Fim do mundo sem explosões: a Física do colapso do Universo
O colapso do Universo não terá explosões. Será um processo lento, frio e silencioso, guiado pela entropia. O físico Brian Greene detalhou essa cronologia no Rio Innovation Week, no Píer Mauá, no Rio.
O 'fim do mundo' não terá explosões: como a Física prevê o colapso do Universo
O apocalipse cósmico não terá estrondos. O colapso do Universo será um processo lento, frio e incrivelmente silencioso, segundo o físico teórico Brian Greene, que apresentou a palestra O fim do tempo nesta quinta-feira, 6, no Rio Innovation Week, no Píer Mauá, no Rio. A previsão não é de explosões, mas de um desvanecimento gradual de toda a matéria.
O que é a entropia e por que ela dita o fim do Universo?
A força motriz por trás desse destino é a entropia, a tendência natural de todo o Universo de caminhar da ordem para a desordem. Greene define o conceito de forma direta: "A entropia é o processo pelo qual o Universo degrada as estruturas, destrói as coisas".
Segundo o físico, a vida e as galáxias são apenas "ilhas temporárias de ordem" em um oceano de caos em constante expansão. Ele explica que a entropia é poderosa porque mostra como o Universo muda ao longo do tempo, da baixa entropia à alta entropia, da ordem para a desordem.
A metáfora do Empire State Building
Para levar o público até o fim dos tempos, Greene usou uma metáfora visual: os 102 andares do Empire State Building, em Nova York. Cada andar representa um salto exponencial no tempo. Hoje, estaríamos no 10º andar. O fim do tempo ocorreria no 102º.
No 11º andar, o Sol exaurirá seu combustível e se expandirá mais de 200 vezes, engolindo Marte, Vênus e, possivelmente, a Terra. No 12º andar, a expansão acelerada do Universo afastará as galáxias a tal velocidade que a escuridão dominará o céu visível.
A cronologia do colapso: do Big Bang ao congelamento eterno
Greene traçou uma trajetória que começa com a faísca inicial do Big Bang, há cerca de 14 bilhões de anos, e termina com o desvanecimento de toda a matéria em um futuro longínquo. A escala é difícil de imaginar, mas a lógica é implacável.
Os andares finais da existência
- No 20º andar, se a Terra não tiver sido engolida pelo Sol, ela vai acabar.
- No 30º andar, estrelas serão engolidas pelos buracos negros que acreditamos existir no centro de cada galáxia.
- No 38º andar, os prótons, o coração da matéria, vão se desintegrar.
- No 50º andar, se ainda houver algum ser consciente, ele terá o seu último pensamento. O próprio pensamento cria calor e, nesse ponto, o Universo estará tão repleto de energia que não conseguirá absorver mais calor. Qualquer pensamento será fritado.
- No 100º andar, até mesmo os buracos negros se desintegrarão em uma sopa de partículas frias, tão distantes que nenhuma interação acontecerá. É o "congelamento eterno".
O que resta da existência humana diante do fim?
Se tudo está fadado a evaporar, qual o sentido da existência? Greene une a Física à Filosofia nesse ponto. Compreender a imensidão do tempo não diminui a importância humana, mas evidencia como nossa capacidade de produzir conhecimento e formular perguntas é rara e preciosa.
"Cada um de nós ganhou a loteria mais improvável de todas, a do Cosmos", afirmou. A brevidade da vida, diante da vastidão do Universo, não deve inspirar insignificância, mas gratidão pela oportunidade de existir e compreender o próprio lugar no Cosmos.
"O fato de que partículas se juntaram momentaneamente para formar seres capazes de pensar, amar, compor música e investigar as próprias leis do Cosmos é um milagre estatístico e poético", concluiu.
Perguntas Frequentes
O fim do Universo terá explosões?
Não. Segundo Brian Greene, o colapso será um processo lento, frio e silencioso, sem estrondos apocalípticos.
O que é a entropia?
É a tendência natural do Universo de passar da ordem para a desordem. Greene a descreve como o processo pelo qual o Universo degrada as estruturas e destrói as coisas.
Quando o Sol vai engolir a Terra?
Na metáfora de Greene, isso ocorreria no 11º andar do Empire State Building, quando o Sol se expandirá mais de 200 vezes, podendo engolir Marte, Vênus e, possivelmente, a Terra.
O que é o congelamento eterno?
É o estágio final, no 100º andar, quando até os buracos negros se desintegram em partículas frias, tão distantes que nenhuma interação ocorre.
Qual o sentido da existência se tudo vai acabar?
Para Greene, a existência humana é um milagre estatístico e poético. A brevidade da vida deve inspirar gratidão, não insignificância.
entropia e a segunda lei da termodinâmica teoria das cordas para iniciantes buracos negros e o destino das galáxias