Economia

NYT liga neto de Raúl Castro a cartel de contrabando mexicano

ResumoRaúl G. Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, é apontado pelo The New York Times como integrante de uma rede de contrabando que transportava cubanos para o México. A investigação do jornal norte-americano detalha a operação ilegal, envolvendo pagamentos e logística. O governo cubano negou as acusações, classificando a reportagem como infundada e parte de uma campanha de desinformação.

O neto de Raúl Castro, Raúl G. Rodríguez Castro, é ligado pelo NYT a uma rede de contrabando que tirava cubanos da ilha. Revelamos os detalhes da investigação e as respostas de Cuba.

Helena Drumond
Helena Drumond Analista de criptoativos e fintechs · 11 de agosto de 2026
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Reportagem do NYT liga neto de Raúl Castro a cartel de contrabando mexicano

Uma reportagem do The New York Times publicada recentemente liga Raúl G. Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, a uma rede de contrabando que atuava no México e em Cuba. A investigação, baseada em documentos judiciais e entrevistas, aponta que Rodríguez Castro, que nunca ocupou cargo público, teria usado sua influência para proteger a operação. Cuba nega as acusações e classifica as alegações como difamação.

O que a reportagem do NYT revela sobre o neto de Raúl Castro?

Segundo o NYT, Raúl G. Rodríguez Castro, de 42 anos, teria ajudado a canalizar mercadorias compradas com cartões de crédito roubados para Cuba, recebido artigos de luxo como suborno e permitido que criminosos procurados circulassem livremente na ilha. As acusações surgiram no contexto de uma investigação federal que resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas e sentenças de décadas de prisão. Rodríguez Castro não foi acusado formalmente.

A rede de contrabando, conhecida como Máfia Cubana em Quintana Roo, usava barcos roubados da Flórida para tirar pessoas de Cuba que queriam chegar aos Estados Unidos. Os migrantes eram levados para o México, onde ficavam em casas seguras até pagarem as taxas, e eram torturados se não pagassem, segundo depoimentos judiciais.

Quem é Raúl G. Rodríguez Castro na hierarquia cubana?

Rodríguez Castro é coronel do Ministério do Interior de Cuba. Ele apareceu em uma visita oficial de Raúl Castro a Paris, há uma década, como guarda-costas do então presidente. Hoje, ele é descrito como figura-chave nas negociações de Cuba com os Estados Unidos, mesmo sem ter cargo público. Seu nome chegou a ser mencionado como alguém que a administração Trump poderia achar aceitável como próximo líder de Cuba.

"Ele exemplifica como aquele governo opera", disse Tim Rieser, assessor de política externa do ex-senador Patrick Leahy (D-VT), que encontrou Rodríguez Castro várias vezes. "É muito parecido com um negócio de família, e então alguém que nos foi descrito há uma década como guarda-costas do presidente Castro, por qualquer razão, por qualquer meio, tornou-se algo muito além disso."

A ambição de ser presidente de Cuba

Aqueles que falaram com Rodríguez Castro dizem que ele não fez segredo de sua ambição máxima de ser o próximo presidente do país. No entanto, não está claro se ele tem apoio interno para tal. Um alto funcionário cubano classificou as acusações como difamatórias, e um funcionário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba recorreu às redes sociais para dizer que Rodríguez Castro havia sido alvo de "assassinato de caráter" na mídia dos EUA.

Como a investigação ligou Rodríguez Castro ao cartel?

Dois réus no caso implicaram Rodríguez Castro como colaborador da organização, de acordo com registros judiciais e entrevistas. José Miguel González Vidal e Reynaldo Crespo Márquez se confessaram culpados e foram condenados a longas penas de prisão. González Vidal foi condenado a 25 anos, e Crespo cumpre 20 anos.

