Economia

Natura (NATU3) prevê queda de até 10% na receita do 2º tri, pressionada por Brasil

ResumoA Natura (NATU3) projeta queda de até 10% na receita líquida do segundo trimestre de 2026, pressionada pelo fraco desempenho no Brasil. O guidance acende alerta sobre a capacidade de recuperação da companhia no curto prazo, refletindo desafios no mercado doméstico.

A Natura (NATU3) comunicou ao mercado projeção de queda de até 10% na receita líquida do segundo trimestre de 2026, atribuída principalmente ao desempenho fraco no Brasil. O guidance acende alerta sobre a capacidade de recuperação da companhia no curto prazo.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 08 de julho de 2026
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Natura (NATU3) projeta queda de até 10% na receita do 2º tri de 2026; Brasil puxa o resultado para baixo

A Natura &Co (NATU3) comunicou ao mercado, em fato relevante de 10 de junho de 2026, que a receita líquida consolidada do segundo trimestre deve recuar entre 8% e 10% na comparação anual. O principal motivo, segundo a empresa, é o desempenho abaixo do esperado no Brasil. Para o dono de PME que acompanha indicadores de consumo, o dado acende um alerta: quando uma das maiores empresas de beleza do país projeta retração, o cenário para o varejo como um todo merece atenção.

Segundo o fato relevante divulgado pela Natura, a receita líquida consolidada do segundo trimestre de 2026 deve ficar entre R$ 5,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões, contra R$ 6,0 bilhões no mesmo período de 2025. A projeção representa uma queda de 8% a 10% na comparação anual. A companhia atribuiu a revisão ao desempenho fraco no Brasil, onde a receita deve cair entre 12% e 15%.

Por que o Brasil pesa tanto no resultado da Natura

O mercado brasileiro responde por cerca de 60% da receita consolidada da Natura &Co. Quando esse pilar enfraquece, o efeito sobre o número final é imediato. A empresa citou três fatores para a pressão local: redução do consumo das classes C e D, impacto da inflação de alimentos na renda disponível e maior concorrência no canal de venda direta.

Para o consultor que analisa fluxo de caixa de PMEs, o movimento da Natura reforça uma tese: o consumidor brasileiro de menor renda está comprando menos itens não essenciais. Quem depende desse perfil de cliente precisa revisar estoque e margem antes que o caixa aperte.

Guidance da Natura contrasta com projeções do mercado

Antes do comunicado, analistas consultados pela Bloomberg projetavam receita líquida de R$ 5,8 bilhões para o segundo trimestre de 2026. O guidance da Natura ficou abaixo desse consenso em até 7%. A diferença indica que a empresa enxerga riscos que o mercado ainda não precificou completamente.

A Natura também informou que a margem EBITDA deve ficar entre 11% e 12% no período, contra 13,5% no segundo trimestre de 2025. A compressão de margem reflete a diluição de custos fixos com a queda de receita.

O que esperar do segundo semestre para NATU3

A empresa não forneceu guidance para o segundo semestre de 2026. No entanto, sinalizou que as incertezas macroeconômicas no Brasil seguem elevadas. A projeção de queda no segundo trimestre não significa necessariamente que o ano está perdido, mas obriga o investidor a recalibrar expectativas.

Para quem tem NATU3 na carteira, o ponto de atenção é o fluxo de caixa livre. Se a receita cai 10% e a margem EBITDA encolhe, a geração de caixa operacional tende a acompanhar. A dívida líquida da Natura encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 8,2 bilhões, com alavancagem de 2,3 vezes o EBITDA. Com margem menor, a relação dívida/EBITDA pode subir para perto de 2,6 vezes até o fim do ano.

Comparação com pares do setor de beleza

O movimento da Natura não é isolado. A concorrente Avon (também controlada pela Natura &Co) enfrenta desafios semelhantes no Brasil. Já a Boticário e a Eudora, do Grupo Boticário, mantêm projeções de crescimento de receita entre 3% e 5% para 2026, segundo fontes de mercado análise setor beleza 2026. A diferença sugere que o modelo de venda direta da Natura está mais exposto à crise de consumo do que o modelo de franquias do Grupo Boticário.

Riscos e oportunidades para o pequeno empresário

Se você é dono de PME que vende para o consumidor final, a projeção da Natura serve como termômetro. Quando uma gigante do setor projeta queda, o movimento tende a se espalhar pela cadeia. O conselho prático: reduza prazos de recebimento, negocie prazos maiores com fornecedores e mantenha uma reserva de caixa equivalente a pelo menos três meses de despesas fixas.

Perguntas Frequentes

A Natura (NATU3) vai cortar dividendos?

A empresa não se manifestou sobre dividendos. Com a queda de receita e margem, o payout tende a ser reduzido no segundo semestre de 2026, mas não há decisão oficial.

Qual o preço-alvo para NATU3 após o guidance?

Analistas consultados pela Bloomberg revisaram o preço-alvo médio de R$ 18,50 para R$ 16,80 após o guidance. O potencial de alta em relação ao preço atual de R$ 14,20 é de 18%.

A Natura pode ter prejuízo no 2º tri de 2026?

A projeção de margem EBITDA entre 11% e 12% indica lucro operacional positivo. O resultado líquido depende de despesas financeiras e impostos, mas a empresa não projeta prejuízo.

O que fazer com as ações NATU3 na carteira?

Para investidores de longo prazo, o guidance não justifica venda imediata. Para traders, o movimento de baixa já ocorreu. O ideal é aguardar o resultado do 2º tri, previsto para meados de agosto de 2026.

A queda na receita da Natura afeta o mercado de beleza como um todo?

Sim. A Natura é a maior empresa de beleza do Brasil. Quando ela projeta queda, sinaliza que o consumo de cosméticos está se retraindo, o que afeta concorrentes e fornecedores.

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