Economia

Irã avalia permitir Europa remover minas em Ormuz

ResumoIrã avalia autorizar nações europeias a remover minas no Estreito de Ormuz. A medida sinaliza possível recuo estratégico para destravar acordo de normalização da navegação e facilitar negociações de paz com os Estados Unidos. A ação europeia depende de aprovação formal iraniana e pode reduzir tensões regionais no golfo.

O Irã considera permitir que nações europeias removam minas no Estreito de Ormuz, sinal de possível recuo que pode destravar acordo para normalizar a navegação e facilitar negociações de paz com os EUA.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 04 de agosto de 2026
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Irã avalia permitir desminagem europeia no Estreito de Ormuz

O Irã está considerando permitir que nações europeias removam minas do Estreito de Ormuz, um possível recuo que pode integrar um acordo para normalizar a navegação na via e facilitar as negociações de paz com os EUA. A informação foi confirmada por diplomatas familiarizados com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.

Publicamente, Teerã tem repetido que não permitirá que países estrangeiros participem dos esforços de desminagem no ponto crítico de trânsito de petróleo e gás natural liquefeito. Mas, em reuniões privadas nas últimas semanas, a posição foi suavizada. A medida daria aos setores de navegação e seguros a garantia de terceiros de que o estreito está seguro após mais de cinco meses de conflito militar, e pode impulsionar esforços diplomáticos mais amplos.

O que a mudança de posição do Irã significa

A abertura iraniana ocorre em um momento de pressão diplomática. Tanto o Catar quanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disseram que algum tipo de acordo, provavelmente relacionado ao Estreito de Ormuz, é iminente. A via se tornou o ponto de partida efetivo para novas negociações, com uma disputa sobre sua gestão paralisada há meses.

Segundo as pessoas ouvidas, qualquer missão europeia de desminagem dependeria de o Irã fornecer garantias de segurança para os navios envolvidos e de um cessar-fogo sustentável. Não há garantia de que o plano será concretizado. Também exigiria o consentimento da Guarda Revolucionária Islâmica, o ramo militar que liderou ataques à navegação pelo estreito.

Divergências internas no Irã

Ainda há divergências entre os líderes iranianos. Alguns membros da Guarda Revolucionária insistem que a República Islâmica, e não outros países, deve ser responsável pela desativação das minas marítimas. A questão da governança do estreito no pós-guerra também continua sendo ponto de discórdia. O Irã exige controle sobre a via e a cobrança de taxas por seu uso, algo a que os EUA se opõem firmemente.

O presidente Donald Trump disse que o Irã tem uma "última chance" de chegar a um acordo, ameaçando retomar ataques aéreos. Um acordo provavelmente depende do resultado das negociações entre Irã e Omã, que controla a costa sul do estreito.

Papel de mediadores e europeus

Um possível acordo para retomar as negociações entre Washington e Teerã foi redigido e circulado entre as partes, anunciou o Catar, mediador. Bessent disse que um acordo sobre Ormuz pode sair "entre hoje e amanhã". As negociações entre Irã e Omã têm se concentrado no estabelecimento de um novo canal central através do estreito, mas a rota é considerada minada, o que significa que seu sucesso dependeria de trabalhos posteriores de limpeza.

Os EUA também estão pressionando aliados a confirmar que o estreito é seguro para uso, a fim de retomar o fluxo de suprimentos de energia. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, vem pressionando o Reino Unido e a França para sediar uma conferência internacional sobre a navegação em Ormuz, mas isso não deve acontecer até que outro cessar-fogo esteja em vigor e possa provar sustentabilidade. Os europeus rejeitaram o pedido por preocupação de que pudessem ser vistos como apoiadores de ações ofensivas dos EUA.

O apoio dos EUA à missão de desminagem representa uma mudança, já que Trump havia menosprezado o apoio europeu anteriormente. Teerã já havia rejeitado iniciativas lideradas pela Europa. "A desminagem é realizada exclusivamente pelo Irã e por nenhum outro país", escreveu o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, no X em junho, em resposta ao presidente francês Emmanuel Macron.

A pergunta que fica é quem pagará a conta da segurança na via mais estratégica do mundo. A resposta, por ora, segue em aberto, dependendo de garantias que ainda não foram dadas.

Perguntas Frequentes

O Irã vai permitir que a Europa remova minas em Ormuz?

O Irã avalia permitir, segundo diplomatas. A decisão final depende de garantias de segurança, cessar-fogo sustentável e consentimento da Guarda Revolucionária.

Por que o Estreito de Ormuz é importante?

É um ponto crítico de trânsito de petróleo e gás natural liquefeito. A segurança da via afeta navegação, seguros e suprimentos globais de energia.

Qual o papel do Catar nas negociações?

O Catar atua como mediador e anunciou que um possível acordo foi redigido e circulado entre as partes.

O que a Guarda Revolucionária defende?

Alguns membros insistem que a desminagem seja feita exclusivamente pelo Irã, sem participação estrangeira.

Como os EUA veem a desminagem europeia?

O apoio dos EUA representa uma mudança, já que Trump havia menosprezado o apoio europeu anteriormente. O país pressiona aliados a confirmar que o estreito é seguro.

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