Como o Brasil tenta convencer os EUA a desistirem da tarifa de 37,5%
O Brasil acionou a diplomacia e a OMC para reverter a ameaça dos EUA de elevar tarifas a 37,5%. Em maio de 2026, a alíquota média de importação brasileira é de 11,6% (MDIC), enquanto a americana é de 3,3% (USTR). A pergunta central: quem paga a conta dessa escalada?
O governo brasileiro intensificou a ofensiva diplomática em maio de 2026 para evitar que os EUA imponham uma tarifa de 37,5% sobre produtos nacionais. A ameaça, anunciada pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) sob a justificativa de desequilíbrio tarifário, coloca o Brasil diante de um cenário que pode encarecer exportações de aço, carne de frango e suco de laranja. A pergunta que a diplomacia tenta responder é: quem paga a conta dessa escalada?
O Brasil tenta convencer os EUA a desistirem da tarifa de 37,5% com uma ofensiva diplomática que inclui reuniões bilaterais em Washington, propostas de redução de barreiras recíprocas e a ativação de mecanismos na OMC. A alíquota média brasileira de 11,6% (MDIC) contrasta com os 3,3% americanos (USTR), base da reclamação norte-americana.
A conta do desequilíbrio tarifário
O argumento central dos EUA é que o Brasil mantém uma alíquota média de importação de 11,6% (MDIC, 2026), enquanto os americanos aplicam 3,3% (USTR, 2025). Para Washington, essa diferença de 8,3 pontos percentuais configura barreira comercial desleal. O Brasil rebate que sua estrutura tarifária reflete o estágio de desenvolvimento industrial. "Não é uma disputa de números abstratos, mas de quem perde emprego e renda com a escalada", avalia um técnico do Itamaraty.
O que está em jogo
Os setores mais expostos são:
- Siderurgia: 3,2 bilhões de dólares exportados em 2025 (Aço Brasil)
- Carne de frango: 2,1 bilhões de dólares (ABPA)
- Suco de laranja: 1,8 bilhão de dólares (CitrusBR)
Uma tarifa de 37,5% tornaria esses produtos inviáveis no mercado americano. A conta recairia sobre os produtores rurais e as agroindústrias, que já operam com margens apertadas.
A estratégia em três frentes
A diplomacia brasileira atua em três eixos simultâneos:
- Negociação direta em Washington: O embaixador Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniram em 12 de maio com a USTR para apresentar uma proposta de redução gradual de tarifas em setores específicos.
- Recurso à OMC: O Brasil acionou o mecanismo de consultas da Organização Mundial do Comércio em 15 de maio, alegando que a tarifa viola o princípio de nação mais favorecida.
- Pressão setorial: Associações industriais americanas, como a National Chicken Council, manifestaram preocupação com o impacto nos preços internos dos EUA.
O que o Brasil oferece
A contraproposta brasileira inclui:
- Redução da tarifa de importação de etanol de 18% para 0% em 3 anos
- Abertura de cotas para carne suína americana com tarifa reduzida de 10%
- Compromisso de simplificação de procedimentos alfandegários
Segundo o Itamaraty, as medidas podem reduzir a alíquota média brasileira em até 2 pontos percentuais.
O ceticismo de Washington
Analistas americanos apontam que a oferta brasileira ainda é insuficiente. "O Brasil propõe reduções setoriais, enquanto os EUA querem uma reforma estrutural", disse o economista Gary Hufbauer, do Peterson Institute, em entrevista ao jornal Valor Econômico. O USTR sinalizou que a tarifa de 37,5% pode ser aplicada já em julho de 2026, caso não haja avanço nas negociações.
A conta para o consumidor americano
Se a tarifa for aplicada, o preço do suco de laranja nos EUA pode subir 22% (CitrusBR). O Brasil responde por 75% do suco de laranja importado pelos americanos. A carne de frango brasileira, que custa 30% menos que a americana, perderia essa vantagem competitiva.
O papel do Congresso brasileiro
O governo Lula enviou ao Congresso, em 20 de maio, um projeto de lei que autoriza o Executivo a reduzir tarifas de importação em até 5 pontos percentuais sem necessidade de aprovação legislativa. A medida visa dar agilidade à negociação, mas enfrenta resistência da bancada ruralista, que teme concorrência desleal de produtos americanos.
O cronograma da crise
| Data | Evento | |------|--------| | 12 mai 2026 | Reunião Haddad-USTR em Washington | | 15 mai 2026 | Brasil aciona OMC | | 20 mai 2026 | PL da flexibilização tarifária enviado ao Congresso | | Jul 2026 | Prazo para aplicação da tarifa de 37,5% |
Fonte: Itamaraty e Ministério da Fazenda
O impacto no mercado de trabalho
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a tarifa pode custar 150 mil empregos diretos no Brasil. O setor de carnes, que emprega 500 mil trabalhadores, seria o mais afetado. "Não é só uma crise comercial, é uma crise social", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Perguntas Frequentes
O que é a tarifa de 37,5%?
É uma sobretaxa que os EUA ameaçam aplicar sobre produtos brasileiros, alegando desequilíbrio tarifário. A alíquota média brasileira é de 11,6% (MDIC), contra 3,3% americana (USTR).
Quais produtos brasileiros seriam afetados?
Principalmente aço, carne de frango e suco de laranja, que somam 7,1 bilhões de dólares em exportações anuais.
O que o Brasil já fez para evitar a tarifa?
O governo propôs redução de tarifas para etanol e carne suína, acionou a OMC e enviou ao Congresso um projeto de lei para flexibilizar tarifas.
Quando a tarifa pode ser aplicada?
O USTR deu prazo até julho de 2026 para que o Brasil apresente uma proposta satisfatória.
Quem perde mais com a tarifa?
Os produtores rurais e trabalhadores da indústria de carnes e siderurgia no Brasil. Nos EUA, o consumidor paga mais caro pelo suco de laranja e frango.
A OMC pode reverter a tarifa?
O Brasil acionou o mecanismo de consultas, mas o processo pode levar anos. A decisão final cabe à negociação bilateral.
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