Alphabet busca levantar até US$ 25 bi em nova emissão de títulos
A Alphabet pretende captar até US$ 25 bilhões em nova emissão de títulos de grau de investimento nos EUA. Operação testa apetite por dívidas de IA após vendas em julho.
Alphabet busca levantar até US$ 25 bilhões em nova emissão de títulos
A Alphabet, controladora do Google e do YouTube, pretende captar até US$ 25 bilhões em sua mais recente emissão de títulos de grau de investimento nos Estados Unidos. A operação deve testar o apetite dos investidores por dívidas ligadas à inteligência artificial, após a forte venda de ativos observada em julho. Ainda não há decisão final sobre o tamanho da oferta, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato.
A controladora do Google e do YouTube está oferecendo títulos em até dez tranches diferentes, com vencimentos que variam de dois a 40 anos, afirmou outra fonte. As indicações iniciais de preço para o papel com prazo mais longo apontam para um prêmio de cerca de 1,55 ponto percentual acima dos Treasuries dos EUA.
O que está por trás da nova emissão da Alphabet?
A nova oferta ocorre duas semanas depois de a Alphabet elevar sua projeção de gastos para 2026, movimento que reacendeu preocupações sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. O interesse dos investidores por títulos destinados a financiar essas despesas esfriou em julho, quando a companhia aumentou sua estimativa de investimentos para até US$ 205 bilhões, mais que o dobro do montante gasto em 2025.
Os elevados investimentos de capital contribuíram para que a Alphabet registrasse seu primeiro trimestre com fluxo de caixa negativo desde seu IPO, realizado em 2004.
Quem coordena a operação?
Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo coordenam a operação. BofA e JPMorgan se recusaram a comentar, enquanto a Alphabet e os demais bancos não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
O contexto do mercado de dívida de IA
Na semana passada, uma empresa ligada à BlackRock vendeu US$ 12,5 bilhões em títulos associados a um projeto de data center da Meta Platforms no Texas. A demanda inicial foi considerada fraca, após o interesse moderado registrado em uma emissão semelhante da Amazon.com. Além disso, títulos recém-lançados por empresas ligadas ao tema de IA, incluindo a SpaceX, registraram ampliação dos spreads no mercado secundário.
O ambiente, porém, melhorou com o início de agosto, impulsionado pela valorização dos títulos do Tesouro americano.
O que dizem os gestores?
"Tivemos alguns dias de reações positivas dos investidores no mercado corporativo e especialmente no setor de tecnologia", afirmou Brett Kozlowski, gestor de portfólio da GW&K Investment Management. "Mas uma nova operação de dívida de grande porte ainda testará a profundidade dessa demanda e será algo importante de acompanhar."
O histórico de captações da Alphabet
Alphabet e Amazon têm liderado a onda de captações voltadas ao financiamento da infraestrutura de IA. Apenas no primeiro semestre de 2026, a Alphabet vendeu mais de US$ 50 bilhões em dívida. A empresa acessou pela última vez o mercado americano de dívida de alta qualidade em fevereiro e, desde então, realizou emissões em francos suíços, libras esterlinas, euros, dólares canadenses e ienes japoneses. Há dois meses, também levantou cerca de US$ 85 bilhões por meio de uma oferta de ações.
Para quem acompanha o setor de tecnologia, a leitura é clara: a Alphabet está apostando forte em IA, mas o mercado está de olho no retorno desse investimento. A operação atual será um teste importante para medir a confiança dos investidores em dívidas ligadas à inteligência artificial.
Perguntas Frequentes
Qual o valor máximo que a Alphabet busca levantar?
Até US$ 25 bilhões.
Em quantas tranches a oferta será dividida?
Em até dez tranches, com vencimentos de dois a 40 anos.
Qual o prêmio sobre os Treasuries?
Cerca de 1,55 ponto percentual acima dos Treasuries dos EUA para o papel mais longo.
Quem coordena a emissão?
Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo.
Por que a operação é relevante?
Porque testa o apetite por dívidas de IA após um período de vendas em julho e em meio a preocupações com o retorno dos investimentos bilionários do setor.