Economia

Febre do Nilo: casos em SP e SC podem causar epidemia?

ResumoFebre do Nilo Ocidental no Brasil registra ao menos quatro casos confirmados, incluindo um óbito, em São Paulo e Santa Catarina. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) classifica o risco de epidemia como baixo, devido à baixa transmissibilidade local. Sintomas incluem febre, dor de cabeça e fraqueza; prevenção exige repelentes e eliminação de criadouros de mosquitos.

O Brasil tem ao menos quatro casos confirmados, com uma morte, da Febre do Nilo Ocidental. Infectologista da SBI afirma que risco de epidemia é baixo. Entenda os sintomas e como se proteger.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 26 de agosto de 2026
Febre do Nilo: casos em SP e SC podem causar epidemia?

O Brasil tem ao menos quatro casos confirmados, com uma morte, da Febre do Nilo Ocidental, infecção viral transmitida pela picada de mosquitos do gênero Culex, os pernilongos. São Paulo confirmou os dois primeiros casos da história em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Em Santa Catarina, os registros estão em Caçador e Imbituba, este segundo evoluiu para óbito. Os dois estados afirmaram que reforçam a vigilância epidemiológica.

Apesar da preocupação, o médico infectologista Victor Bertollo Gomes, membro do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma que não há motivo para alarme. "O risco de ter transmissão (a ponto de causar) grandes epidemias é muito baixo", diz. Isso porque não há transmissão sustentada entre humanos. Os hospedeiros naturais são aves silvestres, que amplificam o vírus e infectam os mosquitos. Humanos e equinos são hospedeiros acidentais e terminais, já que a contaminação dura pouco e em níveis insuficientes para infectar mosquitos.

Gomes explica que surtos históricos foram pontuais, ligados a exposição em zonas silvestres. "Hoje o risco é maior pra quem tem, de fato, exposição às zonas silvestres, com presença de aves silvestres. Mas mesmo nestes casos, é um risco baixo", avalia. Ele lembra que dengue, zika e chikungunya representam risco muito maior, e a tendência é piorar no próximo ano com o super El Niño. Sobre os casos simultâneos, o médico levanta duas hipóteses: transmissão mais amplificada entre aves ou aumento na detecção, já que "as pessoas estejam testando mais".

A maioria dos infectados não apresenta sintomas ou tem quadro leve, parecido com dengue. A forma grave ocorre em cerca de 1 a cada 150 pessoas, com meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. O diagnóstico usa detecção de anticorpos IgM no soro a partir do 5º dia de sintomas. Não há tratamento antiviral específico; o cuidado é sintomático, com repouso e hidratação, e casos graves exigem UTI. Não há vacina contra a Febre do Nilo no Brasil. A prevenção inclui repelente, roupas compridas, telas em janelas e evitar água parada. Gomes reforça manter a vacina da febre amarela em dia, pois a zona de risco pode se sobrepor à da Febre do Nilo. prevenção de arboviroses

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