Economia

Argentina evita crise diplomática com Chile após Estreito

ResumoA Argentina evitou uma crise diplomática com o Chile após declarações do chefe da Força Aérea argentina sobre o Estreito de Magalhães. O governo argentino emitiu esclarecimentos formais e reafirmou o compromisso com o tratado de limites de 1881. A ação preventiva preservou a relação bilateral e a estabilidade na região patagônica.

A Argentina atuou para conter um atrito diplomático com o Chile após declarações do chefe da Força Aérea sobre o Estreito de Magalhães. Veja como a crise foi evitada e o que está em jogo.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 26 de agosto de 2026
Argentina evita crise diplomática com Chile após Estreito

O governo argentino atuou nesta terça-feira, 25, para conter um atrito diplomático com o Chile após a repercussão, em Santiago, de declarações do chefe da Força Aérea da Argentina sobre soberania no Estreito de Magalhães. Em comunicado, a chancelaria argentina ressaltou a relevância da relação bilateral e lembrou que tratados em vigor definem as águas do estreito, no extremo sul do continente, como de jurisdição chilena.

A polêmica começou no fim de semana, quando o chefe da Força Aérea, Gustavo Javier Valverde, afirmou em entrevista que "Magalhães, o sul, a passagem de Drake" seriam "soberania" e defendeu presença na região por considerá-la "chave bioceânica". No mesmo programa, ele disse que a relação militar com o Chile era boa. O Estreito de Magalhães é a passagem marítima que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico no extremo sul da América do Sul.

Após a reação às falas, o chanceler chileno Francisco Pérez Mackenna declarou à imprensa local que fazia "um severo chamado" para que autoridades estrangeiras sejam responsáveis e "não confundam seus cidadãos", acrescentando que o Estreito de Magalhães é "indiscutivelmente chileno". Para esfriar o episódio, a Argentina afirmou que sua posição é a fixada pelo Tratado de Limites de 1881 e pelo Tratado de Paz e Amizade de 1984. Segundo Buenos Aires, ambos reconhecem a soberania chilena sobre as águas do estreito e são considerados definitivos.

O presidente chileno, José Antonio Kast, avaliou positivamente a resposta do governo de Javier Milei. "Agradecemos as declarações do governo argentino, reconhecendo a soberania do Estreito de Magalhães, que é chilena", disse à imprensa. Apesar disso, a chancelaria do Chile entregou hoje uma nota de protesto em Buenos Aires para registrar a insatisfação com os comentários.

Argentina e Chile já tiveram disputas em razão da extensa fronteira comum. No fim dos anos 1970, chegaram a ficar perto de um confronto armado por divergências sobre o Canal de Beagle, também no extremo sul, cuja soberania hoje é compartilhada. Este episódio mostra como declarações de autoridades podem gerar tensão, e a resposta institucional foi decisiva para evitar um escalada. Para quem acompanha a região, o recado é claro: tratados continuam sendo a âncora da relação bilateral.

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