Tarifas, visto de embaixadora e guerra: Lula e Trump em pauta
Com uma possível conversa entre Lula e Trump, temas como tarifas e o visto da embaixadora brasileira devem estar na pauta. Entenda o contexto e as expectativas.
Tarifas, visto de embaixadora e guerra: o que pode entrar na conversa de Lula e Trump
Com a possibilidade de uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump no radar, aliados do petista afirmam que é preciso aproveitar a oportunidade com o americano para tentar amenizar a tensão nas relações com o governo dos Estados Unidos.
Crise diplomática em destaque
Nas últimas semanas, uma série de episódios levou a um momento agudo na relação entre Brasil e Estados Unidos, instaurando uma crise diplomática. O governo dos Estados Unidos impôs nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros e, mais recentemente, a revogação temporária do visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Como o GLOBO revelou, Lula sinalizou a aliados de partidos da esquerda que buscaria falar com o presidente dos Estados Unidos na próxima semana. Uma pessoa que acompanha as conversas aponta que ainda não há data definida para o telefonema. Essa fala de Lula ocorreu em um momento em que o petista defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU para buscar o término do conflito.
Temas a serem discutidos
De acordo com relatos, Lula não mencionou quais outros tópicos deverá abordar, mas interlocutores afirmam que o presidente deve aproveitar a oportunidade para tratar de questões relevantes. A expectativa é que possam ser discutidos temas como as tarifas impostas aos produtos brasileiros, as quais foram criticadas pelo governo federal, e a polêmica que levou à revogação temporária do visto da embaixadora brasileira.
O governo Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) após o novo tarifaço imposto por Trump e ainda busca, por meio de negociações e vias diplomáticas, minimizar o impacto dessa medida.
Relações internacionais
Encerradas as convenções partidárias, o presidente reuniu sete legendas em torno da candidatura e ampliou a vantagem no tempo de propaganda eleitoral. Em reunião no Alvorada, Lula mencionou ter falado recentemente com os presidentes da China, Xi JinPing, e da Rússia, Vladimir Putin, e que também buscaria entrar em contato com o americano.
O entorno de Lula alega que as duas medidas, tarifas e revogação do visto, tiveram motivações políticas, visando prejudicar o presidente nas eleições e favorecer seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conta com a simpatia de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio. Diante desse cenário, integrantes do Planalto reforçaram que deverão usar isso para criticar Flávio, acusando o senador de atuar contra os interesses do Brasil.
Defesa da soberania
O discurso de defesa da soberania, que já tem sido utilizado por governistas e pelo próprio Lula, deverá ser intensificado.
Na terça-feira, o governo americano anunciou a revogação do visto de Viotti, devido à ausência de concessão do agrément (aceitação diplomática) ao embaixador indicado pelos EUA para atuar em Brasília. A decisão da administração Trump foi uma medida de reciprocidade, de acordo com um porta-voz do Departamento de Estado, pelo não aval do governo do Brasil ao nome de Daniel Perez, indicado pelos EUA para assumir funções como novo embaixador em Brasília. O entorno de Lula afirma que o petista indicou que não deverá conceder nenhum agrément até o fim das eleições.
Análise da resposta do Brasil
Um aliado que participou da conversa entre Lula e políticos do PSOL e Rede diz que o presidente também indicou que o governo brasileiro estava avaliando os cenários e qual resposta daria à atitude do governo americano. Além disso, interlocutores do petista ressaltam a importância de chamar atenção para esses fatos, afirmando que isso seria uma tentativa do governo americano de interferir nas eleições de outubro.