Credito e Dividas

Inadimplência segue em patamar recorde mesmo com Desenrola 2.0

ResumoA taxa de inadimplência total do sistema financeiro permaneceu em 4,7% em junho, o maior patamar da série histórica do Banco Central desde 2011. Pessoas físicas lideram os atrasos com 5,6%, mesmo com as renegociações do programa Desenrola 2.0.

A taxa de inadimplência total do sistema financeiro permaneceu em 4,7% em junho, o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC) desde 2011. Mesmo com renegociações do Desenrola 2.0, os atrasos seguem estáveis. Pessoas físicas lideram com 5,6% de inadimplência.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 30 de julho de 2026
Inadimplência segue em patamar recorde mesmo com Desenrola 2.0

Inadimplência segue em patamar recorde mesmo com Desenrola 2.0

A taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro permaneceu estável em junho, em 4,7% - o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC) iniciada em 2011. Os dados constam do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, divulgados em 30 de junho, e levam em conta operações com atraso superior a 90 dias, de pessoas físicas e empresas. Mesmo com a renegociação de ao menos R$ 44,7 bilhões em crédito pelo Desenrola 2.0, os atrasos nos pagamentos seguiram estáveis.

Pessoa física lidera índice de atraso

Considerando apenas pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 5,6% no mês passado. No caso das empresas, o índice ficou em 3,2%, o maior valor desde novembro de 2017 (3,3%). O indicador disparou no último ano: segundo o BC, a inadimplência total aumentou em 1 ponto percentual nos últimos 12 meses.

Crédito livre bate recorde entre famílias

O BC divide o crédito em duas grandes categorias: o direcionado (com destinação específica, como habitação, agricultura e infraestrutura) e o livre (onde os bancos definem taxas, prazos e destinação). No crédito livre, que inclui cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal, a inadimplência das famílias também permaneceu em 7,6% - outro recorde.

Desenrola 2.0 não reverteu cenário

A inadimplência e seus efeitos no bolso da população estão entre as principais preocupações do governo Lula, que lançou em maio uma nova versão do Desenrola Brasil. Mesmo com a negociação de ao menos R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses, os atrasos nos pagamentos seguiram estáveis. O governo decidiu prorrogar em mais 30 dias o prazo para renegociação.

Perguntas Frequentes

Qual é a taxa atual de inadimplência no Brasil?

A taxa total ficou em 4,7% em junho de 2025, o maior nível desde o início da série histórica do BC em 2011.

O Desenrola 2.0 reduziu a inadimplência?

Não. Mesmo com a renegociação de R$ 44,7 bilhões em crédito, os atrasos nos pagamentos permaneceram estáveis.

Qual categoria de crédito tem maior inadimplência?

O crédito livre, que inclui cartão de crédito e cheque especial, registrou 7,6% de inadimplência entre famílias, também um recorde.

A inadimplência subiu nos últimos 12 meses?

Sim. O BC aponta que a inadimplência total aumentou em 1 ponto percentual nos últimos 12 meses.

O que é crédito direcionado e crédito livre?

Crédito direcionado tem destinação específica (habitação, agricultura, infraestrutura) com juros subsidiados. Crédito livre é definido pelos bancos, com taxas e prazos próprios, como cartão de crédito e cheque especial.

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