Agro no 2T26: cenário difícil, El Niño e impacto da guerra no radar
O agronegócio entra no 2T26 com ambiente difícil para produtores, mas execução operacional sustenta resultados. Guerra entre Irã e EUA e El Niño estão no radar dos analistas.
O que esperar para o agro no 2T? Cenário difícil e impacto do El Niño estão no radar
O segundo trimestre de 2026 (2T26) começa com um diagnóstico claro para o agronegócio: o ambiente segue difícil para os produtores rurais, mas a execução operacional aparece como o principal fator para sustentar os resultados, segundo analistas. O mercado também acompanha os impactos potenciais do El Niño, que adicionam incerteza ao ciclo.
Cenário macro: guerra, frete e custos no radar
Na visão da equipe de análise da XP Investimentos, o foco dos produtores neste trimestre deve ser entender como as companhias administraram os impactos do conflito entre Irã e EUA, já que o 2T26 foi o primeiro trimestre integralmente afetado pela guerra. A pressão adicional sobre os custos de frete, refletindo o aumento das despesas com combustíveis, também merece atenção.
Por outro lado, os preços futuros das principais commodities agrícolas encontraram suporte ao longo do trimestre, seja por prêmios climáticos, seja como consequência direta do conflito. No caso dos fertilizantes, o adiamento das compras de ureia parece ter sido a estratégia correta: os preços já recuaram de forma relevante desde o início das tensões.
No segmento de agroinsumos, o foco segue na gestão da carteira de crédito diante dos níveis ainda elevados de inadimplência no setor agrícola, além da evolução da carteira de pedidos.
Grãos: Boa Safra, SLC Agrícola e 3tentos sob a lente do Itaú BBA
O Itaú BBA aponta que, no setor de grãos, a Boa Safra (SOJA3) deve mostrar melhora da eficiência operacional e das vendas já contratadas para as próximas safras. Na SLC Agrícola (SLCE3), a expectativa é de mais um trimestre em linha com as projeções, favorecido pela queda dos preços dos fertilizantes nitrogenados e pela estratégia de compra de insumos.
Já a 3tentos (TTEN3) deve apresentar um trimestre mais fraco, pressionado pela queda das margens da operação de esmagamento de soja, devido ao aumento dos custos da matéria-prima e aos preços mais baixos do biodiesel.
3tentos: esmagamento de soja pressiona margens
A 3tentos divulga seus resultados em 13 de agosto, e o principal ponto de atenção deve continuar sendo a operação industrial. Segundo o Itaú BBA, o negócio de esmagamento de soja seguirá pressionado pelo descasamento entre o aumento dos custos da matéria-prima e a queda dos preços do biodiesel. A expansão de capacidade realizada nos últimos trimestres ainda não deve aparecer integralmente nos números, uma vez que a utilização dos ativos permanece abaixo dos níveis considerados normais.
O banco projeta lucro bruto ajustado de R$ 311 milhões para o segmento industrial, com margem bruta próxima de 15%. A operação de etanol de milho também deve contribuir pouco para o resultado consolidado, já que a companhia ainda está em fase inicial de produção e de ramp-up operacional.
Por outro lado, o braço de varejo continua sendo um importante destaque. A expansão da rede de lojas, os ganhos de participação de mercado e um ambiente favorável para fertilizantes devem sustentar crescimento de receita de 22% na comparação anual. A expectativa é de margem bruta próxima de 20%, ainda que abaixo dos patamares excepcionalmente elevados observados no trimestre anterior. O BBA mantém recomendação de compra para TTEN3, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2026.
Boa Safra: foco na recuperação das margens
A Boa Safra (SOJA3) divulgará seus números em 14 de agosto e deve mostrar um trimestre marcado pela contribuição crescente de novas culturas incorporadas ao portfólio. O Itaú BBA avalia que a participação da soja ainda será limitada pela sazonalidade da comercialização, mas destaca um ambiente de preços mais favorável graças a uma relação mais equilibrada entre oferta e demanda no mercado de sementes.
Com isso, a expectativa é de recuperação das margens e avanço do lucro bruto tanto na comparação trimestral quanto semestral. O Ebitda também deve voltar a crescer em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo iniciativas de eficiência implementadas ao longo dos últimos meses. Mesmo com a melhora operacional prevista, o banco mantém recomendação neutra para SOJA3, com preço-alvo de R$ 10.
