AtlasIntel: 45% culpam família Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA
45,4% dos eleitores culpam a família Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA; 41,5% apontam Lula. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg traz os detalhes da percepção popular.
AtlasIntel: 45% dos brasileiros culpam a família Bolsonaro pelo tarifaço dos EUA
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (31) mostra que 45,4% dos eleitores brasileiros consideram a família Bolsonaro a principal responsável pelas novas tarifas de 25% e pela sobretaxa de 12,5% impostas pelos Estados Unidos neste mês. Em contrapartida, 41,5% atribuem a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento ouviu 5.021 eleitores entre os dias 22 e 27 de julho, com margem de erro de 1 ponto percentual.
Família Bolsonaro: percepção de influência na decisão dos EUA
Quando questionados sobre o grau de influência do clã Bolsonaro na decisão norte-americana, 32,3% dos entrevistados afirmaram que houve muita influência. Outros 21,9% enxergam alguma influência, enquanto 12,5% veem pouca influência. A parcela que acredita que não houve nenhuma influência soma 31,6%.
Os números revelam uma percepção dividida, mas com leve vantagem para quem acredita na interferência da família sobre a Casa Branca.
Principal culpado pelo fracasso das negociações: Trump ou Lula?
A pesquisa também investigou quem seria o principal responsável pelas negociações entre Brasil e EUA terem terminado sem acordo. Para 50,6% dos ouvidos, o presidente norte-americano Donald Trump é o principal culpado, porque "tinha motivação política e não tinha interesse real em negociar comercialmente".
Já 46,2% apontam Lula como o principal responsável por atrapalhar o acordo, sob a justificativa de que "preferiu utilizar o tema de maneira eleitoreira e não negociou corretamente". A polarização entre as duas figuras políticas domina a leitura do eleitorado.
Exigências dos EUA: Pix e etanol fora da mesa
Apesar da discordância sobre quem foi o principal fator para a inexistência de um acordo, mais da metade dos brasileiros concorda que o governo Trump fez exigências às quais o Brasil não deveria ceder. Ao todo, 71% afirmaram que o país não deveria incluir o Pix nas negociações, enquanto 58% também discordaram de zerar as tarifas sobre o etanol americano.
A resistência popular a essas concessões é um sinal claro de que a população acompanha os termos da negociação e rejeita pontos sensíveis para a economia doméstica.
Postura do Planalto: ceder ou não ceder?
Sobre a conduta que o Palácio do Planalto deveria ter adotado, 44,2% afirmaram que Lula não deveria ter cedido a nenhuma exigência dos EUA. Outros 40% acham que o governo brasileiro deveria ter cedido a algumas exigências, e 20% entendem que todos os pedidos norte-americanos deveriam ter sido atendidos.
A divisão mostra um eleitorado cauteloso, mas majoritariamente contrário a uma rendição total nas negociações comerciais.
Retaliação: queda no apoio a uma resposta dura
O eleitorado mudou de opinião sobre uma eventual retaliação do governo em relação ao primeiro tarifaço, ocorrido em julho de 2025. À época, 51,2% eram favoráveis a uma retaliação do governo federal às ações de Trump. Nesta rodada, o número caiu para 38,5% dos entrevistados favoráveis, ante 49,3% contrários a qualquer reação dura do Planalto.
A queda de quase 13 pontos percentuais no apoio à retaliação sugere que a população passou a enxergar mais riscos do que benefícios em uma resposta agressiva.
Cenários hipotéticos: eleições e tarifas
A percepção de que as novas tarifas têm como pano de fundo uma intervenção nas eleições é reforçada pelos cenários hipotéticos da pesquisa. Se Flávio Bolsonaro vencesse a disputa em outubro, 45% acreditam que as sobretaxas diminuiriam. Em um cenário de reeleição de Lula, 42% acreditam que as tarifas aumentariam, e 36%, que a taxação permaneceria como está.
Os números indicam que o eleitorado associa diretamente o resultado das urnas ao comportamento comercial dos EUA, reforçando a tese de interferência externa no processo eleitoral.
Ficha técnica da pesquisa
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 5.021 eleitores entre os dias 22 e 27 de julho. A margem de erro é estimada em 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral pelo número BR-08602/2026.
Perguntas Frequentes
Quem é o principal culpado pelo tarifaço segundo a AtlasIntel?
Para 45,4% dos eleitores, a família Bolsonaro é a principal responsável pelas tarifas. Já 41,5% apontam Lula como o principal culpado.
O que a pesquisa diz sobre a influência da família Bolsonaro?
32,3% acreditam que houve muita influência do clã sobre a decisão dos EUA, enquanto 31,6% avaliam que não houve nenhuma influência.
Qual a opinião dos brasileiros sobre ceder às exigências dos EUA?
71% são contra incluir o Pix nas negociações, e 58% discordam de zerar as tarifas sobre o etanol americano. 44,2% acham que Lula não deveria ter cedido a nenhuma exigência.
Como o eleitorado vê a retaliação ao tarifaço?
O apoio à retaliação caiu de 51,2% para 38,5% nesta rodada, com 49,3% contrários a uma reação dura do Planalto.