Economia

Brasil ainda consome pouco chocolate e setor vê grande potencial de expansão

ResumoO consumo de chocolate no Brasil é de 2,5 kg per capita ao ano, abaixo da média mundial de 4 kg. O setor projeta expansão, mas enfrenta barreiras como preço elevado, baixa renda da população e alta tributação sobre o produto.

Brasil ainda consome pouco chocolate: 2,5 kg per capita ao ano, contra 4 kg da média mundial. O setor projeta crescimento, mas esbarra em preço, renda e tributação. Análise dos dados e dos desafios.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 07 de julho de 2026
Canetas emagrecedoras fora do SUS: preços podem mudar?

O Brasil ainda consome pouco chocolate. Com média de 2,5 kg por habitante ao ano, o país está abaixo da média global de 4 kg e muito distante de mercados maduros como Suíça (9 kg) e Alemanha (8 kg). Para o setor, o tamanho da distância indica o tamanho da oportunidade. Mas o caminho até lá exige enfrentar gargalos estruturais: renda, preço e tributação.

O consumo per capita de chocolate no Brasil é de 2,5 kg ao ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O número coloca o país na 15ª posição global, atrás de Argentina (3,5 kg) e Chile (3 kg). A média mundial, de 4 kg, é puxada por europeus. A Suíça lidera com 9 kg per capita, seguida por Alemanha (8 kg) e Reino Unido (7,5 kg).

A pergunta que o dado impõe é: quem fica de fora desse consumo? A resposta está na distribuição de renda. O chocolate ainda é item supérfluo para parte expressiva da população. Nas classes D e E, o consumo é esporádico e concentrado em datas festivas. O preço do cacau, que subiu 40% nos últimos dois anos, pressiona o custo final. O setor calcula que, para cada 10% de aumento no preço, as vendas recuam 3% nas faixas de menor renda.

O potencial de expansão existe e é reconhecido pelo mercado. O Brasil é o terceiro maior produtor de cacau do mundo, com 220 mil toneladas anuais, segundo o IBGE. A produção nacional abastece a indústria local, mas o consumo interno absorve apenas 60% da colheita. O restante é exportado na forma de amêndoas e derivados. O setor vê aí um descompasso: produz-se matéria-prima de qualidade, mas o mercado interno não a transforma em consumo.

O preço é o primeiro gargalo. O chocolate é um bem de elasticidade-renda elevada: quando a renda cai, o consumo recua mais que proporcionalmente. O Brasil viveu uma recuperação parcial do poder de compra entre 2023 e 2025, mas a inflação acumulada de alimentos no período, de 8,2%, corroeu parte do ganho. O chocolate, por não ser item essencial, perde espaço no orçamento das famílias mais pobres.

A tributação é o segundo gargalo. O chocolate é classificado como supérfluo na legislação do ICMS, com alíquota média de 18% nos estados do Sudeste. O setor defende a redução para 12%, equiparando a outros alimentos processados. A diferença de 6 pontos percentuais representa, na ponta, cerca de R$ 1,20 a menos no preço de uma barra de 100 gramas. Para o consumidor de baixa renda, esse valor faz diferença.

O terceiro gargalo é a concentração do consumo em datas sazonais. Páscoa, Natal e Dia das Crianças concentram 60% das vendas anuais de chocolate no Brasil, segundo a Abia. O restante do ano, o consumo é baixo e esporádico. O setor busca ampliar o consumo cotidiano com lançamentos de linhas de entrada, versões menores e embalagens individuais. A estratégia é reduzir a barreira de preço para o consumidor que compra por impulso.

Há também um componente cultural. O brasileiro consome mais achocolatado em pó e bebidas à base de cacau do que chocolate em barra. O mercado de chocolate em tabletes responde por 35% do volume total, contra 50% em países como Argentina. O setor aposta em campanhas de degustação e receitas para expandir o hábito do consumo puro.

O potencial de crescimento, contudo, não depende apenas do setor. A expansão do consumo de chocolate no Brasil está atrelada ao aumento da renda real das famílias, à redução da desigualdade e à estabilidade de preços dos alimentos. Sem essas variáveis, o mercado tende a crescer, mas em ritmo lento: o setor projeta alta de 2% a 3% ao ano nos próximos cinco anos.

A pergunta que fica é: quem pagará a conta da expansão? Se o crescimento vier por aumento de preço, o consumidor de baixa renda continuará de fora. Se vier por ganho de produtividade e redução de tributos, o acesso pode se ampliar. O dado concreto é que, enquanto o consumo per capita não chegar a 4 kg, o Brasil terá espaço para crescer. A dúvida é se o crescimento será para todos ou apenas para quem já come chocolate.

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil consome tão pouco chocolate?

O consumo é limitado por renda, preço elevado e tributação alta. O chocolate é item supérfluo para classes D e E, e o preço do cacau subiu 40% nos últimos dois anos.

Qual o consumo per capita de chocolate no Brasil?

2,5 kg por habitante ao ano, segundo a Abia, contra média global de 4 kg.

O Brasil produz cacau suficiente para abastecer o mercado interno?

Sim. O Brasil é o terceiro maior produtor de cacau do mundo, com 220 mil toneladas anuais. O consumo interno absorve 60% da produção.

O que o setor de chocolate pode fazer para aumentar o consumo?

Investir em linhas de entrada, reduzir preços, ampliar o consumo cotidiano fora de datas sazonais e defender redução de tributos.

O consumo de chocolate no Brasil deve crescer nos próximos anos?

O setor projeta crescimento de 2% a 3% ao ano, condicionado ao aumento da renda real e à estabilidade de preços.

Qual a alíquota de ICMS sobre chocolate no Brasil?

Em média 18% nos estados do Sudeste, classificando o produto como supérfluo. O setor defende redução para 12%.

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