Economia

Operação da PF em MT investiga desvio por fundos do Master

ResumoOperação Heritage, da Polícia Federal, cumpre 25 mandados em Mato Grosso para investigar desvio de R$ 308 milhões por fundos do Master. A ação mira o ex-governador Mauro Mendes e o desembargador Ricardo Almeida. A suspeita envolve irregularidades na gestão de recursos financeiros vinculados ao Master.

Operação Heritage cumpre 25 mandados no MT e mira ex-governador Mauro Mendes e desembargador Ricardo Almeida. Suspeita é de desvio de R$ 308 milhões via fundos do Master.

Marcelo Iorio
Marcelo Iorio Consultor de planejamento empresarial · 06 de agosto de 2026
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Operação da PF em MT investiga desvio por meio de fundos do Master

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 6, no Mato Grosso, a Operação Heritage, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos por meio de fundos controlados pelo Banco Master e usados em um acordo milionário do governo estadual com a telefônica Oi. Entre os alvos dos 25 mandados de busca e apreensão estão o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso.

O que a Operação Heritage apura

A investigação aponta que o governo do Mato Grosso firmou acordo com a Oi, em 2024, para pagar R$ 308,1 milhões referentes a restituições tributárias que a empresa requeria na Justiça desde 2009. A partir daí, segundo a investigação, foi adotada uma "engenharia financeira" para que os valores chegassem a outros beneficiários finais, incluindo pessoas do entorno do ex-governador.

Como funcionava a engenharia financeira

A denúncia aponta o uso de um sistema de "fundos em cascata" para que, ao fim, o dinheiro chegasse a empresas ligadas a aliados de Mauro Mendes. Os R$ 308 milhões do acordo foram transformados em direitos creditórios, um ativo financeiro que representa o que uma pessoa terá direito a receber no futuro.

O valor foi dividido igualmente entre os fundos Royal Capital e Lotte Word, ambos administrados e custodiados pelo Banco Master. Com os recursos em caixa, o Lotte Word passou a comprar participações em outras empresas e fundos, entre eles o Golden Bird e o Coliseu, que pertencem a pessoas do entorno do ex-governador.

Quem são os alvos da operação

Entre os alvos estão o ex-governador Mauro Mendes, que renunciou ao cargo para concorrer ao Senado nas eleições de outubro, e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida. O acordo com a Oi foi conduzido pelo então advogado Ricardo Almeida, que também teve participação nos fundos que ganharam os direitos creditórios. Ele virou desembargador, por escolha de Mauro Mendes, em novembro de 2025, e também é alvo da operação.

A denúncia também cita pessoas do entorno do ex-governador, como Luis Antonio Mendes, filho de Mauro Mendes, Fabio Garcia, ex-chefe da Casa Civil, e Fernando Robério Garcia, pai de Fábio Garcia.

Decisão do STF e contexto

Os mandados foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, a partir de representações encaminhadas pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), adversário de Mendes na disputa ao Senado. A decisão de Dino é sigilosa. Os principais casos do Banco Master no STF tramitam sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Mendes ainda não se manifestou sobre a operação, e a reportagem tenta localizar a defesa do desembargador. A Oi e o Banco Master também não fizeram comentários.

O que dizem os envolvidos

Até o fechamento desta matéria, nem o ex-governador, nem o desembargador, nem a Oi ou o Banco Master haviam se manifestado publicamente sobre a operação. A defesa de Ricardo Almeida não foi localizada.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Heritage?

É uma operação da Polícia Federal deflagrada no Mato Grosso para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de fundos controlados pelo Banco Master, usados em um acordo com a Oi.

Quem são os alvos da operação?

Os alvos incluem o ex-governador Mauro Mendes e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, além de outras pessoas citadas na investigação.

Qual o valor envolvido no acordo com a Oi?

O acordo firmado em 2024 previa o pagamento de R$ 308,1 milhões em restituições tributárias requeridas pela Oi desde 2009.

Como o dinheiro teria sido desviado?

Segundo a investigação, foi usada uma "engenharia financeira" com fundos em cascata para que os valores chegassem a empresas de aliados do ex-governador.

Quem expediu os mandados?

Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF Flávio Dino, a partir de representações do ex-governador Pedro Taques.

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