Açúcar e etanol: hedge e estoques definem o trimestre
No setor de açúcar e etanol, a estratégia de armazenar etanol para venda durante a entressafra ganha importância, segundo o Itaú BBA. A Jalles Machado (JALL3) apresenta resultados em 14 de agosto e deve ser beneficiada principalmente pelos ganhos com operações de hedge. De acordo com o BBA, a companhia tem adotado uma estratégia de postergar parte das vendas para o segundo semestre do ano fiscal de 2027, buscando capturar melhores condições comerciais.
No segmento de açúcar, o trimestre deve ser mais desafiador. A empresa enfrenta uma comparação difícil com o mesmo período do ano anterior e também impactos relacionados ao acesso mais restrito ao mercado norte-americano. A receita dessa operação é estimada em aproximadamente R$ 130 milhões. Já no etanol, a estratégia continua baseada na retenção de volumes para venda durante a entressafra, período historicamente marcado por preços mais elevados. O segmento deve gerar receita bruta próxima de R$ 70 milhões no trimestre. O Itaú BBA mantém recomendação de compra para JALL3 e preço-alvo de R$ 4.
São Martinho: estratégia com estoques reduz resultados no trimestre
A São Martinho (SMTO3) será a primeira do grupo a divulgar resultados, em 10 de agosto. O banco projeta um primeiro trimestre mais fraco para o ano fiscal de 2027, em grande parte por decisão estratégica da companhia de carregar estoques de etanol para comercialização durante a entressafra. Essa estratégia reduz os volumes vendidos no curto prazo, mas busca capturar preços melhores futuramente.
A expectativa é de comercialização de cerca de 270 mil metros cúbicos de etanol, considerando tanto o combustível produzido a partir da cana quanto do milho. No açúcar, os preços mais baixos devem ser compensados parcialmente por maiores volumes de vendas, levando a uma receita estimada em R$ 670 milhões. No consolidado, o BBA projeta receita líquida de R$ 1,5 bilhão, Ebitda de R$ 560 milhões e margem Ebitda de 38%. Para SMTO3, a recomendação segue neutra, com preço-alvo de R$ 21.
SLC Agrícola: trimestre deve ser destaque positivo
Entre as empresas cobertas pelo banco, a SLC Agrícola (SLCE3) aparece como um dos principais destaques da temporada. Os resultados serão divulgados em 12 de agosto, e as projeções apontam para receita líquida de R$ 2,1 bilhões e Ebitda de R$ 650 milhões. Segundo o Itaú BBA, o desempenho deve ser favorecido pela sazonalidade positiva do milho, já que parte dos volumes inicialmente prevista para o primeiro trimestre acabou migrando para o segundo trimestre.
Além disso, a companhia deve se beneficiar de um mix mais favorável de soja, com maior participação das fazendas que registraram produtividade superior. Na avaliação dos analistas, os números devem manter a empresa alinhada às projeções para o ano inteiro. O banco mantém recomendação de compra para SLCE3, com preço-alvo de R$ 19.
Vittia: mercado segue atento ao segundo semestre
A Vittia (VITT3) divulga seus resultados também em 12 de agosto, mas a expectativa é de mais um trimestre pressionado. O Itaú BBA prevê crescimento de receita de apenas um dígito baixo na comparação anual e Ebitda ainda negativo, refletindo tanto a sazonalidade do negócio quanto as condições ainda desafiadoras enfrentadas pelos produtores rurais brasileiros.
Diante desse cenário, o foco do mercado deve continuar concentrado nos potenciais gatilhos para o segundo semestre, período tradicionalmente mais forte para a companhia. Os investidores acompanharão especialmente a capacidade da empresa de capturar uma eventual recuperação da demanda e ampliar sua alavancagem operacional nos próximos meses. Apesar do trimestre fraco esperado, o banco segue com recomendação de compra para VITT3 análise de resultados do agro impacto do El Niño no agronegócio.
Perguntas Frequentes
Quando a 3tentos divulga resultados?
A 3tentos (TTEN3) divulga seus resultados em 13 de agosto, com o principal ponto de atenção na operação industrial de esmagamento de soja.
Qual a projeção do Itaú BBA para a SLC Agrícola no 2T26?
O banco projeta receita líquida de R$ 2,1 bilhões e Ebitda de R$ 650 milhões para a SLC Agrícola, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19.
Como o conflito entre Irã e EUA afeta o agro?
O conflito pressiona os custos de frete e combustíveis, mas também dá suporte aos preços das commodities agrícolas, segundo a XP Investimentos.
O que esperar da Vittia no segundo trimestre?
A Vittia deve ter crescimento de receita de um dígito baixo e Ebitda ainda negativo, com foco do mercado nos gatilhos do segundo semestre.