Economia

Fleury: crescer é fácil, manter rentabilidade é o desafio

ResumoFleury, grupo de medicina diagnóstica liderado pela CEO Jeane Tsutsui, enfrenta o desafio de crescer em mercado fragmentado e juros altos sem sacrificar a rentabilidade. A companhia registra receita de R$ 9,2 bilhões, alavancagem de 1,0x e participação de 13% no setor. A estratégia prioriza expansão orgânica e aquisições seletivas para manter margens saudáveis.

Em cenário de juros altos e mercado fragmentado, a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui, detalha a estratégia de crescer sem sacrificar a rentabilidade. Receita de R$ 9,2 bi, alavancagem em 1,0x e 13% de market share.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 04 de agosto de 2026
Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por lança

Crescer é fácil; manter rentabilidade é o desafio do Fleury, diz CEO

O mercado de medicina diagnóstica vive um cenário incerto. Envelhecimento populacional, fragmentação, consolidação de grandes grupos e juros acima do esperado pressionam o setor. Nesse contexto, o Grupo Fleury (FLRY3) concentra a estratégia na preservação da rentabilidade. A CEO Jeane Tsutsui resume: "Crescer bastante é fácil; o difícil é crescer mantendo a rentabilidade e uma estrutura de capital adequada para o momento que vivemos".

Por que o Fleury prioriza a rentabilidade sobre o crescimento

A declaração foi dada no podcast Expert Talks: Na Mesa com CEOs, da XP, com mediação de Fernando Ferreira e participação de Gustavo Tiseo. Tsutsui, com quase 26 anos de casa e no comando desde 2021, detalhou a evolução financeira e os planos de investimento da companhia, que completa um século.

O setor ainda é pulverizado. "Hoje temos 13% de market share de maneira geral", afirma. São cerca de 22.000 laboratórios no país. A escala operacional e o alcance de diferentes perfis de consumidores aparecem como fatores decisivos para ampliar a fatia de mercado.

Crescimento com disciplina: receita dobrou desde 2021

A estratégia combinou expansão orgânica com aquisições. A maior movimentação foi em 2023, com a combinação com o Grupo Pardini. O resultado aparece nos números.

"De 2018 para cá, temos um CAGR de aproximadamente 13,8%, combinando crescimento orgânico e inorgânico", diz a CEO. No 1T26, a receita dos últimos 12 meses chegou a R$ 9,2 bilhões. "Desde 2021, quando assumi, nós mais do que dobramos a receita."

Duas frentes de operação: B2C e Lab to Lab

A operação se divide em duas frentes. No B2C, são mais de 570 unidades em 14 estados, responsáveis por 70% da receita. No B2B, o modelo Lab to Lab atende mais de 8.000 laboratórios parceiros em 2.200 municípios, cobrindo cerca de 80% da população brasileira.

Estrutura de capital: alavancagem caiu de 1,8x para 1,0x

Com custo de capital elevado, a saúde financeira ganha peso. A alavancagem encerrou o 1T26 em 1,0 vez na relação dívida líquida/Ebitda, ante 1,8 vez em 2022. A destinação dos recursos prioriza reinvestimento em modernização e tecnologia, sem abrir mão dos proventos.

A taxa de reinvestimento em bens de capital se mantém entre 6% e 6,4% ao ano. Já a parcela do lucro distribuída aos acionistas oscila historicamente entre 85% e 90%.

ROIC como bússola: margem menor nem sempre é problema

O plano de reinvestimento mira a maximização do ROIC. Mesmo com marcas de segmentos intermediários, de margens menores, a menor exigência de capital de giro preserva o retorno. "Nós olhamos não só o top line, mas a margem e o retorno sobre o capital investido", explica Tsutsui.

No ano passado, o lucro foi de R$ 616 milhões. "No final, somos uma empresa lucrativa", resume. A combinação entre margem e investimento, diz ela, nem sempre é visível para o investidor.

O que observar no Fleury daqui para frente

Para quem acompanha o setor, os indicadores a vigiar são a evolução do ROIC, a manutenção da alavancagem baixa e a capacidade de integrar aquisições sem diluir rentabilidade. A heterogeneidade da saúde suplementar ainda abre espaço para captura de clientes, tanto orgânica quanto via M&As. como analisar empresas de saúde na bolsa o que é ROIC e como usar na análise

Perguntas Frequentes

O que é o Lab to Lab do Fleury?

É o modelo B2B de apoio laboratorial. O grupo atende mais de 8.000 laboratórios parceiros em 2.200 municípios, cobrindo cerca de 80% da população brasileira.

Qual a receita do Fleury no 1T26?

A receita dos últimos 12 meses encerrou em R$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Como está a alavancagem do Fleury?

A relação dívida líquida/Ebitda está em 1,0 vez no 1T26, ante 1,8 vez em 2022.

Qual o market share do Fleury?

A companhia tem 13% de market share no mercado de medicina diagnóstica, que conta com cerca de 22.000 laboratórios no país.

Quanto o Fleury distribui de lucro aos acionistas?

Historicamente, a parcela do lucro distribuída oscila entre 85% e 90%.

O que é CAGR e qual o do Fleury?

CAGR é a Taxa de Crescimento Anual Composta. O Fleury registra aproximadamente 13,8% desde 2018, combinando crescimento orgânico e inorgânico.

Leia também

Publicidade