Economia

Taxas dos DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA

ResumoAs taxas dos DIs brasileiros fecharam em baixa após a divulgação de dados fracos de emprego nos Estados Unidos. O relatório de folhas de pagamento reduziu a probabilidade de elevação de juros pelo Federal Reserve, pressionando a curva a termo local. O movimento refletiu a diminuição do prêmio de risco externo sobre os ativos domésticos.

Taxas dos DIs fecham em baixa no Brasil após dados fracos de emprego nos EUA, que reduzem a chance de alta de juros pelo Fed. Veja os impactos na curva a termo e o que esperar.

Tânia Lustosa
Tânia Lustosa Colunista de economia e sociedade · 07 de agosto de 2026
Seleções que eliminaram a França da Copa do Mundo: histórico

Taxas dos DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 fechou em 13,78%, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,853% da sessão anterior. O movimento acompanhou a queda firme dos rendimentos dos Treasuries, após o payroll de julho nos EUA mostrar fechamento de 23 mil postos de trabalho, muito abaixo das expectativas. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 recuou 3 pontos-base, para 14,425%. Na semana, as quedas acumuladas foram de 8 e 22 pontos-base, respectivamente.

As taxas dos DIs fecham em baixa após dados fracos de emprego nos EUA, que reduzem a chance de o Federal Reserve subir juros no curto prazo. O relatório do Departamento do Trabalho dos EUA, divulgado na manhã, contrariou a expectativa de economistas ouvidos em pesquisa da Reuters, que previam abertura de 80 mil vagas. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, ante 4,2% projetados.

O que diz o dado de emprego dos EUA e por que ele derruba os DIs

O mercado de trabalho norte-americano deu um sinal de fraqueza que ecoou nos mercados globais. Foram fechados 23 mil postos de trabalho em julho, contra a expectativa de abertura de 80 mil vagas. O dado anterior também foi revisado para pior: junho passou a mostrar criação de 20 mil vagas, ante os 57 mil inicialmente informados.

Em reação, os rendimentos dos Treasuries despencaram, com investidores avaliando que a fraqueza dos dados reduz as chances de o Federal Reserve subir juros no curto prazo. Essa leitura derrubou as taxas dos DIs no Brasil, que se firmaram em baixa em paralelo ao recuo do dólar ante o real.

Impacto na curva a termo: o que mudou para o investidor

A curva a termo refletiu a nova precificação. Às 9h29, pouco antes da divulgação do relatório, o DI para janeiro de 2028 marcava 13,830% (-2 pontos-base). Logo após os dados, às 9h33, atingiu a mínima intradia de 13,755% (-10 pontos-base). No restante do dia, as taxas seguiram no território negativo, com variações menores, em meio à desaceleração das perdas dos Treasuries.

Para quem acompanha o Tesouro Direto e os títulos prefixados, a queda dos DIs tende a reduzir a rentabilidade de novos investimentos atrelados à taxa. Por outro lado, quem já comprou títulos com taxas mais altas vê ganho de marcação a mercado. A ponta longa, representada pelo DI para janeiro de 2035, caiu menos, indicando que o mercado ainda vê prêmio de risco relevante no horizonte.

Expectativa de juros: o que o mercado já precifica

"Esse enfraquecimento do mercado de trabalho é consistente com a precificação atual do mercado, que já não espera mais alta de juros em setembro, e sim manutenção, com um aumento de 0,25 p.p. em outubro, o único movimento esperado para o restante de 2026", disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito.

A leitura é direta: com o payroll fraco, o Fed tende a segurar os juros no curto prazo. Isso derruba os rendimentos dos Treasuries, que são referência global para decisões de investimento. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dois anos tinha queda de 5 pontos-base, a 4,191%. Já o retorno do título de dez anos caía 3 pontos-base, a 4,639%.

O que isso significa para o Brasil e para o seu bolso

A queda das taxas dos DIs não é um fenômeno isolado. Ela reflete a conexão entre o mercado de trabalho norte-americano, a política monetária do Fed e o custo do dinheiro no Brasil. Quando os juros externos caem, o dólar tende a recuar ante o real, o que alivia pressões inflacionárias e abre espaço para que o Banco Central brasileiro considere cortar a Selic mais à frente.

Para o investidor pessoa física, o movimento tem dois lados. Quem aplica em renda fixa prefixada ou atrelada à inflação pode ver a rentabilidade futura cair, se as taxas continuarem em baixa. Mas quem já está posicionado em títulos com taxas maiores se beneficia da valorização. A recomendação de especialistas é acompanhar os próximos dados de emprego e inflação, tanto nos EUA quanto no Brasil, para calibrar a alocação.

Oriente Médio: o outro fator no radar dos investidores

Além dos dados norte-americanos, os investidores se mantiveram atentos durante o dia ao noticiário sobre o Oriente Médio, com o conflito entre EUA e Irã ainda em curso. Esse cenário adiciona incerteza geopolítica, que pode pressionar os preços do petróleo e, por tabela, a inflação global. No entanto, o efeito sobre as taxas dos DIs foi secundário nesta sessão, dominada pelo payroll.

Cenário para as próximas semanas: o que acompanhar

O mercado agora aguarda os próximos indicadores de atividade e inflação nos EUA, além de qualquer sinalização do Fed sobre os rumos da política monetária. A precificação atual indica manutenção dos juros em setembro, com alta de 0,25 p.p. apenas em outubro. Se os dados continuarem fracos, essa expectativa pode mudar, pressionando ainda mais os rendimentos dos Treasuries e, consequentemente, as taxas dos DIs no Brasil.

Para quem investe em renda fixa, o momento pede cautela. A queda das taxas pode parecer boa para quem já comprou, mas para novas aplicações o cenário é de rentabilidade menor. A diversificação entre prazos e indexadores segue sendo a estratégia mais equilibrada. como investir em tesouro direto

Perguntas Frequentes

Por que as taxas dos DIs caíram hoje?

As taxas dos DIs caíram após dados fracos de emprego nos EUA, que mostraram fechamento de 23 mil postos em julho, muito abaixo da expectativa de abertura de 80 mil vagas. Isso reduziu a chance de o Fed subir juros no curto prazo, derrubando os rendimentos dos Treasuries e puxando as taxas no Brasil.

O que é o DI para janeiro de 2028?

É a taxa do Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2028, usada como referência para contratos futuros de juros no Brasil. Ela reflete a expectativa do mercado para a Selic e para a inflação no período.

Como a queda dos DIs afeta o Tesouro Direto?

A queda das taxas dos DIs tende a reduzir a rentabilidade de novos títulos prefixados e atrelados à inflação. Quem já possui títulos com taxas maiores pode ver ganho de marcação a mercado, mas novas aplicações pagam menos.

O que o mercado espera do Fed nas próximas reuniões?

Segundo a precificação atual, o mercado não espera alta de juros em setembro, apenas manutenção. O único movimento esperado para o restante de 2026 seria uma alta de 0,25 p.p. em outubro.

Qual a relação entre o payroll dos EUA e os juros no Brasil?

O payroll fraco reduz a chance de alta de juros pelo Fed, o que derruba os rendimentos dos Treasuries e o dólar. Com o dólar mais baixo, há menos pressão inflacionária no Brasil, o que pode abrir espaço para o Banco Central cortar a Selic no futuro.

Leia também

Publicidade