Ormuz: Trump exige indenizações do Irã e acordo se distancia
O presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com novas demandas, exigindo que Teerã pague indenizações por mortes em guerras e protestos. A escalada retórica complica os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz e pressiona os preços do
Esperanças de acordo sobre Ormuz se esvaem enquanto Trump exige indenizações do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu nesta segunda-feira às condições do Irã para um acordo de paz com suas próprias demandas, exigindo que Teerã pague indenizações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos. A escalada retórica deve complicar os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, que segue bloqueado desde o início da guerra, em fevereiro. Os preços do petróleo fecharam com alta de 5% nesta segunda-feira, refletindo o recuo nas perspectivas de um acordo.
O que mudou nas negociações entre EUA e Irã?
A proposta de Trump, que não havia sido levantada anteriormente, foi uma resposta às exigências de Teerã por indenização e pelo fim das sanções. As exigências iranianas estavam, em grande parte, alinhadas aos termos de um acordo preliminar de paz assinado em junho, que desde então fracassou. Agora, Washington endurece o tom, e a distância entre as partes aumenta.
Desde o início da guerra, em fevereiro, Trump tem oscilado repetidamente entre ameaças de escalada e afirmações de que um acordo de paz é iminente. A nova demanda por indenizações, porém, marca uma mudança de postura que surpreendeu analistas e aliados.
As exigências de Trump: indenização por 50 anos de danos
"Vamos exigir indenização pelos danos que eles causaram ao longo de um período de 50 anos", disse Trump na Casa Branca, afirmando que os pagamentos cobririam as mortes tanto de manifestantes civis quanto de militares norte-americanos na região. "Portanto, se houver indenizações a serem pagas, acho que o Irã deve arcar com elas."
Ao se referir à repressão implementada por Teerã às manifestações no final de 2025 e 2026, Trump disse que o Irã matou cerca de 52 mil manifestantes até seis semanas atrás. Embora alguns grupos da oposição iraniana e do exílio tenham alegado dezenas de milhares de mortos, a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, calculou em fevereiro cerca de 7 mil mortes, incluindo 6.500 manifestantes.
Trump também disse que Teerã deveria indenizar as famílias dos 17 marinheiros norte-americanos mortos em um ataque ocorrido em outubro de 2000 no Iêmen contra o navio de guerra USS Cole, cuja autoria foi atribuída à Al-Qaeda, e não ao Irã.
"Além disso, no que diz respeito às negociações com o Irã, o Irã deve ser responsabilizado pelos danos e mortes causados aos povos do Líbano, da Síria, do Iêmen e de Gaza!", escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.
A posição do Irã: acordo com Omã e condições para reabrir o estreito
O Irã havia afirmado anteriormente que estava próximo de um acordo final com Omã para definir novas rotas marítimas entre os dois países através do Estreito de Ormuz, mas reiterou que os EUA devem cumprir determinadas condições, incluindo indenização e o fim das sanções e ameaças militares, antes que a importante via navegável seja reaberta.
Na manhã desta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que as negociações com Omã estavam "progredindo de forma tranquila e construtiva", com um acordo alcançado sobre um mapa de rotas marítimas, embora algumas questões técnicas ainda permanecessem sem solução.
Baghaei disse que as discussões também abrangeram serviços que normalmente envolveriam pagamento, como navegação segura, proteção ambiental, serviços marítimos e combate ao crime. Autoridades norte-americanas têm descartado repetidamente qualquer acordo que permita a Teerã cobrar taxas pelo acesso ao estreito.
O impacto no petróleo e na economia global
O estreito, por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do conflito, está efetivamente bloqueado desde o início da guerra, o que tem impulsionado os preços do petróleo e a inflação. A alta de 5% nesta segunda-feira reflete o temor de que as novas exigências de Trump afastem ainda mais um acordo.
Ironicamente, o acordo com Omã deve garantir a Teerã mais influência sobre a importante via navegável do que a que tinha antes do início da guerra. Enquanto isso, Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas os EUA reimpuseram um bloqueio à navegação iraniana em julho, medida que Teerã avaliou como uma violação da trégua.
O Irã vem retaliando com mísseis e drones contra os aliados de Washington na região, ao mesmo tempo em que ataca navios comerciais que transitam pelo estreito sem sua permissão.
Pressão política sobre Trump antes das eleições de meio de mandato
Trump está sob pressão para encerrar uma guerra profundamente impopular no país antes das eleições de meio de mandato, em novembro, e os altos preços dos combustíveis são uma das principais preocupações nas áreas rurais que o apoiaram no passado.
"O que vocês estão vendo aqui é o início de uma capitulação", disse o deputado democrata Bill Keating à CNN. "Essa é a realidade. A gente está começando a entender isso."
Meses de esforços militares dos EUA, incluindo uma campanha de ataques de duas semanas em julho, não conseguiram quebrar o domínio do Irã sobre o estreito, apesar da afirmação enganosa de Trump, repetida nesta segunda-feira, de que o estreito estava aberto e que "o único que tem controle do Estreito de Ormuz neste momento é a Marinha dos Estados Unidos".
O que esperar das próximas semanas?
As negociações seguem em um impasse perigoso. De um lado, o Irã condiciona a reabertura do estreito a indenizações e ao fim das sanções. Do outro, Trump endurece o discurso e exige que Teerã pague por décadas de conflitos na região. A pressão sobre os preços do petróleo e a inflação global deve continuar enquanto não houver um avanço concreto.
Para quem acompanha os mercados, a recomendação é monitorar de perto os desdobramentos das conversas entre Irã e Omã, além das próximas declarações de Trump. A reabertura do estreito depende de concessões que, por enquanto, parecem distantes. impactos do petróleo na inflação como a guerra afeta os investimentos
Perguntas Frequentes
Por que Trump está exigindo indenizações do Irã?
Trump respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com suas próprias demandas, incluindo indenizações por mortes em guerras, ataques e protestos dos últimos 50 anos. A proposta inédita complica as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz.
O que o Irã exige para reabrir o Estreito de Ormuz?
O Irã condiciona a reabertura ao cumprimento de exigências como indenização, fim das sanções e ameaças militares. As negociações com Omã avançam, mas questões técnicas permanecem sem solução.
Qual o impacto das novas exigências no preço do petróleo?
Os preços do petróleo fecharam com alta de 5% nesta segunda-feira, refletindo o recuo nas perspectivas de um acordo para reabrir o estreito. O bloqueio da via navegável continua pressionando os preços e a inflação global.
O que aconteceu com o cessar-fogo de junho?
Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas os EUA reimpuseram um bloqueio à navegação iraniana em julho, medida que Teerã avaliou como uma violação da trégua. Desde então, o Irã retaliou com ataques a aliados dos EUA e a navios comerciais.