Economia

Escala 6x1 ou maioridade penal: disputa pela agenda pode definir a eleição

ResumoA disputa pela agenda eleitoral entre o fim da escala 6x1 e a redução da maioridade penal pode ser mais decisiva que a troca de votos. Renato Meirelles avalia que a definição dos temas centrais da campanha influencia diretamente o resultado das eleições. A escolha entre pautas trabalhistas e de segurança pública polariza o eleitorado e define prioridades políticas.

A disputa pela agenda eleitoral, entre temas como o fim da escala 6x1 e a redução da maioridade penal, pode ser mais decisiva que a troca de votos, avalia Renato Meirelles.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 07 de agosto de 2026
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Escala 6x1 ou maioridade penal: disputa pela agenda pode definir a eleição

A eleição presidencial pode ser decidida menos pela troca de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) e mais pela capacidade de cada campanha em definir os temas que dominarão o debate público. A avaliação é de Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, que vê uma disputa crescente entre os candidatos ao Palácio do Planalto para estabelecer a agenda da eleição.

Segundo Meirelles, ainda não existe, nessa fase inicial da campanha, nenhum tema dominante na agenda eleitoral. É justamente nessa indefinição que surge espaço para uma disputa entre pautas ligadas à economia e aos direitos trabalhistas.

A grande pergunta: qual será a agenda da eleição?

"A grande pergunta é: qual vai ser a agenda da eleição? Ela ainda não está dada. Vai ser redução da maioridade penal? Vai ser o fim da escala 6×1? Vai ser segurança pública? Vai ser economia? Essa disputa para definir sobre o que a eleição será debatida talvez seja mais importante do que a própria troca de votos entre os candidatos", afirmou Meirelles durante participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Para explicar esse raciocínio, Meirelles destacou duas propostas que, embora estejam em lados opostos do espectro político, contam com amplo apoio popular: o fim da jornada de trabalho 6×1, defendido pelo governo, e a redução da maioridade penal, tradicional bandeira da direita.

"Vou pegar duas propostas que têm potencial de mexer no ponteiro. O fim da jornada 6×1, que provavelmente vai ser a grande bandeira do governo, e a redução da maioridade penal. Dois terços dos brasileiros defendem o fim da jornada 6×1. Dois terços dos brasileiros defendem a redução da maioridade penal", afirmou.

O eleitor que oscila decide a eleição

Na avaliação do pesquisador, os cerca de um terço de eleitores que não se posicionam firmemente em nenhuma dessas agendas representam justamente a parcela capaz de decidir o resultado da eleição.

"Quem é esse um terço que oscila? É o eleitor que vai decidir a eleição. E aí entra a escolha do território onde essa eleição será disputada, o que os marqueteiros chamam de agenda", disse.

Meirelles avalia que a disputa entre as campanhas será menos sobre apresentar novas propostas e mais sobre convencer o eleitor de que determinado tema merece prioridade.

"Essas propostas têm potencial de pautar a agenda eleitoral. O desafio é fazer com que a campanha seja discutida a partir do tema que mais favorece cada candidato", afirmou.

Governo e oposição em campos opostos

Na prática, isso significa que o governo tentará manter o foco em pautas ligadas ao mercado de trabalho, renda e proteção social, enquanto a oposição buscará colocar segurança pública e endurecimento das leis penais no centro da campanha.

Para Meirelles, esse será o principal trabalho dos estrategistas de Lula e Flávio Bolsonaro até o primeiro turno.

"Se eu estivesse no lugar de qualquer um dos dois, do Sidônio ou do Duda Lima, o olhar estratégico seria: como fazer com que a pauta seja o fim da jornada 6×1 e não a redução da maioridade penal? Porque essas são as duas propostas de cada lado com potencial para conquistar o eleitor que, no limite, vai decidir a eleição", afirmou.

Quem paga a conta da agenda?

A escolha da agenda não é apenas uma disputa de marqueteiros. Ela define quais problemas serão tratados como prioridade nacional e, principalmente, quem será chamado a responder por eles. Se o debate girar em torno do fim da escala 6×1, a conversa migra para condições de trabalho, renda e o custo de vida de quem vive de salário. Se a pauta for a redução da maioridade penal, o foco desloca para segurança pública e punição, temas que costumam pressionar por respostas mais duras do Estado.

Cada tema carrega um custo distribuído de forma desigual. A redução da jornada, por exemplo, mexe diretamente na rotina de milhões de trabalhadores, mas também levanta perguntas sobre produtividade e competitividade. Já o endurecimento penal tende a atingir com mais força as periferias, onde a maioria dos jovens em conflito com a lei vive. A pergunta que fica é: quem arca com o preço de cada escolha?

O papel dos indecisos na definição do resultado

Na avaliação do fundador do Instituto Locomotiva, é justamente esse eleitor, menos identificado com um dos polos e mais sensível aos temas que dominarem o debate, que deve definir o resultado da disputa presidencial.

A eleição, portanto, pode ser vencida não por quem apresentar o maior número de propostas, mas por quem conseguir pautar a conversa pública com o tema que mais mobiliza seu eleitorado. E é aí que a escala 6×1 e a maioridade penal entram como símbolos de duas visões de país em disputa.

Perguntas Frequentes

O que é a escala 6x1?

A escala 6x1 é uma jornada de trabalho em que o empregado trabalha seis dias e descansa um. O fim dessa escala é defendido pelo governo e tem apoio de dois terços dos brasileiros, segundo Renato Meirelles.

O que é a redução da maioridade penal?

É a proposta de diminuir a idade mínima para responsabilização penal de jovens. É uma bandeira tradicional da direita e também conta com apoio de dois terços dos brasileiros, conforme o pesquisador.

Por que a disputa pela agenda é tão importante?

Porque o tema que dominar o debate público tende a favorecer um dos lados. O governo quer falar de trabalho e renda, enquanto a oposição quer colocar segurança pública no centro. O eleitor que oscila entre essas pautas pode decidir a eleição.

Quem é o eleitor que decide a eleição?

Segundo Meirelles, é o um terço dos eleitores que não se posiciona firmemente em nenhuma das duas agendas. Esse grupo, mais sensível aos temas dominantes, tende a definir o resultado da disputa presidencial.

Onde posso assistir ao Mapa de Risco?

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e nos principais tocadores de podcast.

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