Economia

Taxas curtas caem e longas estáveis no Brasil

ResumoO mercado de juros brasileiro registrou queda nas taxas dos DIs de curto prazo, com estabilidade nas longas, em sessão marcada por Treasuries acomodados. O desemprego de 5,3% e o superávit primário de R$ 10,78 bilhões influenciaram o movimento. A curva a termo refletiu ajuste pontual, sem alteração na percepção de risco fiscal.

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam em baixa, enquanto as longas ficaram estáveis, em dia de Treasuries acomodados. Desemprego de 5,3% e superávit de R$10,78 bi marcam a sessão.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 27 de agosto de 2026
Taxas curtas caem e longas estáveis no Brasil

As taxas dos DIs de curto prazo fecharam a quinta-feira em baixa, enquanto as de longo prazo encerraram próximas da estabilidade, em uma sessão de calmaria para a renda fixa brasileira e de variações modestas para os Treasuries. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,76%, com queda de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,83% da sessão anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 estava em 14,45%, quase estável ante o ajuste de 14,444%.

A sessão foi marcada por dados econômicos no Brasil e nos EUA, mas nenhum indicador influenciou de forma decisiva a curva brasileira. Pela manhã, o IBGE informou que a taxa de desemprego atingiu 5,3% nos três meses até julho, menor resultado para o período da série, que começa em 2012, em linha com a expectativa da Reuters. À tarde, o Tesouro reportou superávit primário de R$10,783 bilhões em julho, próximo dos R$10,679 bilhões projetados, ante déficit de R$59,070 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado positivo, porém, deve-se em grande parte a um efeito do calendário: pagamentos de precatórios foram antecipados para março, contra desembolsos principalmente em julho no ano passado.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram 4.000, para 203.000, ante previsão de 208.000. Além disso, os agentes monitoraram o início da conferência de Jackson Hole, onde o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, deve discursar na sexta-feira. Com os rendimentos dos Treasuries acomodados, as taxas dos DIs variaram em margens estreitas.

Profissional ouvido pela Reuters pontuou que parte do mercado opera sob a expectativa de que o Banco Central cortará a Selic em mais 25 pontos-base em setembro, considerando os dados recentes. Por isso, o sinal negativo prevaleceu na ponta curta, passado o leilão semanal de títulos prefixados. No leilão, o Tesouro vendeu 23 milhões de LTNs e 8 milhões de NTN-Fs, montante superior aos 18 milhões e 3,65 milhões da semana anterior. Às 16h34, o Treasury de dez anos subia 1 ponto-base, a 4,676%.

Quem acompanha a renda fixa sabe que dias de pouca volatilidade externa tendem a destacar o cenário local. A combinação de desemprego em queda e superávit fiscal, ainda que com ressalvas de calendário, reforça a leitura de espaço para afrouxamento monetário. A pergunta que fica é se o Copom confirmará o corte em setembro, e o mercado já precifica essa possibilidade.

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