Economia

Petroleiros pedem Petrobras mais estatal e menor repasse a acionistas

ResumoA Federação Única dos Petroleiros (FUP) apresentou 50 propostas para o setor de óleo e gás, defendendo uma Petrobras mais estatal, com reestatização de refinarias e redução de dividendos aos acionistas. O documento também propõe alterações na governança corporativa e na política de transição energética da companhia.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou 50 propostas para o setor de óleo e gás, pedindo Petrobras mais estatal, reestatização de refinarias e redução de dividendos aos acionistas. O documento também defende mudanças na governança e na transição energética.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 11 de agosto de 2026
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Petroleiros pedem Petrobras mais estatal e menor repasse a acionistas

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apresentou, nesta terça-feira (11), um pacote de 50 propostas para o setor de óleo e gás no Brasil e para a transição energética. O documento pede o fortalecimento do papel da Petrobras, o aumento do controle estatal sobre a companhia, a reestatização de refinarias e a redução de dividendos pagos aos acionistas da petroleira. A iniciativa ocorre em meio ao debate das eleições de 2026.

O que a FUP propõe para a Petrobras?

A FUP defende o retorno da obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no regime de partilha em áreas do pré-sal, conforme previsto originalmente na Lei nº 12.351 de 2010. A legislação inicial garantia à Petrobras, no mínimo, 30% de cada campo, com a responsabilidade de conduzir os consórcios com outras companhias privadas. Com a destituição da presidente Dilma Rousseff em 2016, a Lei 13.365 alterou essa regra e encerrou a obrigação da Petrobras de liderar a exploração no pré-sal.

Além disso, a categoria defende ampliar o controle acionário estatal sobre a Petrobras e reformar o sistema de governança da companhia para "reverter" as transformações que orientaram a empresa para a "maximização" e distribuição de lucros no curto prazo, o que tende a favorecer os acionistas.

"Recomenda-se a revisão do seu Estatuto Social; adequação da sua política de remuneração aos acionistas a Lei das Sociedades Anônimas, que fixa limite a 25% do lucro líquido, para explicitar a primazia do interesse público", diz o documento.

A plataforma e seus eixos

A Plataforma de Políticas Públicas do Setor de óleo e Gás 2027-2030: Soberania Energética e Transição Energética Justa foi desenhada em parceria com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, destacou que as propostas foram elaboradas a partir do Congresso Nacional da FUP, com cerca de 400 participantes, com o objetivo de influenciar o debate público em meio às eleições de 2026.

"A eleição é o momento, dentro da democracia, em que o país se volta para debater a si mesmo. É nesse momento que temos que nos colocar. Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos uma visão, um projeto de país", afirmou, em cerimônia no Congresso Nacional, em Brasília.

O documento é estruturado em quatro eixos. O primeiro, Soberania Nacional e Distribuição Justa da Riqueza, defende a criação de um comitê para gestão da renda petrolífera, que seria responsável por definir os objetivos de fundos como o do Pré-sal e do Clima. A plataforma também pede a criação do Fundo Estabiliza Brasil, para mitigar a volatilidade do mercado global de petróleo, e do Fundo para Transição Energética.

Uma das propostas é a criação de imposto permanente sobre exportação de petróleo cru, para favorecer o refino nacional, e um tributo sobre lucros extraordinários das empresas do setor para financiar a transição energética.

Transição energética e desenvolvimento nacional

A FUP defende que a transição energética privilegie o desenvolvimento nacional, "não pela abrupta eliminação dos fósseis", lembrando que o setor responde por 45% da demanda interna de energia, cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), lidera a pauta de exportações e soma mais de 600 mil empregos diretos e indiretos.

"Não pode ser uma transição energética de discurso vazio e fácil. Tem de ser uma transição que considere o ser humano, o combate à pobreza energética e o meio ambiente e não trate essas coisas dissociadas", justificou Cibele.

A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, destacou que a segurança energética permite ao Estado se defender frente a ameaças externas à soberania e ao desenvolvimento do país. "A soberania energética diz respeito também à forma como o Estado consegue se apropriar dos seus recursos energéticos. É, portanto, o conceito mais vinculado à ideia do desenvolvimento nacional", comentou.

Refino, gás e reestatização

O segundo eixo prevê a criação de uma política para incentivar as indústrias nacionais ligadas ao setor de óleo e gás e a promoção da integração produtiva latino-americana. Propõe ainda ampliar a capacidade de refino do país e defende revogar a Lei do Novo Mercado de Gás (14.134/2021). "O modelo atual priorizou a liberalização e a desverticalização do segmento, o que resultou em fragmentação da cadeia, dificuldades na expansão da infraestrutura e aumento das tarifas", diz o texto.

O documento critica o modelo para definição do preço do gás natural no Brasil, considerado alto na comparação internacional, "mesmo com cerca de 75% do consumo supridos por produção interna. É preciso substituir a indexação das referências internacionais por metodologia ancorada nos custos domésticos de produção".

O terceiro eixo, que foca na Petrobras, propõe a ampliação dos investimentos em exploração de óleo e gás no Brasil e no exterior, assim como a reestatização de ativos privatizados nos últimos anos, incluindo as refinarias de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN), SIX (PR) e Ream (AM). O documento sugere também a reestatização da BR Distribuidora e da Liquigás para, entre outros objetivos, "reduzir margens excessivas de lucro no segmento", e defende fortalecer a presença da Petrobras na produção de fertilizantes.

Participação social e pobreza energética

O último eixo do documento defende a ampliação da participação social e sindical na formulação e implementação de políticas para transição energética. Propõe também a criação do Programa Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima. A erradicação da pobreza energética, inserção do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos, fundamentais para a indústria da transição, e o fomento à economia do hidrogênio verde estão entre as propostas da categoria para o tema.

O que muda na prática?

Se implementadas, as propostas representariam uma guinada na política energética brasileira, com maior presença estatal na economia e redução da remuneração aos acionistas da Petrobras. A mudança na Lei do Gás e a reestatização de refinarias são pontos que geram debate entre especialistas e investidores. A FUP, no entanto, argumenta que o modelo atual favorece a especulação em detrimento do interesse público e do desenvolvimento nacional.

Perguntas Frequentes

O que é a FUP?

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) é uma entidade sindical que reúne trabalhadores do setor de óleo e gás no Brasil. Ela divulgou o documento de propostas em parceria com o Ineep.

Quantas propostas a FUP apresentou?

A FUP apresentou 50 propostas para o setor de óleo e gás e para a transição energética.

O que a FUP propõe para a Petrobras?

A FUP defende o fortalecimento do papel da Petrobras, o aumento do controle estatal, a reestatização de refinarias e a redução de dividendos aos acionistas.

O que é o pré-sal?

O pré-sal é uma camada de petróleo localizada abaixo do leito do mar, na costa brasileira. A FUP defende que a Petrobras volte a ser operadora única no regime de partilha nessa área.

Quando as propostas podem ser implementadas?

As propostas foram elaboradas para influenciar o debate público em meio às eleições de 2026, sem prazo definido para implementação.

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