Economia

Trump afirma ter controle sobre Ormuz; EUA e Irã endurecem

ResumoDonald Trump afirmou que os Estados Unidos exercem "controle total" sobre o Estreito de Ormuz, enquanto o Irã endurece sua posição. Ataques recentes e negociações paralisadas mantêm os preços do petróleo em alta. A declaração de Trump intensifica a tensão geopolítica na região, sem indicar mudança imediata no impasse diplomático entre Washington e Teerã.

Trump afirmou que os EUA têm "controle total" sobre o Estreito de Ormuz, enquanto o Irã endurece a posição. Ataques e negociações paralisadas mantêm o petróleo em alta.

Fábio Quaresma
Fábio Quaresma Especialista em finanças pessoais · 12 de agosto de 2026
Trump afirma ter controle sobre Ormuz; EUA e Irã endurecem

Trump afirma ter controle sobre Ormuz enquanto EUA e Irã endurecem posições

A declaração de Donald Trump de que os EUA têm "controle total sobre o Estreito de Ormuz" chega em um momento de máxima tensão. Washington e Teerã endurecem o discurso, os ataques a navios continuam e o preço do petróleo não dá trégua. O que mudou? A resposta curta: as negociações seguem paralisadas, e a retórica escalou.

Segundo a Bloomberg, Trump disse a repórteres na Base Aérea Conjunta Andrews, na terça-feira, que o estreito "é nosso". Ele ainda ameaçou: "Em algum momento, talvez eles façam alguma coisa, e aí serão eliminados". O Irã, por sua vez, desmente a afirmação com ataques intermitentes a navios na região.

O que mudou na disputa pelo Estreito de Ormuz?

A fala de Trump veio depois que o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, disse à Bloomberg que os dois lados estão "perto de algum tipo de acordo" sobre Ormuz. Mas a escalada da retórica aumenta as dúvidas sobre um acordo imediato. Por ali passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes dos ataques de EUA e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

Um acordo de paz provisório foi firmado em junho, mas confrontos e interrupções no tráfego marítimo continuam. Na prática, os termos desse acordo estão praticamente obsoletos. Catar e Paquistão atuam como mediadores, e o conflito já causou milhares de mortes.

Quem está mediando e o que dizem os intermediários?

Na quarta-feira, o gabinete do ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, informou que ele entregou uma mensagem do primeiro-ministro Shehbaz Sharif e do chefe do Exército, marechal de campo Asim Munir, à liderança iraniana. Naqvi auxilia Munir, que lidera as negociações.

A Al Jazeera noticiou que as negociações entre Irã e Omã sobre a reabertura do estreito para algumas atividades marítimas atingiram estágio avançado, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar. Os EUA não participam diretamente dessas discussões, embora tenham retomado o bloqueio naval aos portos iranianos.

Mohsen Rezaee, recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou que qualquer acordo com Omã permanecerá separado de uma reabertura completa, segundo a agência estatal IRIB. Ainda não está claro quais condições o Irã poderá impor ao tráfego.

O impasse segundo quem conhece as negociações

Wendy Sherman, ex-secretária de Estado adjunta dos EUA, foi direta à Bloomberg TV: "Definitivamente, estamos em um impasse". Para ela, sem concessões dos EUA, como permitir pedágios voluntários ou alívio de sanções, não há reabertura sustentável. E completou: "Acho que a realidade é que, num futuro próximo, senão para sempre, o Irã controlará o Estreito de Ormuz".

O Irã transmitiu exigências adicionais a Washington por meio de intermediários, incluindo o fim da guerra e o desbloqueio de ativos iranianos, informou a IRIB, citando Rezaee, após reunião com o embaixador da China no Irã, Cong Peiwu, em Teerã.

Petróleo em alta e o fluxo que não para

Os preços do petróleo continuam subindo. O Brent, referência global, era negociado a pouco mais de US$ 89 por barril em Londres na quarta-feira, estendendo a alta para o sexto dia consecutivo.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou em publicação nas redes sociais que a média de sete dias do petróleo que sai de Ormuz é de quase 9 milhões de barris por dia, número superior às estimativas de muitos operadores.

Apesar dos ataques, as travessias de navios continuam. Imagens de satélite mostram embarcações fazendo transferências de carga nos arredores de Ormuz, com alguns petroleiros cruzando o estreito com transponders desligados. Doze dessas mudanças foram detectadas em um trecho de mais de 100 quilômetros da costa de Omã e dos Emirados Árabes Unidos na segunda-feira, segundo dados do satélite Sentinel 2 da União Europeia.

A nova estratégia militar do Irã

Mohammad Reza Naqdi, assessor do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, sinalizou que a República Islâmica adota nova estratégia militar ofensiva após a nomeação de oficiais superiores. "Sempre que as condições forem favoráveis e a ordem for emitida, devemos estar aptos a levar a operação para território inimigo", declarou à televisão estatal.

A instabilidade vai além do conflito EUA-Irã. Israel segue em confronto com o Hezbollah no sul do Líbano e ataca militantes do Hamas em Gaza, enquanto os houthis atacam navios no Mar Vermelho, o mais recente na terça-feira.

Perguntas Frequentes

O que Trump disse sobre o Estreito de Ormuz?

Trump afirmou que os EUA têm "controle total" sobre o estreito, dizendo que é "nosso", e ameaçou eliminar o Irã se algo acontecer.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?

Por ali passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes dos ataques de EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro.

Quem está mediando as negociações entre EUA e Irã?

Catar e Paquistão atuam como mediadores, com o Paquistão entregando mensagens à liderança iraniana.

O que falta para um acordo sobre Ormuz?

Segundo Wendy Sherman, os EUA precisam oferecer concessões, como alívio de sanções ou permitir pedágios voluntários, para uma reabertura sustentável.

Como está o preço do petróleo diante do impasse?

O Brent segue acima de US$ 89 por barril, com alta pelo sexto dia consecutivo, refletindo a incerteza sobre um acordo.

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