Economia

Esther Dweck: base nacional de identidade reforça combate a golpes

ResumoEsther Dweck, ministra da Gestão e Inovação, anunciou em evento do setor financeiro que o governo desenvolve uma base nacional de identidade para reforçar o combate a golpes e fraudes. A ferramenta terá potencial uso pelos bancos, ampliando a segurança em transações digitais. A iniciativa visa centralizar dados de identificação, dificultando ações criminosas.

Em evento do setor financeiro, a ministra Esther Dweck afirmou que o governo desenvolve uma base nacional de identidade que poderá reforçar o combate a golpes e fraudes, com potencial uso pelos bancos.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 26 de agosto de 2026
Esther Dweck: base nacional de identidade reforça combate a golpes

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta terça-feira (25), durante a Febraban Tech 2026, que o governo federal desenvolve uma infraestrutura nacional de dados com potencial para reforçar o combate a golpes e fraudes no setor financeiro. A base será alimentada pela nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), por bases biométricas de outros órgãos, pelo gov.br e por outras infraestruturas públicas, com possibilidade de uso também pelo setor privado.

Segundo a ministra, o governo mantém cooperação técnica com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para estudar como os bancos poderão utilizar essa base de identificação. "A identificação tem sido nossa grande discussão com a Febraban", afirmou. "Existe uma cooperação técnica com a federação para estudar a possibilidade de que essa grande base de identificação, que vai evitar fraudes no Brasil, possa ser utilizada pelo setor privado."

O esforço ocorre em um cenário de crescimento das fraudes digitais, sobretudo no setor bancário, que concentra 55% do montante. Dados apresentados no evento indicam que o Brasil registrou 22 milhões de tentativas de fraude em 2024 e 2025, o equivalente a uma ocorrência a cada quatro segundos. Foram contabilizados 2,2 milhões de boletins de ocorrência por estelionato em 2024, enquanto 16 milhões de brasileiros afirmaram ter perdido dinheiro em golpes.

Um dos pilares do governo no combate às fraudes é a consolidação da Carteira de Identidade Nacional, que substitui o modelo em que um cidadão poderia ter diferentes registros estaduais de RG. A nova carteira já soma 62 milhões de emissões, o que representa 30% da população. "Hoje o número único é o CPF, e temos integração entre os estados, coordenada pelo governo federal, garantindo que uma mesma pessoa não possa ter identidades diferentes", afirmou Esther.

O gov.br reúne 178 milhões de contas, sendo 100 milhões na categoria ouro, a mais segura, e acumula 4 bilhões de acessos até agosto deste ano. A integração das principais bases biométricas do país também é prioridade da pasta, para impedir duplicidades e aumentar a confiabilidade dos sistemas. Essa infraestrutura deverá reunir informações da Polícia Federal, com 48 milhões de registros biométricos, da Senatran, com 85 milhões, e da Identificação Civil Nacional do TSE, que reúne 140 milhões de registros.

A pergunta que fica é quem paga a conta das fraudes hoje: o cidadão que perde dinheiro em golpes ou o banco que arca com o prejuízo. A proposta de unificar a identificação mira justamente reduzir essa conta, distribuindo o custo de forma mais justa.

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