Economia

CVC (CVCB3): prejuízo ajustado sobe 3x e vai a R$ 51,3 mi no 2T26

ResumoCVC (CVCB3) registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no segundo trimestre de 2026, montante três vezes superior ao do mesmo período de 2025. Custos aéreos e operações na Argentina pressionaram o resultado. A reestruturação em curso já apresenta efeitos iniciais, mas o impacto negativo persiste no balanço trimestral.

A CVC (CVCB3) reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no 2T26, mais de três vezes o registrado um ano antes. Custos aéreos e Argentina pressionaram, mas a reestruturação já mostra efeitos.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 13 de agosto de 2026
CVC (CVCB3): prejuízo ajustado sobe 3x e vai a R$ 51,3 mi no

CVC (CVCB3): prejuízo líquido ajustado sobe mais de 3 vezes e vai a R$ 51,3 mi no 2T26

A CVC (CVCB3) apresentou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), número mais de três vezes superior aos R$ 15,9 milhões de perda ajustada do mesmo período de 2025. O resultado veio em linha com o que o mercado já esperava: pressão de custos aéreos e um cenário macroeconômico adverso na Argentina. Mas por baixo dos números vermelhos, há sinais de que a reestruturação iniciada em maio começa a aparecer.

O que explica o salto no prejuízo da CVC?

O prejuízo contábil somou R$ 72,5 milhões, ante perdas de R$ 46,4 milhões no segundo trimestre de 2025. Segundo a companhia, os números foram pressionados pelo aumento dos custos do transporte aéreo e pela deterioração do cenário macroeconômico na Argentina. As tarifas aéreas subiram 52,4% em 12 meses, segundo o IPCA de junho, um impacto direto no custo das viagens vendidas.

A receita líquida consolidada atingiu R$ 319,5 milhões, queda de 6,5% na comparação anual. O EBITDA ajustado totalizou R$ 84,9 milhões, recuo de 8,1%, com margem de 26,6%, ligeiramente abaixo dos 27% de um ano antes. A queda da receita ocorreu apesar do crescimento das reservas, um efeito da redução do take rate, que caiu de 8,9% para 8,2%.

Reservas crescem, mas receita cai: o efeito take rate

As reservas confirmadas somaram R$ 4,09 bilhões no trimestre, praticamente estáveis na comparação anual, com alta de 0,2%. Em bases comparáveis, desconsiderando efeitos dos conflitos no Oriente Médio e do câmbio na Argentina, o crescimento foi de 4,1%. No Brasil, as reservas avançaram 4,1%, para R$ 3,29 bilhões. O segmento B2B teve crescimento de 5%, enquanto o B2C avançou 2,9%. Em bases comparáveis, as altas foram de 6,3% e 3,4%, respectivamente.

A empresa ressaltou o desempenho da Rextur Advance, que ganhou participação de mercado e ampliou vendas corporativas. Já na Argentina, as reservas confirmadas recuaram 13%, para R$ 804,6 milhões, refletindo a desvalorização do peso argentino e a perda de poder de compra dos consumidores locais. Em moeda constante, houve leve avanço de 0,3%.

As reservas consumidas, que refletem embarques efetivamente realizados, cresceram 2,3%, para R$ 3,92 bilhões, com alta de 7,2% no Brasil. A receita, porém, não acompanhou: no Brasil, o take rate passou de 9,7% para 8,6%, influenciado pela maior participação do segmento B2B no mix de vendas e pelo aumento das vendas de cruzeiros marítimos, que possuem remuneração menor. No B2C, a receita recuou 8,9%, enquanto o B2B avançou 2,5%.

Argentina: o peso do cenário macroeconômico

Na Argentina, a receita líquida caiu 17,6%, para R$ 49,7 milhões, acompanhando a contração observada nas reservas do país. O EBITDA ajustado despencou 82,8%, para R$ 2,3 milhões, pressionado pela menor diluição de custos em meio ao cenário econômico mais fraco. A desvalorização do peso argentino e a perda de poder de compra dos consumidores locais foram os principais vetores, segundo a companhia.

