Escolha do vice raramente muda votos, mas redefine rumo
A escolha do vice quase não altera intenções de voto no Brasil, segundo estudos da XP. Mas o nome pode redefinir alianças e o rumo da campanha, avaliam analistas no Mapa de Risco.
A definição do candidato a vice movimenta os bastidores das campanhas e mobiliza partidos, mas seu impacto direto sobre o eleitor é menor do que se imagina. A avaliação é de analistas políticos que participaram do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Qual o efeito do vice nas intenções de voto? Estudos da XP mostram que, na maior parte das eleições brasileiras, a escolha do vice produz efeito praticamente nulo nas intenções de voto. O eleitor escolhe o presidente e não muda seu voto por causa de quem ocupa a vice-presidência.
Segundo o analista de política da XP, Victor Scalet, a casa fez um estudo sobre o tema. "A gente fez um estudo sobre isso e mostrou que o efeito dos vices, no Brasil, é muito próximo de zero. Em geral, o eleitor escolhe o presidente e não muda seu voto por causa de quem ocupa a vice-presidência", afirmou.
Na avaliação de Scalet, isso explica por que as campanhas tratam a escolha do vice mais como decisão política do que eleitoral. O nome ajuda a construir alianças, ampliar tempo de televisão, acomodar partidos e transmitir sinais ao mercado e aos aliados. Mas dificilmente altera sozinho o resultado da eleição.
Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, concorda que a influência direta sobre o voto é pequena. Ele ressalva, porém, que há exceções. Em alguns casos, o vice pode funcionar como ativo importante para dialogar com segmentos específicos do eleitorado.
"A regra é essa, mas existem exceções. Dependendo do nome escolhido, principalmente quando ele conversa com um público que o cabeça de chapa tem dificuldade de alcançar, esse efeito pode aparecer", afirmou.
Meirelles citou o caso de Michelle Bolsonaro como exemplo de figura que poderia produzir algum impacto. Ela reúne atributos diferentes dos de Flávio Bolsonaro, caso tivesse sido escolhida como vice em sua chapa à disputa presidencial. Além da forte identificação com o eleitorado evangélico, ela apresenta desempenho melhor entre mulheres, segmento em que o senador enfrenta maior resistência.
Mesmo assim, Meirelles pondera que esse eventual ganho não mudaria, por si só, a dinâmica da eleição. "O vice ajuda mais a reforçar uma narrativa do que a transferir votos. Ele pode facilitar o diálogo com determinados grupos, mas não substitui o trabalho da campanha nem resolve os problemas do candidato", disse.
Para os analistas, o debate sobre os vices ganha mais espaço entre partidos, dirigentes e o mercado político do que entre os eleitores. A definição da chapa sinaliza alianças, prioridades e estratégias, mas continua tendo peso reduzido na decisão da maioria dos votantes.
Na prática, concluem os especialistas, o eleitor tende a avaliar primeiro quem ocupará a Presidência. O nome do vice pode reforçar a mensagem da campanha, ampliar a capacidade de diálogo com determinados públicos e fortalecer a coalizão política. Mas dificilmente será o fator decisivo para levar um candidato ao Palácio do Planalto.
O Mapa de Risco vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e nos principais tocadores de podcast.
Perguntas Frequentes
O vice realmente não muda votos?
Segundo estudos da XP, o efeito dos vices nas intenções de voto é muito próximo de zero. O eleitor escolhe o presidente e não muda o voto por causa do vice.
Quando o vice pode ter impacto?
Em exceções, quando o nome conversa com um público que o cabeça de chapa tem dificuldade de alcançar, como mulheres ou evangélicos, o efeito pode aparecer.
Qual o papel do vice na campanha?
O vice ajuda a construir alianças, ampliar tempo de televisão, acomodar partidos e reforçar a narrativa, mas não substitui o trabalho da campanha.
Onde assistir ao Mapa de Risco?
O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, às 6h da manhã, no YouTube e nos tocadores de podcast.