Economia

Por que Republicanos recuou do veto a Cleitinho em Minas

ResumoO Republicanos recuou do veto à pré-candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais após o senador consolidar liderança nas pesquisas eleitorais. A decisão ocorreu em meio a semanas de indefinição, com parte das alianças partidárias já migrando para outros projetos. O partido avaliou o cenário político estadual e a força eleitoral do parlamentar para reverter a posição inicial.

Recuo do Republicanos em relação a Cleitinho Azevedo veio após semanas de indefinição, com o senador liderando pesquisas e parte das alianças já seguindo outros caminhos. Entenda o que mudou.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 11 de agosto de 2026
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O que pesou para o Republicanos desistir do veto à candidatura de Cleitinho em Minas

O Partido Republicanos decidiu bancar a candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais depois de semanas de negociações, retrocessos e desistências, dos dois lados do cabo de guerra. O recuo ocorreu quando parte das alianças que dependiam dessa definição já havia seguido outros caminhos e Cleitinho continuava liderando as pesquisas estaduais.

O que mudou para o partido voltar atrás? Pesaram o reconhecimento público de erros pelo senador, o desempenho eleitoral e a pressão de setores da sociedade mineira. A solução incluiu uma condição financeira: Cleitinho não usará recursos do fundo eleitoral do Republicanos na campanha.

O recuo do Republicanos e o peso das pesquisas

A decisão recupera uma candidatura que chegou a ser descartada formalmente pela própria legenda. Na Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho tinha 35% das intenções de voto no cenário mais amplo de primeiro turno e aparecia na liderança também nas simulações de segundo turno.

Alexandre Kalil (PDT) registrava 12%, Patrus Ananias (PT), 10%, e o governador Mateus Simões (PSD), 6%. Flávio Roscoe (PL), que seria lançado posteriormente pelo partido, tinha 2% no levantamento.

A força eleitoral de Cleitinho acabou sobrevivendo ao desgaste provocado pela própria indefinição do senador. Segundo o Republicanos, foram considerados o desempenho de Cleitinho nas pesquisas e as manifestações favoráveis à candidatura vindas de setores da sociedade mineira.

A sequência de idas e vindas até a confirmação

O Republicanos esperava resolver a situação até a convenção estadual de 26 de julho. Cleitinho não participou do encontro, poucos dias depois da morte de um irmão, e a candidatura permaneceu sem confirmação.

Na semana seguinte, o senador publicou um vídeo dizendo que "aceita a missão". Aliados interpretaram a mensagem como uma decisão de concorrer, mas a manifestação não encerrou a resistência dentro do partido.

As executivas estadual e nacional chegaram a considerar encerrada a possibilidade de candidatura. Naquele momento, o Republicanos afirmava que Cleitinho não havia assumido de forma suficientemente clara a responsabilidade de liderar o projeto eleitoral.

O pedido público a Marcos Pereira e a recusa inicial

Durante a convenção nacional do Republicanos, Cleitinho pediu publicamente a Marcos Pereira autorização para concorrer.

"Eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente que me dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido", afirmou.

O senador disse que estava em um momento de vulnerabilidade quando desistiu e acrescentou: "Quem que nunca foi e voltou? Quem que nunca teve equívoco? Quem que nunca errou que levante a mão, por favor?"

Pereira recusou o pedido naquele momento e afirmou que a decisão estava tomada. Também criticou a instabilidade em torno da candidatura.

A costura de novos nomes e a reviravolta final

O partido começou então a trabalhar em outra direção. Marcelo Aro (PP), ex-secretário estadual de Governo, passou a ser discutido como possível candidato de uma aliança que poderia envolver Republicanos e PL.

Enquanto Cleitinho dava sinais públicos de que pretendia concorrer, Aro participou em Brasília de uma reunião com Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do PL. O presidente estadual do PL, Zé Vitor, também esteve no encontro, e a direção nacional do Republicanos participou de parte da conversa por telefone.

Depois da movimentação em torno de novos nomes à disputa, na noite da sexta-feira (8), o Republicanos recuou de sua decisão e acertou a candidatura de Cleitinho ao governo mineiro, após reunião entre o senador, Pereira e o presidente do Republicanos em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, em São Paulo.

O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão (Republicanos) será o candidato a vice.

O que pesou na decisão final: erros reconhecidos e compromisso

Em nota, a direção nacional afirmou que o senador reconheceu os erros cometidos durante as negociações, pediu desculpas ao partido, aos eleitores e às forças envolvidas na construção da candidatura e assumiu o compromisso de permanecer na disputa até o fim.

A solução encontrada ainda inclui uma condição financeira: Cleitinho não utilizará recursos do fundo eleitoral do Republicanos na campanha.

O custo da indefinição: alianças fragmentadas

O tempo consumido pela definição teve consequência direta sobre as alianças estaduais. Sem Cleitinho confirmado, partidos que poderiam ocupar o mesmo campo político passaram a organizar projetos próprios.

O PL decidiu lançar Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e informou posteriormente que manteria a candidatura mesmo após o Republicanos recuperar Cleitinho.

A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também tomou sua decisão e aderiu à candidatura de Mateus Simões. O governador, escolhido por Romeu Zema (Novo) como seu sucessor, passou a reunir PSD, União Progressista, Novo, PRD, Solidariedade e Avante.

Marcelo Aro ficou fora das duas construções. O ex-secretário seguirá como candidato ao Senado, sem integrar formalmente uma chapa de candidato ao governo.

O resultado é um cenário diferente daquele imaginado quando PL e Republicanos esperavam apenas uma definição de Cleitinho para fechar uma aliança. O senador entra na disputa como líder das pesquisas, mas encontra o campo político ao qual está mais próximo dividido entre diferentes candidaturas.

Essa fragmentação também alcança a eleição presidencial. Cleitinho já sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro, segundo seu irmão, Gleidson Azevedo. O PL, porém, terá candidato próprio ao governo mineiro.

No segundo maior colégio eleitoral do país, a volta de Cleitinho resolveu o problema imediato do Republicanos. As semanas de indefinição deixaram uma disputa mais pulverizada e reduziram o espaço para recompor a aliança inicialmente discutida pelas legendas.

Perguntas Frequentes

Por que o Republicanos desistiu do veto a Cleitinho?

O partido recuou após o senador reconhecer erros, pedir desculpas e assumir compromisso de permanecer na disputa. Também pesaram sua liderança nas pesquisas e manifestações favoráveis de setores da sociedade mineira.

Cleitinho vai usar o fundo eleitoral do Republicanos?

Não. A condição financeira acertada prevê que Cleitinho não utilizará recursos do fundo eleitoral do partido na campanha.

Quem será o vice na chapa de Cleitinho?

O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão (Republicanos) será o candidato a vice.

O que aconteceu com a aliança com o PL?

O PL decidiu manter Flávio Roscoe como candidato ao governo de Minas, mesmo após o Republicanos recuperar Cleitinho. A fragmentação reduziu o espaço para recompor a aliança inicialmente discutida.

Qual era a vantagem de Cleitinho nas pesquisas?

Na Genial/Quaest de 28 de julho, Cleitinho tinha 35% das intenções de voto no cenário mais amplo de primeiro turno e liderava também nas simulações de segundo turno.

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