Economia

Eleição 2026 pode repetir fenômeno de 2014, diz analista

ResumoA eleição presidencial de 2026 repete o fenômeno de 2014, segundo o analista Renato Meirelles. O eleitor brasileiro busca mudança, mas as principais candidaturas não apresentam resposta clara a essa demanda. A classe C, com perfil pragmático, surge como decisiva no pleito, conforme análise do especialista.

A eleição de 2026 começa a repetir a dinâmica de 2014: eleitor quer mudança, mas não vê nas principais candidaturas uma resposta clara. A classe C, pragmática, decide. Análise de Renato Meirelles.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 07 de agosto de 2026
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Por que a eleição de 2026 pode repetir um fenômeno visto em 2014

A eleição presidencial de 2026 começa a apresentar uma dinâmica que lembra mais a disputa de 2014 do que a de 2022. A avaliação é do fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, durante sua participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (7).

Resposta direta: A eleição de 2026 pode repetir o fenômeno de 2014 porque o eleitor quer mudança, mas não vê nas principais candidaturas uma resposta clara. A classe C, que é a maioria do eleitorado, é pragmática e não ideológica, e não troca o certo pelo duvidoso, como em 2014.

O desejo de mudança que não encontra oferta

O ponto central da análise, segundo o especialista, parte de um eleitorado que demonstra desejo de mudança, mas ainda não enxerga em nenhuma das principais candidaturas uma resposta clara para essa demanda. O comportamento aparece especialmente entre os eleitores da classe C, grupo que hoje representa mais da metade do eleitorado brasileiro e que teve papel decisivo nas últimas disputas presidenciais.

"A demanda do eleitor é por mudança. Mas ele não enxerga na oferta da classe política essa mudança", afirmou Meirelles.

O paradoxo de 2014: quando a insatisfação não vira voto

Segundo ele, esse foi também um dos paradoxos da eleição de 2014. Naquele ano, uma parcela expressiva da população dizia querer mudanças, mas isso não significou necessariamente uma migração automática de votos para a oposição.

"A Dilma ganhou uma reeleição em que 70% queriam mudança, mas não enxergavam no Aécio essa mudança", disse Meirelles.

O dado é revelador: 70% do eleitorado queria mudança, e ainda assim a então presidente foi reeleita. A explicação, segundo o analista, está na percepção de risco. O eleitor não troca o certo pelo duvidoso, mesmo quando está insatisfeito.

O cenário atual: Lula e Flávio Bolsonaro

Na avaliação dele, Lula enfrenta hoje um cenário parecido. Parte do eleitorado não considera que o presidente tenha entregue tudo o que esperava desde 2022, especialmente na melhora da vida cotidiana. Ao mesmo tempo, esse descontentamento não se transforma automaticamente em apoio a Flávio Bolsonaro.

"Existe um sentimento de que o Lula não entregou a picanha que foi prometida e também o entendimento de que o Flávio não vai entregar a picanha que foi prometida", afirmou.

A frase resume o dilema: a insatisfação com o governo não se converte em adesão à oposição, porque o eleitor não vê no adversário uma alternativa segura. É a repetição do fenômeno de 2014, em outra roupagem.

A classe C: pragmática, não ideológica

Para Meirelles, esse eleitor não deve ser interpretado a partir de uma lógica estritamente ideológica. A classe C, segundo ele, tende a fazer escolhas mais pragmáticas, levando em conta segurança econômica, continuidade de benefícios e a percepção de que seria o candidato que ofereceria menos risco.

"A gente tem uma classe C que é pragmática e não ideológica. Uma classe C que enxerga no Lula uma segurança para que alguns programas continuem e talvez não ache que o Flávio seja a mudança que o Brasil precisa", afirmou.

A classe C representa mais da metade do eleitorado brasileiro, segundo a fonte. Isso significa que a decisão desse grupo tende a definir o resultado da eleição, como já ocorreu em disputas anteriores. E a lógica de voto desse eleitor não é partidária, é de sobrevivência econômica.

O paralelo com 2014: não trocar o certo pelo duvidoso

O paralelo com 2014 aparece justamente neste ponto, conforme a análise de Meirelles. Mesmo quando há insatisfação com o governo, a troca de candidato depende de o eleitor identificar no adversário uma alternativa suficientemente segura.

"Se as coisas não mudarem, a pessoa vai ter medo de perder ou vai falar: 'eu quero mudar tudo'. A gente já teve essas duas coisas na história. Em 2014, as pessoas não trocaram o certo pelo duvidoso", disse.

A frase expõe a tensão entre o desejo de mudança e o medo da perda. O eleitor da classe C, em particular, pesa o risco de uma transição que pode piorar sua situação. A mudança só acontece se o adversário for percebido como uma opção confiável.

O que isso significa para as campanhas

Para ele, o dilema do eleitor se baseia exatamente nesta percepção. Enquanto isso, a campanha de Lula precisa convencer o eleitor de que vale a pena preservar o que já existe, enquanto Flávio deve buscar provar que representa uma mudança desejável, e não só uma rejeição ao governo atual.

A eleição de 2026, portanto, não será decidida apenas por números econômicos ou por embates ideológicos. Será decidida pela capacidade de cada campanha de responder à pergunta que o eleitor faz, muitas vezes em silêncio: trocar vale o risco?

O Mapa de Risco

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido. A análise de Renato Meirelles foi feita durante a edição desta sexta-feira (7).

Perguntas Frequentes

Por que a eleição de 2026 pode repetir o fenômeno de 2014?

Porque o eleitor quer mudança, mas não vê nas principais candidaturas uma resposta clara. A classe C, que é a maioria do eleitorado, é pragmática e não troca o certo pelo duvidoso, como em 2014.

O que é a classe C e por que ela é decisiva?

A classe C é o grupo que representa mais da metade do eleitorado brasileiro. Ela é decisiva porque tende a fazer escolhas pragmáticas, levando em conta segurança econômica e continuidade de benefícios.

Quem é Renato Meirelles?

Renato Meirelles é o fundador do Instituto Locomotiva. Ele fez essa análise durante o programa Mapa de Risco, do InfoMoney, na sexta-feira (7).

O que significa "não trocar o certo pelo duvidoso"?

Significa que o eleitor, mesmo insatisfeito com o governo, não vota na oposição se não perceber nela uma alternativa segura. Foi o que aconteceu em 2014, quando Dilma foi reeleita com 70% do eleitorado querendo mudança.

Como Lula e Flávio Bolsonaro podem reagir?

Lula precisa convencer o eleitor de que vale preservar o que já existe. Flávio deve provar que representa uma mudança desejável, e não apenas rejeição ao governo atual.

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