BBA vê inadimplência em 4,88%.
O crédito no Brasil começa a travar. Em julho, o volume de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) avançou 0,3% na comparação com o mês anterior, ante 0,6% em junho. O acumulado de 12 meses soma 9,5%, mas o ritmo indica desaceleração. O Goldman Sachs vê desafios à frente e fala em "ventos contrários" para o crédito nos próximos meses.
Segundo o banco, a combinação de política monetária restritiva, desaceleração do crescimento, mercado de trabalho mais fraco, inadimplência em alta e endividamento elevado das famílias pressiona o setor. O comprometimento da renda com o serviço da dívida bateu recorde de 28,9% em junho, enquanto o endividamento das famílias estacionou em 49,8%. A taxa de juros no crédito livre para pessoas físicas recuou 390 pontos-base em julho, mas segue em 60% ao ano.
Apesar do cenário, os analistas ponderam que a concessão de crédito pelos bancos públicos e as linhas patrocinadas pelo governo federal devem sustentar o ciclo, tornando menos provável um freio brusco. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o recuo de julho confirma a desaceleração gradual. "A combinação entre uma taxa de juros ainda significativamente restritiva, o elevado endividamento das famílias e a trajetória de alta da inadimplência aponta para uma deterioração da qualidade do crédito", afirma.
O Itaú BBA destaca alta na inadimplência geral: o índice de atrasos acima de 90 dias subiu para 4,88% no sistema. Na faixa de 15 a 90 dias, houve recuo para 4,51% nas pessoas físicas e alta para 2,93% nas empresas. O banco explica que a queda no curto prazo das famílias reflete a migração da dívida para prazos mais longos, enquanto novos riscos se concentram nas pessoas jurídicas.
Já o Bradesco BBI vê resiliência no curto prazo, citando melhoras mensais em consignado privado, cartões, veículos e imobiliário. O índice consolidado de 15 a 90 dias ficou estável em 4,7%. O banco ressalta que as tendências nas metodologias de baixas contábeis distorcem o indicador de atrasos longos, tornando-o inadequado para avaliar a real qualidade dos ativos. No fim, o cenário é de desaceleração gradual, não de colapso.