Economia

Greve da CPTM: corrida por app 4x mais cara e trens lotados

ResumoA greve da CPTM, em seu segundo dia, elevou corridas por aplicativo em até quatro vezes o valor normal e lotou trens e ônibus nas linhas 11, 12 e 13. A paralisação dos ferroviários impacta diretamente o deslocamento diário dos passageiros da região metropolitana de São Paulo. O governo estadual mobiliza planos de contingência para reduzir os efeitos da suspensão parcial do serviço.

A greve dos ferroviários da CPTM chega ao segundo dia com corridas por aplicativo até quatro vezes mais caras e trens e ônibus lotados. Veja como a paralisação afeta o dia a dia dos passageiros das linhas 11, 12 e 13 e o que o governo de São Paulo está fazendo.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 05 de agosto de 2026
CEO da Ford prevê 'invasão' de montadoras chinesas nos EUA

Greve da CPTM: corrida por app até 4 vezes mais cara e lotação nos trens e ônibus

A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) chegou ao segundo dia nesta quarta-feira, 5, e o impacto no bolso e na rotina dos passageiros ficou ainda mais visível. Corridas por aplicativo que custavam R$ 20 passaram a R$ 85, e trens e ônibus operam lotados. Quem depende das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade enfrenta atrasos, trajetos alternativos e gastos extras para chegar ao trabalho.

A paralisação foi mantida após assembleia realizada na noite de terça-feira, 4, quando a categoria decidiu dar continuidade ao movimento. A greve não tem previsão de término, e novas negociações entre o sindicato e o governo podem ocorrer ao longo desta quarta-feira.

Corridas por app até 4 vezes mais caras

A supervisora de Logística Leticia Marques, moradora de Itaim Paulista, zona leste da capital, viu o preço da corrida por aplicativo de casa para o trabalho subir de R$ 30 para R$ 80. Já a auxiliar de informática Jéssica Garcia, de Suzano, na Grande São Paulo, relatou que a viagem, que geralmente custa R$ 20, estava R$ 85. "O Paese está muito cheio e com um intervalo de passagem muito grande, mas a viagem por aplicativo, que, geralmente é R$ 20, estava R$ 85, então não sobra alternativa", contou.

O autônomo Elierson Marques normalmente leva 45 minutos da Estação Suzano ao Brás, onde trabalha de madrugada. Na noite de segunda-feira, o trajeto levou 2h30 de Paese. O analista contábil Gustavo Soares desistiu de ir presencialmente ao trabalho na metade do caminho: "Já demoro duas horas e meia normalmente. Com a greve, não tem nem previsão de chegada."

Impacto nas linhas 11, 12 e 13

A Linha 11-Coral opera parcialmente entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Já a Linha 12-Safira circula entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. A Linha 13-Jade, por sua vez, opera com intervalos maiores. A Linha 10-Turquesa, que não é atingida pela paralisação, mantém o funcionamento normal.

Jéssica, que utiliza a Linha 11-Coral, precisou mudar o trajeto: "Tive de mudar o meu trajeto totalmente. Peguei ônibus cheio até Itaquera e agora vou pegar a 11-Coral e nem sei que horas vou chegar no trabalho", disse antes de se espremer para entrar em um vagão já lotado.

Plano de contingência com ônibus do Paese

Para minimizar os impactos, o Estado mantém um plano de contingência com 195 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), integração entre modais e monitoramento da operação. Na terça-feira, foram 128 ônibus. A Linha 11-Coral conta com 95 ônibus entre Guaianases e Estudantes, a Linha 12-Safira tem 90 ônibus entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart, e a Linha 13-Jade dispõe de 10 ônibus entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart. O Expresso Aeroporto não está operando.

No Metrô, a linha 3-Vermelha mantém operação especial, com composições adicionais em circulação, para minimizar os impactos da greve. As demais linhas operam normalmente.

Rodízio suspenso e medidas do governo

A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta quarta. Carros com placas final 5 ou 6, que não poderiam circular no centro expandido entre 7h e 10h e entre 17h e 20h, agora podem circular em toda a cidade em quaisquer horários.

Em nota, o governo de São Paulo manifestou "absoluto repúdio à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais". A gestão estadual também afirmou que tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis. O governo paulista classifica a greve como "injustificável" e afirma que já assegurou a manutenção dos empregos durante o processo de realocação dos funcionários.

O que os ferroviários reivindicam

Os ferroviários protestam contra a concessão das linhas 11, 12 e 13 à concessionária Trivia Trens e cobram garantias de que não haverá demissões durante a transição dos funcionários da CPTM. O sindicato também reivindica a reestatização da operação, alegando falta de segurança jurídica para os trabalhadores e problemas registrados desde a transferência do serviço para a iniciativa privada.

Desde o último dia 24, as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias. A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a Trivia Trens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca.

Para quem depende do transporte sobre trilhos, a recomendação é buscar alternativas antes de sair de casa, como o Paese ou o Metrô, e se preparar para atrasos. O caixa da família sente o impacto direto quando o preço do deslocamento sobe de forma tão brusca. como economizar no transporte público direitos do passageiro em caso de greve

Perguntas Frequentes

A greve da CPTM tem previsão de término?

Não. A paralisação, que começou na terça-feira, 4, não tem previsão de término. Novas negociações entre o sindicato e o governo podem ocorrer ao longo desta quarta-feira.

Quais linhas da CPTM estão afetadas pela greve?

As linhas 11-Coral e 12-Safira operam parcialmente, enquanto a linha 13-Jade circula com maiores intervalos. A Linha 10-Turquesa, que não é atingida pela paralisação, mantém o funcionamento normal. As linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, que são concedidas, também operam normalmente.

O rodízio está suspenso por causa da greve?

Sim. A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta quarta-feira, 5. Carros com placas final 5 ou 6 podem circular em toda a cidade em quaisquer horários.

O que é o Paese?

O Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) é o sistema de ônibus que substitui emergencialmente o transporte sob trilhos durante paralisações. Nesta quarta, são 195 ônibus em operação, com 95 na Linha 11, 90 na Linha 12 e 10 na Linha 13.

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