Economia cresce 0,7% em maio puxada por consumo das famílias, diz FGV
A economia brasileira cresceu 0,7% em maio na comparação com abril, retomando trajetória positiva após recuo no mês anterior. O resultado foi puxado pelo consumo das famílias, que avançou 3,3% no trimestre até maio, maior patamar desde o fim de 2024, segundo o Monitor do PIB da F
A economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio de 2026, retomando trajetória positiva após recuo no mês anterior. O resultado foi puxado pelo consumo das famílias, que atingiu o maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, segundo o Monitor do PIB, estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (20).
No trimestre móvel terminado em maio, a alta é de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, a variação positiva acumulada no período de 12 meses fica em 1,7%.
O que explica o crescimento de 0,7% em maio?
O Monitor do PIB, que estima o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) com base em dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária, mostra que o consumo das famílias foi o grande motor do resultado.
O consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre até maio, chegando ao maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, quando avançou 4%. Desse desempenho, mais de 60% vieram do consumo de serviços e de bens duráveis.
A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, destaca que o consumo das famílias foi o grande responsável pelo desempenho positivo da economia.
Fragilidades apontadas pela FGV
Apesar da retomada, a FGV aponta "fragilidades" no resultado. O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano.
Para Juliana Trece, a concentração do crescimento no consumo das famílias mostra dependência desse componente, uma vez que as exportações e os investimentos apresentaram quedas. "Com isso, conclui-se que, embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado", avalia.
Desaceleração no acumulado em 12 meses
Apesar da retomada de crescimento em maio, o indicador de 12 meses (1,7%), que mostra uma visão de retrovisor de mais longo prazo, aponta desaceleração. Em março deste ano, a variação era de 3%. Em maio do ano passado, 3,8%.
Exportações e investimentos em queda
As exportações tiveram crescimento de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025 (2,1%). O Monitor do PIB destaca que as exportações da indústria extrativa mineral registram crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano.
As importações, por outro lado, cresceram 8,9%, terceiro trimestre móvel seguido de alta.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 2% no trimestre móvel. Foi a segunda expansão depois de recuo nos quatro trimestres móveis imediatamente seguidos.
Taxa de investimento e PIB em valores correntes
O estudo estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,6%, a segunda maior do ano, perdendo apenas para fevereiro (19,2%).
Em termos monetários, o PIB acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões.
Comparação com outros indicadores
O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (17), que indicou expansão de 0,1% na passagem de abril para maio e de 1,4% em 12 meses.
O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última divulgação foi no fim de maio, que apontou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026. A próxima divulgação será referente ao segundo trimestre de 2026, no dia 1º de setembro.
Projeções para o ano
O relatório Focus desta semana, sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro, estima que a economia brasileira vai terminar 2026 com alta de 1,99%. A previsão do Ministério da Fazenda é variação de 2,3%.
PIB Brasil 2026: projeções e análises
Perguntas Frequentes
O que significa o crescimento de 0,7% em maio?
Significa que o PIB brasileiro cresceu 0,7% na comparação com abril de 2026, retomando trajetória positiva após recuo no mês anterior. O resultado foi puxado pelo consumo das famílias.
Qual foi o principal motor do crescimento?
O consumo das famílias, que cresceu 3,3% no trimestre até maio, foi o grande responsável, segundo a FGV. Mais de 60% desse avanço veio de serviços e bens duráveis.
O que a FGV aponta como fragilidade?
A economista Juliana Trece destaca a concentração do crescimento no consumo das famílias, com queda nas exportações e investimentos. A agropecuária cresce após retrações, e a indústria mostra perda de fôlego.
Como está o acumulado em 12 meses?
O PIB acumulado em 12 meses até maio é de 1,7%, desacelerando ante 3% em março de 2026 e 3,8% em maio de 2025.
Qual a diferença entre o Monitor do PIB e o IBC-Br?
O Monitor do PIB, da FGV, estima o PIB mensalmente. O IBC-Br, do Banco Central, é outro indicador. Em maio, o IBC-Br mostrou alta de 0,1% ante abril e 1,4% em 12 meses. O resultado oficial do PIB é divulgado pelo IBGE a cada trimestre.