Taxas curtas caem e longas estáveis no Brasil
As taxas dos DIs de curto prazo fecharam em baixa, enquanto as longas ficaram estáveis, em dia de Treasuries acomodados. Desemprego de 5,3% e superávit de R$10,78 bi marcam a sessão.
As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a quinta-feira em baixa, enquanto as de longo prazo encerraram próximas da estabilidade, em uma sessão de calmaria para a renda fixa brasileira e de variações modestas para os Treasuries. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,76%, com queda de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,83% da sessão anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 estava em 14,45%, quase estável ante o ajuste de 14,444%.
A sessão foi marcada por dados econômicos no Brasil e nos EUA, mas nenhum indicador influenciou de forma decisiva a curva brasileira. Pela manhã, o IBGE informou que a taxa de desemprego atingiu 5,3% nos três meses até julho, menor resultado para o período da série, que começa em 2012, em linha com a expectativa da Reuters. À tarde, o Tesouro reportou superávit primário de R$10,783 bilhões em julho, próximo dos R$10,679 bilhões projetados, ante déficit de R$59,070 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado positivo, porém, deve-se em grande parte a um efeito do calendário: pagamentos de precatórios foram antecipados para março, contra desembolsos principalmente em julho no ano passado.
Nos EUA, o Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram 4.000, para 203.000, ante previsão de 208.000. Além disso, os agentes monitoraram o início da conferência de Jackson Hole, onde o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, deve discursar na sexta-feira. Com os rendimentos dos Treasuries acomodados, as taxas dos DIs variaram em margens estreitas.
Profissional ouvido pela Reuters pontuou que parte do mercado opera sob a expectativa de que o Banco Central cortará a Selic em mais 25 pontos-base em setembro, considerando os dados recentes. Por isso, o sinal negativo prevaleceu na ponta curta, passado o leilão semanal de títulos prefixados. No leilão, o Tesouro vendeu 23 milhões de LTNs e 8 milhões de NTN-Fs, montante superior aos 18 milhões e 3,65 milhões da semana anterior. Às 16h34, o Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, a 4,676%.
Quem acompanha a renda fixa sabe que dias de pouca volatilidade externa tendem a destacar o cenário local. A combinação de desemprego em queda e superávit fiscal, ainda que com ressalvas de calendário, reforça a leitura de espaço para afrouxamento monetário. A pergunta que fica é se o Copom confirmará o corte em setembro, e o mercado já precifica essa possibilidade.