Reestruturação começa a aparecer nos números

As despesas gerais e administrativas do Brasil caíram 10,1% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 133,4 milhões. Excluindo custos de reestruturação, a queda teria sido de cerca de 21%, segundo a companhia. Como resultado, o EBITDA ajustado da operação brasileira cresceu 4,7%, alcançando R$ 82,6 milhões, com margem de 30,6%, avanço de 2,6 pontos percentuais na comparação anual.

Em entrevista ao InfoMoney, o CEO Roberto Valério classificou o período como "mais um trimestre excelente", com destaque para a força da diversificação do portfólio da companhia. A reestruturação organizacional implementada em maio, que incluiu a eliminação de três vice-presidências e revisão de contratos administrativos, deve gerar economia superior a R$ 80 milhões ainda em 2026, com impactos mais relevantes esperados a partir do segundo semestre.

Caixa e dívida: a melhora silenciosa

Apesar do prejuízo, a CVC encerrou o trimestre com melhora na posição financeira. A geração de caixa operacional foi positiva em R$ 60,2 milhões, enquanto o fluxo de caixa livre alcançou R$ 30,3 milhões. O caixa e equivalentes totalizaram R$ 175,8 milhões ao final de junho, aumento de R$ 8,4 milhões em relação ao trimestre anterior.

A dívida líquida caiu para R$ 215 milhões, redução de R$ 181,3 milhões em comparação ao segundo trimestre de 2025 e de R$ 26,8 milhões frente ao primeiro trimestre deste ano. A alavancagem ficou em 0,5 vez EBITDA ajustado dos últimos 12 meses, ante 0,9 vez um ano antes. No balanço patrimonial, a companhia encerrou junho com ativos totais de R$ 3,68 bilhões. O patrimônio líquido somava R$ 322,9 milhões, abaixo dos R$ 478,8 milhões registrados no fim de 2025, refletindo os prejuízos acumulados no período.

O que esperar do segundo semestre?

A administração destacou que os resultados já começam a refletir os efeitos do programa de reestruturação e redução de despesas implementado ao longo do trimestre. A economia projetada de R$ 80 milhões em 2026 deve ter impactos mais relevantes a partir do segundo semestre. A combinação de menor alavancagem, geração de caixa positiva e corte de custos estruturais pode dar à CVC mais fôlego para navegar o cenário de tarifas aéreas elevadas e a fraqueza argentina.

Para quem acompanha a tese, a leitura é dupla: o prejuízo maior assusta, mas a direção da dívida e do caixa conta uma história mais construtiva. A queda do take rate, embora pressione receita no curto prazo, reflete um mix de vendas mais diversificado, com mais B2B e cruzeiros, o que pode se mostrar positivo no longo prazo.

Perguntas Frequentes

A CVC teve prejuízo no segundo trimestre de 2026?

Sim. A CVC registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no 2T26, mais de três vezes o prejuízo de R$ 15,9 milhões do mesmo período de 2025. O prejuízo contábil foi de R$ 72,5 milhões.

O que causou o aumento do prejuízo da CVC?

O aumento dos custos do transporte aéreo, com tarifas subindo 52,4% em 12 meses, e a deterioração do cenário macroeconômico na Argentina foram os principais fatores apontados pela companhia.

A receita da CVC caiu ou subiu no 2T26?

A receita líquida consolidada caiu 6,5%, para R$ 319,5 milhões, na comparação anual. A queda ocorreu apesar do crescimento das reservas, por causa da redução do take rate.

Como está a dívida da CVC?

A dívida líquida caiu para R$ 215 milhões, redução de R$ 181,3 milhões em comparação ao segundo trimestre de 2025. A alavancagem ficou em 0,5 vez EBITDA ajustado dos últimos 12 meses.

A reestruturação da CVC já está dando resultado?

A administração afirma que os resultados já refletem parte dos efeitos. A economia projetada é superior a R$ 80 milhões em 2026, com impactos mais relevantes esperados a partir do segundo semestre.

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