Economia

Banco Central estuda interligar Pix com outros países

ResumoO Banco Central do Brasil estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países. A integração internacional visa reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações transfronteiriças. O consumidor brasileiro pode obter remessas mais baratas e rápidas, com menor dependência de bancos tradicionais. A medida depende de acordos bilaterais e de adaptações regulatórias.

O Banco Central estuda interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países. A medida pode reduzir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais. Entenda o impacto para o consumidor.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 10 de agosto de 2026
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Se você já tentou enviar dinheiro para o exterior, sabe o quanto isso pode ser caro e demorado. Taxas altas, dias de espera e burocracia são comuns. Mas o Banco Central (BC) do Brasil quer mudar esse cenário, estudando interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países. A ideia pode baratear e agilizar transações internacionais, algo que afeta diretamente quem tem parentes fora do país ou precisa pagar por serviços no exterior.

O que o BC está estudando?

O BC estuda interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países e com mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. A autoridade monetária argumenta que a medida tem o potencial de diminuir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.

Segundo o BC, "estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos".

A agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix foi divulgada na segunda-feira (10), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. O BC informou ainda que monitora os modelos de transações internacionais, com o uso do Pix, que vêm sendo implementados por empresas nacionais e estrangeiras.

O que isso significa na prática?

Imagine que você precisa enviar R$ 1.000 para um familiar em Portugal. Hoje, essa operação pode custar caro e levar dias. Com a interligação, o dinheiro poderia chegar em poucos segundos, com valores mais baixos. Isso é possível porque o Pix já funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, e a integração com outros sistemas pode usar essa mesma infraestrutura.

A redução de tarifas é um dos principais argumentos do BC. Em vez de pagar taxas altas para intermediários, a transação pode ser feita diretamente entre os sistemas de pagamento. Isso amplia o acesso a transações internacionais, especialmente para quem não tem conta em banco internacional.

Outras novidades do Pix no radar

Além da internacionalização, o BC prevê outras inovações para o Pix. Uma delas é a possibilidade de realizar transações por aproximação offline, sem internet. Isso pode ser útil em áreas remotas ou em situações de queda de conexão.

Outra novidade é o uso do Pix automático em substituição ao débito em conta. Ou seja, pagamentos recorrentes, como contas de luz ou mensalidades, poderiam ser feitos automaticamente via Pix, sem precisar de autorização a cada transação.

O BC também estuda a integração do Pix ao mercado de crédito. A ideia é permitir a utilização dos "fluxos futuros de Pix" como garantias para financiamentos. Segundo o documento, "como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix".

Segurança: o que muda?

O BC também está de olho na segurança. O uso abusivo de mensagens nas transações de Pix para ofensas, ameaças ou intimidações, "frequentemente associadas a transferências de valor irrisório", foi identificado pela autoridade. Originalmente, as mensagens foram pensadas para registrar informações sobre as transações, mas o uso distorcido levou o BC a criar um grupo de trabalho para discutir alternativas.

"Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", destaca o documento.

Além disso, o BC prevê oito medidas para aprimorar a segurança das transações via Pix. Uma delas é a criação de "critérios objetivos mínimos" para definição de transações suspeitas de fraude. Atualmente, esses critérios ficam a cargo das políticas de cada instituição, o que gera comportamentos heterogêneos. Isso permite que transações de elevado valor em horário não comercial sejam autorizadas sem uma avaliação mais cuidadosa.

Outra medida é o desenvolvimento de um indicador de "probabilidade de fraude no Pix", calculado pelo BC em tempo real para todas as transações. "Será construído com base em modelo de machine learning [de Inteligência Artificial] e deverá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentarem os seus sistemas antifraude", diz o informe.

A agenda também inclui a padronização obrigatória dos "alertas de fraudes" e o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares. "A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca fluida e tempestiva de informações, o que irá facilitar a avaliação sobre a transação, de forma a aumentar a assertividade na detecção de fraudes", informa o BC.

Por fim, está prevista a "ampliação do rol de medidas cautelares", como a restrição de cadastro de novas chaves Pix, para instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema de pagamentos.

Pix no centro de disputa internacional

O Pix entrou na mira do governo dos Estados Unidos (EUA), sendo uma das justificativas para o recente tarifaço de 25% contra parte dos produtos do país. A Casa Branca alega que o mecanismo é uma "prática desleal" do Brasil no mercado financeiro, argumento refutado pelo governo brasileiro.

Especialistas consultados pela Agência Brasil ponderam que a ação do governo Donald Trump contra o Pix ocorre pelo fato de o modelo nacional desafiar o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos do Brasil. Ao criar estruturas financeiras de pagamentos sem o controle dos EUA, o Brasil reduz a capacidade de a Casa Branca usar sanções financeiras para pressionar o país a favor de políticas ou posições que sejam de interesse exclusivo dos norte-americanos.

O que esperar para o futuro?

Ainda não há data para a implementação das interligações internacionais. O BC está monitorando os modelos de transações internacionais implementados por empresas nacionais e estrangeiras. Isso sugere que a autoridade quer aprender com experiências reais antes de definir as regras.

Enquanto isso, o consumidor pode se preparar. Se você costuma enviar ou receber dinheiro do exterior, fique atento às novidades. A tendência é de redução de custos e aumento da velocidade. Para quem usa o Pix no dia a dia, as mudanças na segurança devem trazer mais proteção contra fraudes.

Perguntas Frequentes

O Pix vai funcionar em outros países?

O BC estuda interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países. Isso permitiria remessas internacionais e compras com recursos em moeda local em poucos segundos, mas ainda não há data definida.

Como o Pix internacional pode reduzir tarifas?

A interligação pode eliminar intermediários, reduzindo o custo das transações. O BC argumenta que a medida tem potencial de diminuir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.

O que é o Pix automático?

É uma novidade que permite pagamentos recorrentes, como contas de luz ou mensalidades, de forma automática, substituindo o débito em conta. Ainda está em estudo pelo BC.

Como o BC vai melhorar a segurança do Pix?

O BC prevê oito medidas, incluindo critérios objetivos para transações suspeitas, um indicador de probabilidade de fraude calculado em tempo real e a padronização de alertas de fraude.

Por que o Pix está sendo criticado pelos EUA?

O governo dos EUA alega que o Pix é uma "prática desleal" no mercado financeiro, mas o governo brasileiro refuta. Especialistas apontam que o modelo desafia o controle financeiro de Washington sobre infraestruturas de pagamento.

O que fazer se eu for vítima de fraude no Pix?

O BC está criando um fluxo direto e automatizado entre instituições para troca de informações e bloqueios cautelares. Em caso de fraude, procure seu banco imediatamente e registre um boletim de ocorrência.

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