Tarcísio e Haddad fazem debate virar balanço de gestão e disputa nacional em SP
O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) pelo governo de São Paulo foi marcado por disputa direta sobre os resultados dos últimos quatro anos, com forte presença da política nacional.
Tarcísio e Haddad fazem debate virar balanço de gestão e disputa nacional em SP
O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) pelo governo de São Paulo, realizado neste domingo (9), transformou-se em um balanço dos últimos quatro anos. Mais do que propostas, os candidatos confrontaram números de gestão, segurança, educação e a relação de São Paulo com Brasília.
Resposta direta: No primeiro debate pelo governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) confrontaram números de gestão, segurança, educação e relação com Brasília. Haddad atacou indicadores e citou perdas na alfabetização e no ensino médio; Tarcísio defendeu entregas e rebateu com dados de homicídios e ensino técnico.
Disputa de números marca o primeiro duelo
Haddad tentou colocar o governador na defensiva com comparações de indicadores. Tarcísio respondeu com números da própria gestão e levou parte da discussão para o governo Lula. A relação com Brasília apareceu em vários momentos.
Haddad insistiu que programas e obras paulistas dependem de recursos federais. Tarcísio reconheceu algumas parcerias, como no túnel Santos-Guarujá, mas cobrou financiamentos que, segundo ele, seguem travados.
Educação: o embate dos índices
Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições na qualidade do ensino médio. Citou índices de alfabetização abaixo da média nacional. Também criticou a digitalização das escolas e pediu que os eleitores pesquisassem os dados na internet, repetindo uma estratégia usada por Tarcísio contra ele na campanha de 2022.
O governador respondeu com números do ensino técnico, da formação de professores e da educação integral. Segundo ele, a participação dos alunos em cursos profissionalizantes passou de 12% para 42%.
Haddad contestou os dados. Disse que o estado perdeu desempenho mesmo com mais recursos do que outras unidades da Federação.
Segurança pública: acusações e respostas
Dentro do tema de segurança pública, Haddad acusou Tarcísio de "não ter sequer um discurso" para combater os casos de feminicídio e racismo registrados. O petista atacou a gestão da segurança e o secretário Guilherme Derrite. Citou aumento de feminicídios, infiltração do crime organizado e falhas de inteligência.
"O Derrite bagunçou tudo. Você deve estar preocupado", afirmou.
Tarcísio rebateu com os menores índices históricos de homicídios, latrocínios e roubos. Citou mais de 500 operações com Ministério Público e Polícia Federal, além de investigações contra o PCC.
Cracolândia e créditos divididos
Tarcísio retomou a Cracolândia e destacou ações no centro da capital. Haddad reconheceu avanços, mas disse que o governador deveria dividir os créditos com o Ministério Público e outras instituições.
Bolsonaro e Lula entram no centro do debate
Em determinado momento, após o governador "alertar" o ex-ministro de que o ex-presidente não era o candidato e que não deveria estar no centro do debate, Haddad perguntou se Tarcísio tinha vergonha de Bolsonaro. O governador negou, agradeceu ao ex-presidente pela entrada na política e defendeu a formação de uma equipe técnica.
Tarcísio, por sua vez, levou Lula para o confronto. Questionou a situação fiscal, o crescimento econômico e perguntou se Haddad teria algum conselho ao presidente.
O governador afirmou que o país "caminha para uma recessão". Haddad respondeu defendendo sua passagem pelo Ministério da Fazenda e atribuiu parte dos problemas à política monetária do Banco Central.
Recursos federais e a perda de R$ 1 bilhão
Haddad acusou Tarcísio de não reconhecer os recursos recebidos do governo federal. Citou programas de saúde, obras e a renegociação da dívida estadual. Também afirmou que São Paulo perdeu cerca de R$ 1 bilhão por mês ao demorar a aderir ao Propag.
"Tarcísio, você perdeu R$ 1 bilhão por mês porque não quis tirar uma foto com o presidente Lula", disse.
O governador negou motivação política. Afirmou que discordava das condições iniciais do programa. Também cobrou projetos que, segundo ele, continuam travados em Brasília.
Privatizações e PPPs: rever ou defender?
Haddad questionou privatizações, PPPs e concessões realizadas pela gestão estadual. Prometeu revisar contratos caso seja eleito. "Serei obrigado a rever os contratos linha por linha", afirmou.
Tarcísio defendeu o modelo. Citou escolas, infraestrutura e a Sabesp. Segundo ele, a privatização ampliou investimentos e levou água a dois milhões de pessoas.
Haddad cobrou a promessa de redução da tarifa de água. O governador respondeu que os preços chegaram a cair, mas que manter a redução poderia comprometer financeiramente a empresa.
Um julgamento da gestão ou da política nacional?
Haddad buscou transformar a eleição em um julgamento da gestão Tarcísio. Comparou São Paulo com outros estados e com seu próprio desempenho anterior.
Tarcísio concentrou sua defesa nas entregas do mandato. Tentou vincular Haddad aos problemas do governo Lula.
O resultado foi um debate estadual com forte presença da disputa nacional. Bolsonaro, Lula, política fiscal, economia e relação com o governo federal apareceram quase tanto quanto os temas diretamente ligados a São Paulo.
Perguntas Frequentes
Quem participou do primeiro debate pelo governo de SP?
Participaram Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador, e Fernando Haddad (PT), ex-prefeito de São Paulo. O debate ocorreu neste domingo (9).
Qual foi o principal tema do debate?
O confronto virou um balanço de gestão dos últimos quatro anos, com forte presença da disputa nacional. Educação, segurança, privatizações e a relação com Brasília dominaram as falas.
O que Haddad disse sobre a educação em SP?
Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições na qualidade do ensino médio e citou índices de alfabetização abaixo da média nacional. Também criticou a digitalização das escolas.
Como Tarcísio rebateu os ataques na segurança?
O governador citou os menores índices históricos de homicídios, latrocínios e roubos, além de mais de 500 operações com Ministério Público e Polícia Federal e investigações contra o PCC.
Qual foi a acusação sobre o Propag?
Haddad afirmou que São Paulo perdeu cerca de R$ 1 bilhão por mês ao demorar a aderir ao programa. Tarcísio negou motivação política e citou discordância com as condições iniciais.