Economia

Brics discutem integração de pagamentos e moedas digitais

ResumoO Brics discute a integração de sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais de bancos centrais, conforme declarou o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra. A proposta, em fase de debate, visa reduzir custos transfronteiriços e pode ser pautada na cúpula de 2026. A iniciativa permanece sem cronograma definido para implementação.

O Brics discute integrar sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais de bancos centrais, afirmou o presidente do BC da Índia, Sanjay Malhotra. A proposta, ainda em fase de debate, promete reduzir custos transfronteiriços e pode entrar na cúpula de 2026.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 11 de agosto de 2026
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Brics discutem integração de sistemas de pagamento e moedas digitais, diz BC da Índia

Os membros do Brics estão discutindo possíveis integrações entre seus sistemas de pagamentos rápidos e as moedas digitais dos bancos centrais, afirmou o presidente do banco central da Índia, Sanjay Malhotra, em evento nesta terça-feira em Mumbai. A proposta, ainda em fase de debate, mira a redução de custos em transações transfronteiriças e pode ganhar força na cúpula de 2026, que será sediada pela Índia. A pergunta que fica é: quem paga a conta hoje e quem ganha com a mudança?

O que está sobre a mesa no Brics

O Brics, bloco que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, entre outros, discute integrar sistemas de pagamentos rápidos e moedas digitais de bancos centrais, as chamadas CBDCs. A declaração de Malhotra foi feita em Mumbai, durante evento nesta terça-feira, e aponta que a área é de interesse comum.

"Os pagamentos transfronteiriços são uma área de interesse para todos nós, incluindo os países do Brics, pois acreditamos que há grande potencial para reduzir custos", disse Malhotra. "Várias opções estão em discussão, mas ainda estão em fase de debate, incluindo as CBDCs e as integrações entre sistemas de pagamentos rápidos", acrescentou.

Por que isso importa para o Brasil

Para o Brasil, a discussão não é distante. O país faz parte do Brics e já tem um sistema de pagamentos rápidos consolidado, o Pix. A possível integração entre sistemas nacionais pode afetar diretamente o custo de transações internacionais, um tema sensível para quem importa, exporta ou envia remessas.

A proposta, porém, ainda está em estágio inicial. Malhotra foi explícito ao dizer que as opções estão "em fase de debate", o que indica que não há cronograma definido nem desenho técnico fechado. O que existe é um movimento concreto de aproximação.

A recomendação para a cúpula de 2026

A Reuters informou no início deste ano que o banco central da Índia recomendou ao governo que uma proposta para conectar as CBDCs fosse incluída na agenda da cúpula do Brics de 2026. A Índia sediará a edição de 2026 da cúpula anual do grupo, o que dá ao país papel central na condução do tema.

A recomendação não é uma decisão. Ela indica, no entanto, que o tema ganhou status de prioridade dentro do banco central indiano. A conexão entre moedas digitais de bancos centrais, se implementada, poderia criar uma rede de pagamentos alternativa aos sistemas tradicionais.

Internacionalização da rupia e moedas locais

O banco central indiano também continuará seus esforços para internacionalizar a rupia e promover o uso de moedas locais para pagamentos e comércio transfronteiriços, disse Malhotra. Esse movimento anda em paralelo à discussão sobre CBDCs e sistemas de pagamentos rápidos.

A internacionalização da rupia é uma agenda de longo prazo. Ela envolve não apenas acordos bilaterais, mas também a construção de infraestrutura que permita liquidação em moeda local. O Brics, nesse contexto, funciona como um laboratório para testar alternativas.

O que ainda falta para sair do papel

A distância entre o debate e a implementação é grande. Malhotra não deu prazos, não citou valores nem nomeou projetos-piloto. A ausência de detalhes técnicos sugere que o tema está em fase de escuta e negociação, não de execução.

Há também questões regulatórias e de governança a resolver. Integrar sistemas de pagamentos entre países com moedas, leis e infraestruturas diferentes exige acordos bilaterais e multilaterais complexos. A redução de custos, apontada como potencial, ainda não foi quantificada.

Impacto para o consumidor final

Se a integração sair do papel, o efeito pode aparecer em remessas internacionais e no comércio exterior. Hoje, transferências entre países do Brics passam por intermediários e moedas de terceiros, o que encarece a operação. A proposta busca encurtar esse caminho.

O consumidor final, porém, deve esperar. A fase de debate não garante mudanças no curto prazo. Para quem acompanha o tema, o sinal relevante é que os bancos centrais do bloco estão dispostos a discutir alternativas ao sistema atual.

O olhar crítico: quem ganha e quem paga

A promessa de redução de custos é atraente, mas a pergunta certa é quem se beneficia primeiro. Em integrações financeiras, os ganhos costumam ser assimétricos. Países com infraestrutura digital mais madura, como a Índia e a China, podem sair na frente. Os demais, incluindo o Brasil, precisam avaliar os termos da adesão.

Não há, na fonte, qualquer indicação de que o Brasil tenha papel ativo na condução da proposta. A recomendação partiu do banco central da Índia, e a Índia sediará a cúpula de 2026. O Brasil, como membro do bloco, será parte da conversa, mas não há detalhes sobre sua posição.

O que observar daqui para frente

O tema deve ganhar contornos mais claros na cúpula de 2026. Até lá, os bancos centrais do Brics devem aprofundar os estudos técnicos e as negociações bilaterais. A recomendação indiana de incluir a conexão de CBDCs na agenda é o primeiro passo concreto.

Para o leitor brasileiro, o acompanhamento passa por entender como o Pix, já consolidado domesticamente, pode se conectar a sistemas de outros países. A discussão no Brics é um sinal de que a integração financeira regional está no radar, mas ainda longe de virar realidade operacional.

Perguntas Frequentes

O que são CBDCs?

CBDCs são moedas digitais emitidas por bancos centrais. Elas funcionam como versão digital da moeda oficial de um país, com lastro e garantia da autoridade monetária.

O Brics já decidiu integrar os sistemas de pagamento?

Não. A discussão está em fase de debate, como afirmou o presidente do BC da Índia, Sanjay Malhotra. Não há cronograma nem decisão formal.

Quando a Índia sediará a cúpula do Brics?

A Índia sediará a edição de 2026 da cúpula anual do grupo. A proposta de conexão de CBDCs foi recomendada para entrar na agenda.

A integração pode reduzir custos?

Malhotra afirmou que há grande potencial para reduzir custos em pagamentos transfronteiriços, mas não apresentou números ou estimativas.

O Brasil participa da discussão?

O Brasil é membro do Brics e, portanto, parte do bloco. A fonte, porém, não detalha a posição brasileira na proposta.

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