Avó de 82 anos recusa US$ 26 mi contra data center
Ida Huddleston, 82, e a filha Delsia Bare recusaram ofertas que somavam US$ 26 mi para manter a fazenda da família no Kentucky. Elas temem os impactos de um data center vizinho e não acreditam nas promessas de empregos.
Quando a oferta chega na casa dos milhões, a maioria pensaria duas vezes. Ida Huddleston, 82, pensou, e disse não. Ela e a filha recusaram mais de US$ 26 milhões para manter a fazenda da família no Kentucky longe de um data center.
A oferta que não comprou a terra
Ida vive no mesmo pedaço de terra agrícola nos arredores de Maysville desde os 16 anos. Com o falecido marido, construiu uma casa de toras, criou os filhos e trabalhou a terra por seis décadas. Hoje, a família possui cerca de 1.200 acres (485,6 hectares), com múltiplas gerações ainda morando no local.
Na primavera passada, uma empresa não identificada, descrita como uma grande empresa de inteligência artificial, abordou dezenas de proprietários no Condado de Mason, segundo a WKRC Local 12. A oferta para a família Huddleston: cerca de US$ 60 mil por acre para os 71 acres de Ida, mais de US$ 4 milhões. A filha, Delsia Bare, 54, recebeu US$ 48 mil por acre por seus 463 acres, potencialmente acima de US$ 22 milhões. Somadas, as ofertas ultrapassavam US$ 26 milhões, muito acima dos cerca de US$ 6 mil por acre, preço médio das terras agrícolas no condado.
Por que elas disseram não
Bare admite que chegou a assinar um contrato de venda, brevemente. O medo fez parte: preocupações sobre desapropriação e a pressão de desenvolvedores que não se identificavam. Mas o negócio não pareceu certo, e ela e a mãe desistiram, disse ao People.
"Dinheiro nenhum conseguiria mover tudo o que construí aqui", disse Huddleston. "Então é melhor eu ficar e lutar bem aqui onde estou."
As duas se tornaram opositoras ferrenhas. Elas apontam relatos de escassez de água e contaminação de lençóis freáticos perto de data centers em outras partes do país. "Você não consegue tirar comida de um data center", afirmou Huddleston, "e tudo que sai de um data center vai ser veneno e destrutivo."
Bare, que nunca vendeu, diz que o apego à propriedade vai além do dinheiro. "Quanto mais dinheiro você tem, mais problemas você tem", disse ela. "Eu nunca quis sair da minha terra."
O que mudou depois da recusa
A recusa não parou o projeto. A empresa reuniu terras de outros proprietários que aceitaram vender. Um pedido de zoneamento foi protocolado para rezonear quase 28 parcelas agrícolas, mais de 2.000 acres no total, e a comissão de planejamento local aprovou o rezoneamento. O data center, se construído, ficará ao lado da fazenda dos Huddleston, não sobre ela.
Autoridades do condado disseram que o projeto traria centenas de empregos em tempo integral e mais de mil na construção. Huddleston não está convencida. "Não quero seu dinheiro, não preciso do seu dinheiro", disse à LEX 18. "Mas sinto pena de todo mundo ao nosso redor."
Uma briga que vai além do Kentucky
O impasse dos Huddleston é um fio de uma briga maior na América rural. Moradores de um distrito de Michigan votaram contra um data center da OpenAI-Oracle e viram a construção começar semanas depois. A oposição virou questão política suprapartidária no Texas, com fazendeiros reagindo contra a busca da Big Tech por terras e energia baratas.
Para quem acompanha o avanço dos data centers, o caso mostra que o preço da terra não é só questão de números. Às vezes, o caixa fala mais alto, mas aqui, a memória e a identidade falaram mais forte. o impacto de data centers em comunidades rurais como a especulação imobiliária afeta o agronegócio
Perguntas Frequentes
Quanto Ida Huddleston recusou?
Ida recebeu uma oferta de cerca de US$ 60 mil por acre por seus 71 acres, mais de US$ 4 milhões. Somadas às ofertas para a filha, o total ultrapassava US$ 26 milhões.
Por que a família recusou a oferta?
Eles temem escassez de água e contaminação de lençóis freáticos, além de não acreditarem nas promessas de empregos. O apego à terra e à história da família falou mais alto.
O data center foi construído mesmo assim?
A empresa reuniu terras de outros proprietários e o rezoneamento foi aprovado. Se construído, o data center ficará ao lado da fazenda dos Huddleston, não sobre ela.
Quem é a empresa por trás do projeto?
A fonte não identifica a empresa, descrevendo-a apenas como uma grande empresa de inteligência artificial. Não há nome público confirmado.