IA não substitui o médico, diz CEO do Fleury; entenda
A CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, afirma que a inteligência artificial não substitui o médico, mas atua de forma preditiva. Entenda como a IA já é usada em exames e agendamentos.
IA não substitui o médico, diz CEO do Fleury, mas pode atuar de forma preditiva
A inteligência artificial não substitui o médico, mas pode atuar de forma preditiva, avalia a médica e CEO do Grupo Fleury (FLRY3), Jeane Tsutsui. Em participação no podcast Expert Talks: Na Mesa com CEOs, produzido pela XP, a executiva explicou como a tecnologia amplia a capacidade de atendimento sem elevar as despesas estruturais. A saúde envolve uma complexidade e uma visão integral que a máquina não possui, ressalta a CEO.
IA preditiva: o que é e como funciona na prática
Diferente da IA generativa, que cria conteúdo, a IA preditiva usa machine learning e outras técnicas para analisar dados e antecipar cenários. No Grupo Fleury, essa tecnologia já está incorporada há mais de uma década, especialmente em áreas especializadas como genômica. "Já usamos IA há mais de 10 anos em exames de genômica - não a generativa, mas a preditiva, machine learning e outras técnicas -, então isso já está incorporado."
Ganhos em produtividade com IA em exames de alta complexidade
A modernização de aparelhos médicos e o uso de sistemas inteligentes reduzem os tempos de coleta e ampliam a capacidade produtiva. Em exames de alta complexidade, as ferramentas otimizam equipamentos de grande porte em todo o país. "No processo de transformação digital da empresa, usamos a IA em equipamentos de ressonância magnética, dobrando a produtividade do equipamento ao reduzir o tempo de captura dos exames", destaca a CEO.
Atendimento domiciliar e automação de centrais
No segmento de atendimento domiciliar, a otimização de rotas e escalas gerou ganhos diretos. "No atendimento móvel, que corresponde a 8% da receita total do grupo, usamos IA para roteirização, ganhando 14% na disponibilidade de agendas e 32% na disponibilidade de coletadores, além de aumentar a satisfação do cliente pela pontualidade."
A automação das centrais de atendimento também simplifica a leitura de solicitações médicas e o agendamento. "No agendamento digital, a IA lê o pedido médico, faz a correlação do tempo de jejum e da sequência dos exames, e oferece a melhor opção de unidade e horário", pontua Tsutsui.
LGPD e análise preditiva em oncologia
O uso do histórico médico exige rigor no cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O cruzamento de registros clínicos permite criar análises preditivas que auxiliam o corpo médico. "Temos exames que vão da saúde populacional ao diagnóstico, utilizando dados para análise preditiva em oncologia. Por exemplo, informamos ao médico o risco de recorrência de um determinado câncer, permitindo optar pelo tratamento mais adequado e gerando grande economia ao evitar quimioterapia desnecessária em casos de baixo risco em câncer de mama."
Investimentos em tecnologia e ganhos de escala
O equilíbrio entre investimentos e retornos operacionais orienta o aporte contínuo em infraestrutura. "Investimos de 5,5% a 6,5% ao ano em Capex (Investimentos em Bens de Capital), sendo grande parte em tecnologia para obter ganhos de eficiência sem perder qualidade", afirma a executiva. Atualmente, a companhia processa cerca de 368 milhões de exames por ano, volume que contribui para o ganho de market share.
Perguntas Frequentes
A IA vai substituir os médicos?
Não, segundo a CEO do Grupo Fleury. A IA atua de forma preditiva, auxiliando o corpo médico na tomada de decisões, mas não substitui a visão integral que o profissional possui.
O que é IA preditiva na medicina?
É o uso de algoritmos e machine learning para analisar dados clínicos e antecipar riscos, como a recorrência de câncer, permitindo tratamentos mais adequados e econômicos.
Como a IA melhora o atendimento ao paciente?
Ela otimiza agendamentos, reduz tempos de coleta, aumenta a produtividade de equipamentos e melhora a pontualidade em atendimentos domiciliares, como mostra o caso do Fleury.
Quais os ganhos da IA no Fleury?
A empresa dobrou a produtividade de equipamentos de ressonância, ganhou 14% em agendas e 32% em coletadores no atendimento móvel, além de processar 368 milhões de exames por ano.