Economia

Centrão se afasta da disputa presidencial e deixa Lula e Flávio sem ampliar alianças

ResumoO Centrão se afasta da disputa presidencial de 2026, consolidando uma mudança na reta final das convenções. Lula e Flávio Bolsonaro não ampliam alianças partidárias, com o número de deputados fora das coligações saltando de 69 para 178. A fragmentação reduz o apoio formal aos candidatos no Congresso.

A reta final das convenções consolida uma mudança: o Centrão se afasta da disputa presidencial, deixando Lula e Flávio Bolsonaro sem ampliar alianças. O número de deputados fora das coligações deve saltar de 69 para 178.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 04 de agosto de 2026
De consultoria a plataforma: R$ 500 milhões da Ludfor em ene

Centrão se afasta da disputa presidencial e deixa Lula e Flávio sem ampliar alianças

A reta final das convenções partidárias, que se encerra nesta quarta-feira (5), consolida uma mudança estrutural na eleição presidencial de 2026. Se há quatro anos os candidatos ao Palácio do Planalto disputavam o apoio das principais legendas do Centrão, agora o movimento ocorreu na direção oposta. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegam ao início oficial da campanha sem romper o isolamento de suas alianças originais.

O que muda na prática com o Centrão neutro?

A principal consequência é menos imediata para a campanha eleitoral e mais relevante para a governabilidade. Com partidos de grande bancada optando pela neutralidade, aumenta a chance de o próximo presidente assumir sem base parlamentar consolidada, repetindo e potencialmente ampliando as dificuldades enfrentadas por Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e o próprio Lula 3 na relação com o Congresso.

De 69 para 178 deputados fora das coligações

Em 2022, o cenário era outro. Lula construiu ampla frente ao atrair Geraldo Alckmin para a vice e reunir PT, PSB, PCdoB, PV, Solidariedade, Rede, PSOL, Agir, Avante e Pros. Jair Bolsonaro contou com apoio formal de PL, Republicanos e Progressistas. Resultado: apenas 69 deputados federais pertenciam a partidos fora da disputa presidencial.

Agora, o número deve saltar para 178 parlamentares, reflexo da decisão de MDB, PP, União Brasil e, ao que tudo indica, Republicanos, de não embarcar oficialmente em nenhuma candidatura ao Planalto.

Lula repete base e perde força na negociação

Mesmo ocupando a Presidência e mantendo ampla coalizão ministerial, Lula não converteu a participação do Centrão no governo em apoio eleitoral. Ao oficializar a candidatura neste domingo (2), repetiu praticamente a base anterior. A novidade foi a incorporação do PDT, com Alckmin seguindo como vice pelo PSB.

Nos bastidores, integrantes do governo chegaram a discutir aproximação com o MDB. A hipótese perdeu força desde que Alckmin descartou abrir mão da vice. Sem espaço na chapa, a negociação esfriou. Também não houve movimentos concretos para atrair União Brasil ou Republicanos, partidos com Ministérios na Esplanada, mas que preferiram preservar alianças estaduais.

Flávio tenta romper o isolamento e esbarra no PP e no Republicanos

Nas últimas semanas, o candidato do PL fez duas investidas. A primeira foi o convite formal à senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice. A ex-ministra aceitou discutir, mas a direção nacional do Progressistas reafirmou a neutralidade, inviabilizando a aliança.

A segunda foi a tentativa de atrair a economista Daniella Marques para uma composição com o Republicanos. A iniciativa encontrou resistência na direção nacional da legenda, que também caminha para confirmar neutralidade na convenção. Sem romper o bloqueio, a tendência é Flávio formar chapa "puro-sangue", com vice do próprio PL.

Cautela na centro-direita pesa na decisão

Nos bastidores da centro-direita, dirigentes admitem outro fator: a candidatura de Flávio ainda desperta cautela em parte dos partidos, que avaliam risco de novos episódios capazes de desgastar a campanha. Isso leva lideranças a evitar compromisso formal antes de o cenário se consolidar.

Perguntas Frequentes

Por que o Centrão está neutro em 2026?

Legendas como MDB, PP, União Brasil e Republicanos preferem preservar alianças estaduais e evitar desgaste, segundo a fonte.

Quantos deputados ficam fora das coligações?

O número deve saltar de 69 para 178 parlamentares.

Lula tentou atrair o MDB?

Sim, mas a negociação esfriou porque Alckmin não abriu mão da vice-presidência.

Flávio Bolsonaro convidou alguém para vice?

Sim, Tereza Cristina (PP-MS), mas a direção nacional do PP reafirmou neutralidade.

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