Economia

MRV&CO tem prejuízo de R$ 626,3 mi no 2T, perda 22,7% menor

ResumoA MRV&CO registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre de 2026, com perda 22,7% menor que a do mesmo período de 2025. A baixa contábil da Resia pressionou o resultado. A redução da perda reflete melhora operacional, mas o impacto contábil permanece relevante no balanço da construtora.

A MRV&CO registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre de 2026, uma perda 22,7% menor que a do mesmo período de 2025. O resultado foi pressionado pela baixa contábil da Resia.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 13 de agosto de 2026
MRV&CO tem prejuízo de R$ 626,3 mi no 2T, perda 22,7% menor

MRV&CO: prejuízo de R$ 626,3 mi no 2T26, mas perda encolhe 22,7%

A MRV&CO (MRVE3) divulgou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre de 2026. A perda foi 22,7% menor que a registrada no mesmo período de 2025. O resultado veio pressionado pela baixa contábil da Resia, mas o grupo também mostrou avanços em receita e margem.

O que você vai ver neste artigo:

  • Por que o prejuízo foi menor, mesmo com impairment
  • Como a MRV, divisão principal, está performando
  • O que esperar da dívida e da venda de ativos nos EUA

Por que a MRV&CO teve prejuízo no 2T26?

O principal vilão do balanço foi a baixa contábil (impairment) de US$ 110 milhões da Resia, divisão nos Estados Unidos que está sendo encerrada. A perda veio da venda de empreendimentos e terrenos abaixo do valor patrimonial, em meio à piora do mercado imobiliário americano.

Esta foi a segunda baixa contábil reportada pelo grupo. Há um ano, a MRV&CO já havia comunicado um impairment de US$ 144 milhões, no início do processo de venda dos ativos nos EUA.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Ricardo Paixão, explicou: "Vendemos em condições de mercado piores do que o imaginado. Não conseguimos recuperar valores com juros e despesas de projetos. Mas o racional aqui é sermos bastante pragmáticos, optando por vender abaixo do valor patrimonial para desalavancar mais rápido."

Além do impairment, pesaram as despesas financeiras maiores, que incluem custos da dívida, cessão de recebíveis e contrato derivativo de ações (equity swap).

O que melhorou no balanço: receita e margem

A receita líquida consolidada somou R$ 2,99 bilhões no trimestre, alta de 10,7% na comparação anual. O avanço foi puxado pela MRV, com aumento das vendas de imóveis, melhora da margem e evolução das obras.

As despesas operacionais consolidadas caíram 18,9%, para R$ 1,1 bilhão. Dentro dessa linha, as despesas comerciais subiram 10,4%, para R$ 273,1 milhões, acompanhando mais lançamentos e vendas. Já as despesas gerais e administrativas cresceram 1,2%, para R$ 158,8 milhões.

O resultado financeiro, porém, gerou despesa líquida de R$ 393,2 milhões, alta de 60% na comparação anual.

No critério ajustado, que exclui efeitos financeiros e não recorrentes, a MRV&CO teve lucro líquido de R$ 73,8 milhões.

MRV: lucro de R$ 155 mi e margem em expansão

A divisão principal, MRV, registrou lucro líquido ajustado de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% ante o mesmo período de 2025. A geração de caixa foi de R$ 148,7 milhões.

A margem bruta da MRV ficou em 31,2%, expansão de 1,0 ponto porcentual, ajudada pelo aumento da receita e pela diluição de custos. A companhia tem elevado o preço dos imóveis em ritmo igual ou superior à inflação. No trimestre, o preço médio dos apartamentos vendidos foi de R$ 271 mil; os lançamentos chegaram a R$ 277 mil.

A margem esperada com os resultados futuros (margem REF) bateu em 44%. Paixão estimou que, conforme os empreendimentos mais novos contribuam com a receita dos próximos balanços, a margem bruta e a REF vão convergir.

Resia: prejuízo menor, mas ainda pesa no caixa

A Resia teve prejuízo de US$ 117,4 milhões, perda 16,8% menor na comparação anual, impactada pelo impairment. Ainda restam cerca de US$ 360 milhões em ativos a serem vendidos, incluindo um empreendimento próprio, participações e a fábrica de pré-moldados.

As outras duas empresas do grupo tiveram resultados mistos. A Luggo registrou prejuízo de R$ 9,9 milhões, enquanto a Urba teve lucro de R$ 800 mil no período.

Dívida líquida: o que esperar com a venda da Resia

A dívida líquida consolidada chegou ao fim do trimestre em R$ 5,9 bilhões. Com a venda dos ativos da Resia, a companhia projeta redução para R$ 4,6 bilhões.

"Continuamos na linha forte de venda de ativos para reduzir o impacto no balanço, até chegar num ponto em que a operação Resia será descontinuada", afirmou Paixão.

A geração de caixa ajustada e consolidada foi de R$ 70 milhões no segundo trimestre.

O que isso significa para o pequeno e médio empresário

Para quem acompanha o setor imobiliário, o caso MRV&CO mostra um padrão comum: a diferença entre resultado contábil e resultado ajustado. O prejuízo de R$ 626,3 milhões inclui efeitos não recorrentes, como o impairment. No critério ajustado, o grupo teve lucro de R$ 73,8 milhões.

Na prática, o dono de uma PME deve olhar além do número final. A venda de ativos abaixo do valor patrimonial, como fez a MRV&CO, pode gerar caixa rápido, mas reduz o patrimônio. A decisão de "desalavancar mais rápido" precisa ser avaliada caso a caso.

A lição: prejuízo contábil nem sempre significa caixa negativo. E a margem bruta, que a MRV vem ampliando, é o número que sustenta a operação no longo prazo.

Perguntas Frequentes

A MRV&CO teve prejuízo no segundo trimestre de 2026?

Sim. A MRV&CO registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões no 2T26, uma perda 22,7% menor que a do mesmo período de 2025.

O que causou o prejuízo da MRV&CO?

O principal fator foi a baixa contábil (impairment) de US$ 110 milhões da Resia, divisão nos EUA que está sendo fechada, além de maiores despesas financeiras.

A MRV&CO teve lucro em algum critério?

Sim. No critério ajustado, que exclui efeitos financeiros e não recorrentes, o lucro líquido consolidado foi de R$ 73,8 milhões no trimestre.

Qual a dívida líquida da MRV&CO?

A dívida líquida consolidada era de R$ 5,9 bilhões no fim do 2T26. Com a venda dos ativos da Resia, deve cair para R$ 4,6 bilhões.

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