Economia

Nagasaki lembra 81 anos da bomba atômica em meio a debate nuclear

ResumoNagasaki realizou neste domingo a cerimônia dos 81 anos do bombardeio atômico dos EUA, com o prefeito Shiro Suzuki classificando armas nucleares como "mal absoluto" e criticando a dissuasão nuclear. A revisão da política de defesa da premiê Sanae Takaichi ocorre em meio ao debate sobre o tema.

Nagasaki lembrou neste domingo o 81º aniversário do bombardeio atômico dos EUA. O prefeito Shiro Suzuki chamou as armas nucleares de 'mal absoluto' e criticou o apoio à dissuasão, em meio à revisão da política de defesa da premiê Sanae Takaichi.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 10 de agosto de 2026
Eclipse solar total transforma dia em noite na Espanha e Isl

Nagasaki lembra 81 anos da bomba atômica em meio a debate sobre armas nucleares

Nagasaki, no sudoeste do Japão, lembrou neste domingo o 81º aniversário do bombardeio atômico dos Estados Unidos contra a cidade. O prefeito Shiro Suzuki classificou as armas nucleares como "um mal absoluto" e criticou o crescente apoio à dissuasão nuclear, enquanto o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi revisa sua política de defesa.

O que mudou no debate nuclear japonês?

O aniversário coincidiu com a revisão da política de defesa do governo de Sanae Takaichi, que busca fortalecer a capacidade ofensiva das Forças de Autodefesa. Na imprensa japonesa, há especulações sobre se a premiê, defensora da dissuasão nuclear, poderia abrir espaço para a presença de armas nucleares no país, o que contrariaria o terceiro princípio não nuclear.

Shiro Suzuki afirmou que, embora alguns países argumentem que a posse de armas nucleares ajuda a dissuadir agressores, os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki mostraram que os seres humanos podem ultrapassar esse limite.

A posição do prefeito de Nagasaki

"A teoria da dissuasão nuclear é extremamente perigosa e frágil. As armas nucleares não são um 'mal necessário', mas um 'mal absoluto', e jamais poderão coexistir com a humanidade", disse o prefeito. Ele também pediu aos líderes dos estados nucleares que encarem a realidade: quanto mais se apoiam na dissuasão, maior o risco de guerra nuclear.

Suzuki cobrou do governo japonês a defesa da Constituição pacifista, a participação na conferência de revisão do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN) ainda este ano e o cumprimento dos três princípios não nucleares.

A resposta da primeira-ministra

Sanae Takaichi, presente à cerimônia, apoia os dois primeiros princípios: não possuir e não desenvolver armas nucleares. Ela reiterou a política de adotar uma "abordagem realista e pragmática" para buscar um mundo sem armas nucleares, mas não reafirmou explicitamente os três princípios. No discurso, não mencionou o TPAN, que Tóquio se recusa a assinar por estar sob o guarda-chuva nuclear dos EUA.

Mais tarde, a premiê disse a jornalistas que o Japão trabalhará dentro dos limites do Tratado de Não Proliferação Nuclear e que seu governo decidirá sobre o tratado com base no que for mais eficaz para a segurança nacional e o desarmamento.

O peso da memória dos hibakusha

Os sobreviventes, ou hibakusha, expressaram frustração e criticaram o apoio do governo à dissuasão nuclear, considerando-o insincero. O número de sobreviventes caiu para 91.105, cerca de um quarto do número inicial, com idade média acima dos 86 anos. Eles temem o desvanecimento da memória, já que os mais jovens eram muito novos para lembrar do ataque história e memória no Japão pós-guerra.

A cerimônia no Parque da Paz

Representantes de mais de 90 países participaram da cerimônia neste domingo e observaram um minuto de silêncio às 11h02, horário em que um bombardeiro B-29 lançou a bomba de plutônio conhecida como "Fat Man". Os EUA lançaram a bomba sobre Nagasaki em 9 de agosto de 1945, matando cerca de 70 mil pessoas até o fim daquele ano, três dias após Hiroshima, que deixou cerca de 140 mil mortos. O Japão anunciou a rendição em 15 de agosto de 1945.

Perguntas Frequentes

O que são os três princípios não nucleares do Japão?

São a base da política nuclear japonesa do pós-guerra: não possuir, não produzir e não permitir a entrada de armas nucleares no território nacional.

Por que o Japão não assina o TPAN?

Tóquio se recusa a assinar o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares porque está sob a proteção do guarda-chuva nuclear dos EUA.

Quantos hibakusha ainda estão vivos?

O número de sobreviventes caiu para 91.105, cerca de um quarto do número inicial, com idade média acima dos 86 anos.

O que a premiê Sanae Takaichi defende?

Ela apoia os dois primeiros princípios não nucleares e defende uma "abordagem realista e pragmática" para o desarmamento, sem reafirmar explicitamente os três princípios.

Leia também

Publicidade