González Vidal disse que os homens que contrabandeavam migrantes e mercadorias subornavam Rodríguez Castro para manter a guarda costeira e a alfândega cubanas afastadas. Em troca de permitir que mercadorias compradas com cartões de crédito roubados passassem pela alfândega, Rodríguez Castro recebeu um barco de alta performance Fountain 38, um relógio Rolex, uma moto Suzuki e roupas Louis Vuitton, alegou González Vidal.

O relato de González Vidal foi corroborado por mensagens de texto e de correio de voz que o FBI extraiu dos celulares de membros do anel de contrabando, disseram pessoas familiarizadas com o caso.

O que dizem os registros judiciais

A declaração de admissão arquivada em tribunal federal, parte do acordo de culpa de González Vidal, não nomeia Rodríguez Castro. Mas González Vidal e outro réu disseram às autoridades dos EUA que Rodríguez Castro estava entre os funcionários estrangeiros que receberam um barco roubado. A questão também foi discutida em tribunal aberto.

Durante um julgamento em setembro de 2023 em Miami, um advogado de defesa perguntou a Crespo, que era testemunha colaboradora, sobre uma reunião em que ele disse a promotores que González Vidal e Rodríguez Castro haviam discutido o envio de um barco para ele em Cuba.

A resposta de Cuba e de Rodríguez Castro

Rodríguez Castro não respondeu aos pedidos de entrevista enviados por canais diplomáticos formais. Em uma entrevista recente ao USA Today, ele disse que não tinha riqueza própria e que "amigos e admiradores ricos" pagavam por roupas da moda, veículos estrangeiros de luxo e viagens caras ao exterior.

O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos R. Fernández de Cossío, em entrevista ao The New York Times em Havana, classificou as acusações como "difamação". Ele disse que, por vários anos, funcionários cubanos haviam levantado preocupações sobre o contrabando generalizado de cubanos através da América Central e do México.

"Nós os alertamos. Reunião após reunião: 'Vocês tomaram alguma providência? O que vocês fizeram?'", disse Fernández de Cossío. "Não posso duvidar de forma alguma que existem organizações no México, na América Central e em outras partes da América Latina, que envolvem cubanos que têm ganhado dinheiro e tido um negócio de contrabando de estrangeiros para os Estados Unidos. Mas posso assegurar que não há nenhum vínculo com o governo cubano."

O que muda com essa reportagem?

A reportagem do NYT coloca luz sobre a influência de Rodríguez Castro nas negociações entre Cuba e os EUA, em um momento em que a ilha enfrenta impasse com o governo americano. Ainda não está claro se Rodríguez Castro é alvo da investigação em andamento. O Departamento de Justiça se recusou a comentar.

Para quem acompanha a política cubana, a reportagem reforça a percepção de que o governo de Cuba opera como um "negócio de família", nas palavras de Tim Rieser. A ligação entre o neto de Raúl Castro e a rede de contrabando, mesmo sem acusação formal, adiciona um capítulo novo à complexa relação entre os dois países.

Perguntas Frequentes

O neto de Raúl Castro foi preso?

Não. Raúl G. Rodríguez Castro não foi acusado formalmente. A investigação federal resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas, mas Rodríguez Castro não está entre elas.

O que é a Máfia Cubana?

É o nome dado a uma rede de contrabando de pessoas que atuava em Quintana Roo, no México. O grupo usava barcos roubados da Flórida para tirar pessoas de Cuba que queriam chegar aos Estados Unidos.

Quem é Raúl G. Rodríguez Castro?

É neto de Raúl Castro, coronel do Ministério do Interior de Cuba. Ele apareceu como guarda-costas do avô em uma visita a Paris e hoje é descrito como figura-chave nas negociações de Cuba com os EUA.

Cuba negou as acusações?

Sim. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos R. Fernández de Cossío, classificou as acusações como "difamação" e afirmou que não há vínculo entre o governo cubano e as organizações de contrabando.

O que Rodríguez Castro disse sobre as acusações?

Em entrevista ao USA Today, ele disse que não tinha riqueza própria e que amigos ricos pagavam por seus bens. Ele não respondeu aos pedidos de entrevista do NYT.

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